10/02/15

EXEMPLOS - desafio Rádio Sim nº 22

Pobre Zenaide
Zenaide era uma dona de casa zuretinha...
Tinha “zoinhos” no lugar, mas pouco “zoiava”.
Como um zurrilho com sua vassoura, fazia tudo luzir.
Apressada, tudo agilizava, sempre na azáfama.
Certo dia, no arroz, trocou ao invés do sal, deslizava pó de café.
Noutro, enquanto cozia ovos, sentiu um cheiro: Zás trás, não eram ovos e sim rabanetes!
Tinha muito aprendizado pela frente, melhor se organizar!
Mas para isso, Zenaide, pobre apaixonada, precisava no vizinho parar de pensar!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Vinho de missa
rapazinho acelerava a bicicleta a duas dezenas de quilómetros à hora. Se abrandasse não conseguiria entregar o vinho a tempo da missa, dizimando as rezadeiras que acérrimas marcam presença a cada entardecer.
– Cuidado – diz o padre aterrorizado, pondo a mão na cabeça, vendo a garrafa voar, ameaçando aterrar na escadaria de pedra e estraçalhar-se em mil pedaços.
– Deixe comigo – vozeia  Canhoto, avançando em direção ao projétil, as mãos estendidas.
– Cruzes – gritam todos, quando ouvem zás-trás.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Zequinha da paz
'Zumbido' no ouvido, ninguém merece viver em nenhum momento, talvez seja necessário.
Zequinha é tímido e parece se esconder atrás dos livros; entretanto aprende muito, mesmo sendo chamado de esquisito e esquizofrênico pelos amigos da faculdade. 
Nem liga pois, com muita sensatez, ignora tremenda zombaria dos colegas insensatos. 
Segue seu jeito discreto de ser, perspicaz, astuto e nada o deixa azedo nem de mau humor. 
É zeen, desfruta do silêncio, da solidão e da sua paz interior!
Roselia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro

A Zaragata no Zoo
Era domingo de manhã, as abelhas já zumbiam lá no jardim da tia Zélia. Fui deparada com uma notícia bastante divertida: eu hoje ia ao Zoo, não fazia ideia! Fomos por uma estrada rural, onde as ruas eram muito estreitas, por isso andávamos a ziguezaguear por lá. Quando chegámos ao Zoo, foi a zaragata total… As zebras tinham fugido e andavam a correr de um lado para o outro como se fossem zombies! Que zaragata no Zoo!
Maria Leonor Moura, 11 anos, Santa Maria da Feira

Alzheimer
Vejo-a perder, aos poucos, as memórias de uma vida e a ficar com a mente vazia por sofrer de Alzheimer.
Começou por perder a noção da sua localização, a esquecer-se das ruas, a perder-se nos cruzamentos… Depois, passou a esquecer-se dos nomes dos objectos, do nome dos vizinhos e até do nome dos seus rapazes!
Não demorará muito, infelizmente, para se esquecer do que fez no passado e faz no presente, até acabar por se perder completamente!
Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova Famalicão

Ao ouvir a fanfarra, o leão Zimbabueano saracoteava no ritmo daquelas zabumbas sem parar. Zebras seguiram o evento, zurrando e saltando de alegria. Zibelinas saíram do covil e mesmo o elefante zarolho surpreendeu o zoólogo sexagenário com um zelo salto de contente. O zénite singular de tudo isto foi que mesmo o zarco urso deixou o sono hibernal para ver a banda passar. O Zoo inteiro dançava sem segundo, um Zé-ninguém não participou, provavelmente porque era surdo.
Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia, Bélgica

Juiz de Fora
Homem parrudo, que mira sem amizade. Cidade cruza olhares cumprimentando conhecidos - empregados verificam janelas, portas, ninguém, nada. Exceto abelhas zumbindo na cozinha.
Relaxado, ar nostálgico, aprazível amizade entorno, mas nada parecido com o que conhecia.
Espantava a pobreza com cafezinho – aí a vida é outra, mas atende pelo nome de nascença.
Esvaziadavazão é alívio cômico que impede vida normal de acontecer no presente.
É nesse ambiente que beleza faz proeza – ainda dentro da lei, caminhando devagar.
Renata Diniz, 38 anos, Itaúna – Brasil


Zelo
Com destreza e veloz
Eu, rapaz e aprendiz
Talvez com alguma timidez
Zelo pelo amor pela amizade
E olho o céu azul e fico feliz
Sem desvalorizar a arborização
E sem fanatizar e sem zombar
Quero eternizar a evangelização
Com a esbeltez duma alteza
Zeloso e vaidoso como uma realeza
Deixem-me exteriorizar sem algazarra
Que zelo pela minha voz
E que esta minha nudez e a tua surdez
Fazem-nos ficar zangados
Tu zombas por isto ter zelado
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Era uma vez...
Era uma vez um sonho-insensatez.
Um querer abrandar com sutileza dias vazios,
Trocar dores, dissabores por gestos repletos de delicadeza, azulejando os dias,
Vontade de felicidade, de poder dizer com olhar que só os olhos são capazes de decifrar,
Era uma vez um anseio de intermináveis risos, vozes de alegria, cores pelo ar...
Então se faz em cinzas o real mundo real. E onde ficará o azul afinal?
Nada além de dar vazão aos quereres, quase eternizado...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

