20/02/15

EXEMPLOS - desafio nº 84

O segredo de Quincas
QUINCAS, ESQUISITO, ORELHA, ENFERMARIA, RECORDARIA
Na pequena aldeia moradores todos se conheciam.
 
Lá, Quincas, muito esquisito. Sempre com uma orelha bem enrolada, ninguém a podia ver. 
Aquilo sempre causava curiosidade, pois perguntado sobre o que tinha acontecido com a orelha, nada respondia! 
Certo dia passou mal. 
Desacordado, foi levado para uma enfermaria local. 
Antes do socorro principal, a atendente tratou de retirar a atadura da orelha. 
O que viu? 
Em nome da já memória do Quincas, nunca contaria, mas, para sempre recordaria!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Sob a quincha
Quincha + arquitetava + empalhava + atrairia + charcutaria
Sob a quincha, Ana Paula empalhava o assento de uma cadeira, enquanto arquitetava como atrairia o pequeno Bruno Miguel para a surpresa que lhe preparava.
Esquecida da dor nas mãos, acelerava os dedos, numa vontade desenfreada de colocar um sorriso no rosto do filho.
Terminada a obra, correu a receber o pagamento e, a caminho de casa, parou em frente da charcutaria. Sob o olhar incrédulo da criança, entrou e disse-lhe:
– Hoje, podes escolher o que quiseres.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

QUINTAS – AQUILO – ASELHA – ADORARIA - ENRIQUECIA
Às Quintas-feiras tinha folga. Passava a semana a sonhar com aquilo. Trabalhava  no duro pois a patroa era exigente. Bastava lascar um copo para lhe chamar aselha ou mesmo irresponsável.
Ah, como adoraria sair dali!
Á noite lia romances de amor, imaginando vidas diferentes e amores impossíveis. Um dia partiu sem rumo nem norte, para não enlouquecer. Perdeu-se-lhe o rasto...
Mais tarde soube-se que casara e enriquecia. Agora era feliz tal qual como nos romances que lera!
Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa

O líquido
Quintina, Ambrósia, Liquido, Vermelha, Padaria
Quintina era uma mulher reservada.
Toda tarde passava na padaria para comprar Ambrósia.
Em seguida ia na casa de Dona Odete.
Quintina saia apressada, segurando um garrafa que continha um líquido de cor vermelha. 
Quando perguntada sobre o conteúdo da garrafa, ela desconversava.
Semanas depois seu marido veio a falecer e os vizinhos estranharam o sumiço de Quintina. 
Ela nunca mais foi vista saindo da casa de Dona Odete.
Afinal, o líquido não se fazia mais necessário... 
Verena Niederberg, 64 anos, Rio de Janeiro - Brasil

QUINTA – AQUILO – EMBRULHADA – ACABARIA – SATISFARIA
A quinta situava-se num monte distante da aldeia. Vivia só naquele lugar ermo e ventoso. Os amigos haviam ficado para trás. Tudo aquilo lhe parecia irreal. Como pudera um dia pensar em viver ali? Quando se deslocava à aldeia no seu velho automóvel todos a olhavam curiosos, principalmente as crianças, pois ia sempre embrulhada no mesmo xaile escuro. Já nem sabia sorrir. Um dia acabaria por ir embora. O sonho de viver no campo dificilmente a satisfaria.
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão


Quinta-feira + alquinar + quadrilha + Portinari + cervicalgia
Quinta-feira é dia de alegria para quem cansou de ser sisudo, ainda que tenha vindo de uma família alemã.
Em nome de um sonho, se pode até alquinar, vislumbrar cenas misteriosas e se abraçar. 
No circo, o palhaço dança quadrilha, faz graça e até mesmo a pessoa mais ajuizada não fica de cara fechada. 
A plateia dá risada, fica relaxada e comenta a importância de Cândido Portinari
Eles se abraçam carinhosamente e com muito alívio da cervicalgia.
Renata Diniz, 38 anos, Itaúna/Brasil

QUINTA – AQUILATAR – VASILHA – PERFUMARIA – SUSTENTARIA
Vivia numa quinta que há muito deixara de ser cultivada mas que ainda possuía uma nascente de água quente sulfurosa que os seus antepassados diziam ser água milagrosa.
Mandou-a aquilatar e comprovou que as suas propriedades químicas eram bastante benéficas para a pele.
Começou, no início com muito custo, a colocar a lama argilosa da nascente numa vasilha e a vendê-la na perfumaria. Fez sucesso!
Quem imaginaria que a lama da sua quinta a sustentaria na vida?
Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

QUINTA – EQUIPA – VERMELHA – MERCEARIA – CHURRASCARIA
Churrasco no Acampamento
A equipa de futebol da minha escola vai acampar numa quinta perto de Lisboa. Quem me dera estar lá. Ouvi dizer que iam fazer churrasco… Mmm…  Iam ter um atelier de cozinha, para ensinar que “o churrasco está no ponto quando a carne fica vermelha”. Mas, esqueceram-se de comprar a carne! Eu queria ser super-heroína, fui a correr até à mercearia e comprei a carne.
Fui eleita capitã de equipa por unanimidade, e… quase que abri uma churrascaria! 
Maria Leonor Moura, 11 anos, Santa Maria da Feira

Surgindo do nada
QUINTO – PESQUISA – PARTILHARIA – ENTENDERIA – PERCORRIA
 – É o quinto alerta que  faço. Caminhos  inseguros, trilhos incertos.
O alazão é impetuoso, não estás habituada à montada.
Pesquisa  os atalhos.  Não  te aventures.
No teu lugar partilharia o passeio.
Tantos cuidados, tanto amor!
Eu nunca entenderia  quanta razão havia nestes conselhos.
Embrenhei-me no silêncio da montanha, no chilrear da passarada e eis-me projetada nas águas do riacho.
Outro alazão percorria os mesmos caminhos. Uns braços fortes receberam-me, uns lindos olhos verdes sorriram. Surgiu outro mundo!
 Rosélia Palminha   67  anos  Pinhal Novo

Quinhão – aquinhoar - marulhar - entreteria – aproveitaria
Viver cada dia
Peço-te um beijo e atenção.
Carinho, afeto, um quinhão.
Sonho amor aquinhoar
E contigo, magia vivenciar.
Trocar saliva, prazer intenso.

Viver cada dia loucamente...

Assim até o fim sorveria,
E o presente entreteria.
Rir de tudo, gargalhar.
Fazer do agora perfeito entregar
Ser leve, e não ser denso

Aproveitaria, infinitamente... 

E ao marulhar do amor seguir bailando
Alma infantil, rodar, dançando,
Brincar de abraçar,
Aconchegada ficar,
Dar e receber carinho imenso

E assim olhar a vida intensamente...
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Brasil

QUINZE – ARQUITECTO – EMBRULHADA – PASTELARIA – REBALDARIA
Há quinze dias que o arquitecto não comparecia na empresa. Começou a ficar complicado, tentaram por todos os meios encontrá-lo, mas sem sucesso. Estava incontactável. O serviço estava uma embrulhada, não conseguiam seguir à risca. A falta que fazia, era mais que muita, cargo de enorme responsabilidade. Na pastelaria onde era cliente diário e assíduo, estranharam muito a sua ausência. Tentaram saber o porquê do desaparecimento... mas sem resposta. Comentavam:
– Sem o arquitecto, vai ser uma rebaldaria!
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

De Tudo Um Pouco
Quinzenalmente    Aqui   Abelha   Ordinário   Sapataria
Quinzenalmente, chegava a carrinha do Senhor Antunes com o que aqui se pretende dar a conhecer. Ao zunir do seu rotativo, a que habilmente apelidara de abelha, vinha de ordinário uma turba apressada, esgrimindo forças pelo lugar na fila, centopeia de irrequietas patas.
- mantas, alguidares, sapataria, ferragens, livros, doces, salgados...
Ecléctica oferta, ávida procura, negócio garantido.
Havia porém uma importância maior. As mercancias eram enriquecidas com algo poético que não estava à venda: Sonhos!...oferta da casa.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Equitação
QUINzenalmente, Maria e o seu amigo João dedicavam-se a fazer eQuitação.
Maria uma jovem e bonita rapariga ficava-lhe bem o traje de cavaleira, completado por uma vistosa blusa vermeLHA, que brilhava intensamente mesmo ao longe. O cavalo galopava velozmente com destreza e sabedoRIa e adivinhava-se que quem o conduzia o fazia com amor e arte proporcionando um espetáculo maravilhoso que a todos satisfaziA
João o seu amigo também um excelente cavaleiro tinha orgulho na amizade de Maria.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos Lisboa

quinta/conquista/coelha/calendário/cerimónia
Uma coelha na quinta
Na quinta havia uma coelha que fazia da criação um hino ao calendário. Tão fértil era.
Todos os anos era a protagonista nas férias da Páscoa, esperadas com ansiedade para conhecer os filhotes da nova ninhada.
Viviam junto do alpendre das galinhas, com quem partilhavam alimentos e espaço, uma conquista antiga.
Nas férias as crianças realizavam uma cerimónia, feiras e desfiles aproveitando a quinquilharia encontrada no lagar. Cestos de vime, alfaias e principalmente risos e muita brincadeira.
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Quincas + Toquina + abelha + conseguiria + traquinaria
O Quincas
Quincas era um cão feliz. Mas um dia, a abelha Toquina tentou dar cabo da vida dele com o seu zumbido e voos rasantes à volta da cabeça do pobre cão.
Conseguiria mesmo?
A sorte do cão foi que voava ali perto um abelharuco seu grande amigo. Assim que viu a traquinaria da abelha, nem pensou duas vezes. Fez um voo exímio e, num ai, papou a abelha Toquina.
Assim voltou o Quincas a viver feliz.
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Quintarola + paquiderme + trapalhada + Albergaria-dos-Doze + Patagónia
Diziam!
Na quintarola da avó Cachemira vivia liberdades impossíveis em tempo de cidade. Tudo lhe era permitido, até alimentar o paquiderme da aldeia, perigosíssima entidade de pernas trocadas e olhar furibundo. Tinha vindo de Albergaria-dos-Doze, diziam. 
Vai um dia, ele e os miúdos da aldeia armaram trapalhada tal, que o pobre mostrengo teve uma apoplexia, caindo para o lado redondo. 
Mas a galhofa ia continuar… O Sr Padre Cura encomendou outro. E, desta vez, vinha da Patagónia. Diziam!
Fernanda Elisabete Gomes, Vila Franca de Xira, 59 anos

Salvem a floresta!
Reza a história que na toca de uma árvore devoluta se instalou uma coruja velha com ideias muito revolucionárias – salvar a floresta!
Convenceu os bichos da floresta, injustiçados e sem forças para vencer o homem, que lutar era o melhor remédio.
Um enorme enxame de abelhas avançou contra os lenhadores picando-os com os aguçados ferrões. Estes, apavorados, fugiram e nunca mais voltaram.
Os animais agradecidos fizeram uma festa de coroação da coruja e elegeram-na rainha da floresta.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa
(aqui com as sílabas de revolução)

Pela quinquagésima vez, pedia-lhe para não mais mentir. Aquele trafulha conseguia ser um exímio mestre na arte da patifaria. Nunca vira nada assim. Respirava mentiras, comia mentiras, um caos… Que angustiante! Agora percebia o que era um mentiroso compulsivo. Sempre que o maldito telefone tocava, tinha taquicardia. Na certa ia haver confusão. Estava cansada, desatinada, farta, já não sabia quem mais precisava da consulta de psicologia. Acorda Mariana! Puxa, ainda bem que foi só um mau sonho! 
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

O exame
Na sala o silêncio era absoluto, o exame quinzenal apresentara-se difícil.
Até ela como professora tinha consciência disso, e tinham outro amanhã, Anatomia
Não gostava de sobrecarregar os alunos mas o calendário assim obrigava.
– Acabou o tempo! Por favor, Manuela, recolha os exames.
Observou-os, entretanto, estavam apreensivos. O exame do André ficou no cimo... não queria acreditar...
– Pelo amor de Deus! Desde quando Portugal é arquipélago?! 
Riram, fazendo um enorme alarido.
– Caluda! Onde pensam estar? Na pastelaria!?
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Faltavam quinze minutos para começar o jogo, já tinha comprado o bilhete. As bancadas estavam cheias de espetadores, as vozes faziam-se ouvir… tinha lugar cativo, iria apoiar o Clube ao qual já pertencera. Decerto, recordaria saudosamente momentos passados…
Era uma equipa muito especial! Entre os jogadores existiam três fatores fundamentais: harmonia, positivismo e amor à camisola! Marcavam a diferença! Quando entravam em campo era para vencer! É uma equipa que trabalha com sabedoria!
Um exemplo a seguir…!
Prazeres Sousa,52 anos, Lisboa

Um Reino Maravilhoso 
Da janela do meu quarto
De frente para o quintal,
Vejo mesmo um lindo filme,
Pertinho do meu beiral!

Nascendo aqui e ali,
Há variedade de flores
Uma abelha vai beijá-las       
Como se fossem amores!

Há passarinhos voando,
Nas suas brincadeirinhas,
Um reino maravilhoso,
Com bonitas joaninhas!

Os limões nos limoeiros
Têm ninhos ali perto,
Os filhotes passarinhos
Esperam de biquito aberto!

E a vida multiplica-se,
Com grande chilrearia,
Contemplo o nascer do Sol
Renascendo a Alegria!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Sorria a pensar no belo passeio
Aproximava-se rapidamente a data do quinto almoço de Natal, da malta do tempo da universidade. Quando o convidaram deu logo a sua aquiescência. Nunca falhara nenhum. E já sorria a pensar no belo passeio até Bandulha, terra de boa comida, todos anos escolhiam uma diferente, e no quanto conversaria com os e as colegas a relembrar as farras, os estudos, os amores e desamores. Foi num desses encontros conheceu a mulher que lhe alegraria a sua vida.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Chegou a Lisboa eufórica de felicidade.
Tinha ido visitar a QUINta no Douro.
Nunca tinha visto beleza igual,
áquela que a Natureza nos oferece.
O dono da quinta era o arQUIteto,
amigo e colega do pai que,
partiLHAvam o mesmo ecritório.
Foi um fim de semana, muito bem passado.
E muito curto pois na segunda tinha que ir abrir,
a lavandaRIa, da qual era proprietáriA.
Empenhou-se dali em diante, realizar um sonho.
Ter uma quinta no Douro.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Ana Fernandes ― desafio nº 84
QUIN  QUI  LHA  RI  A
QUIN – 1ª sílaba –  quinquagésima
QUI – 2ª sílaba  maquinava
LHA – 3ª sílaba  maquilhagem
RI – 4ª sílaba  solidariedade
A – 5ª sílaba  assimetria
Pela quinquagésima vez ela colocou a maquilhagem que lhe disfarçava a assimetria dos sentimentos. Ninguém sabia, ela era um homem perfeito… Contrafeito!
Só ela sabia como todos os dias maquinava esquemas de perfeição que desciam pelas escadas, mas não pelo elevador, não fosse a vizinha do sexto andar descer também. Aquela que lia nos olhos dos outros todas as inquietações da vida.
É o que acontece a quem sofre de assimetrias… Anseia pela solidariedade que raramente tem!
Ana Fernandes, 43 anos, Santa Comba Dão

Esta noite, realizar-se-á um concerto de uma banda de rock, composta por um quinteto de músicos assombrosos.
Eu adoraria assistir ao espetáculo, mas não posso, graças à mesquinhez da minha mãe... pensa que sou uma criança!
Já sei... ao jantar, vou colocar-lhe dentro da sopa uma pastilha para dormir. Depois, fujo de casa sorrateiramente.
Ainda frequento o Ensino Secundário, mas quando for para a Universidade, seguirei Astronomia: adoro viajar por outros planetas, inventando soluções para os problemas.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto


quintilha + sequioso + parelha + escritório + rebaldaria
O candidato a poeta abandonou o encontro a meio das apresentações. Entrara sequiosode reconhecimento, saía desiludido pela receção à sua obra. Afinal, tudo não passava de golpe de marketing perpetrado por uma parelha de iletrados; uma rebaldaria era o que era. As suas quintilhas atingiriam os tops em qualquer ranking, a avaliar pelo sucesso que faziam no escritório – bastava ver como D. Julinha, sentada à secretária, rodeada de quinquilharia, arfava de emoção quando ele lhas lia.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

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