O João era um petiz azougado. Certo dia foi visitar a vizinha Maria que andava feliz na sua vida de campo! Tanto pulou que caiu e bateu com a cabeça num pedregulho, ficando zonzo e com zumbidos nos ouvidos! Que faria agora com aquele infeliz, pensou para consigo Maria que, entretanto, até ficara com azia no estômago! Chamou o Sr. Moniz, seu marido, que fazia a sesta. Apesar de zangado correu veloz, transportando-os para o hospital próximo.
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão

Zeca é gente que faz!
Zeca
era um rapaz altamente capaz. 
Trabalhava na zona rural no Zoo local.
Era um zelador perspicaz.
Em meio a zorrilhos e zaglossos trabalhava feliz.
A algazarra dos animais não o perturbava.
Zeca era uma pessoa zen.
Certa vez, uma zebra o atacou, mas Zeca não se zangou.
Houve porém, certo dia, no Zoo, um zum zum zum: 
Zeca seria despedido.
Tudo não passou de zum zum:
Zeca era um rapaz capaz.
Zeca é gente que faz!
Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Fazia dois anos que o Zezinho passava dias inteiros naquela loja de animais. Fazia questão de lá ir todos os dias para ouvir o que o Zacarias, o papagaio, dizia à saída e à entrada dos clientes. Na verdade fazia rir qualquer um que lá estivesse, dizia, “Já pagaste?” quando saiam e “Bom dia, Zarolho!” quando não cumprimentavam à entrada. Alguns clientes ficavam zangados o que deixava o Zezinho ainda mais divertido, outros respondiam-lhe animados “Ainda não!”
Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora

A mão ziguezagueou com o giz e os rabiscos começaram a ter forma.
O pauzinho branco subia e descia, e o z ficava desenhado na perfeição. A seguir veio um o muito redondinho e veloz, com grande vontade em não ficar sozinho. A mão, zangada, conduziu-o para o final dos rr, que quiseram ficar juntos e fizeram logo uma algazarra. O pau branco, muito zeloso, agarrou-os e acrescentou-lhes o o e eu escrevi, pela primeira vez: zorro.
Arménia Madail, 58 anos, Celorico de basto

Zagatés e Zaguchices
Zurita era a menina mais zelosa do colégio. Zita, embora sua amiga, zombava dela amiúde. Era naquele ano a zagucha chefe de turma que evitava zangar-se.
Honrava o posto, entre a zoeira do recreio e o quase zen das aulas.
Não queria zizaniar mas a forte noção de zelo acicatava-a.
Zé, o melhor jogador de basquetebol, zangava-se às zimbradas ordens.
Num zafarrancho jogo houve zaragata.
Resultado: zero a zero. Todos culparam o excesso de zelo de Zurita.
Elisabeth Oliveira Janeiro 70 anos, Lisboa

Milagre
O perfume das urzes envolvia o zumbido das abelhas, tudo satisfazia o espirito.
Zé, de natureza humilde, gostava da Zulmira, menina rica.
Seus sentimentos eram recíprocos mas a pobre
za dele não competia com a riqueza dela.
Zarpou, ia combater não conseguindo interiorizar tamanho sofrimento.
Quanta altive
z no coração da nobreza!
Seu vi
zinho informou, Zulmira ia casar.
Que fa
zer, sozinho chorou.
Na igreja, 
Zulmira, visualizou o Zé, olhou o pai, gritou NÃO!
Pa
z, S. Valentim eternizou seu amor.
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Zé Maria tinha a sua velha Famel Zundap guardada na garagem, uma relíquia!
Uma tarde, zarpámos a toda a velocidade e zás! Andámos aos ziguezagues pela zona ribeirinha e, por fim, chegámos à concentração de motas antigas. Zonza de todo, pois o zingarelho nada tinha de cómodo.
Os aplausos do Zé-povinho misturavam-se com os zumbidos que invadiam os meus ouvidos.
Zanguei-me com o Zé Maria. Disse-lhe que era um zero à esquerda, um Zé- ninguém, deu zaragata!
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Zeca lutava contra o tempo, fazia senti-lo vivo. Zelava pelo bem estar, trazendo de volta a vitalidade perdida. Zangado, tentava conduzir.
Tempestade traz de volta o zunido da revolta. Vento zangado que extravasa sem medida.
Faz frio, as gaivotas voam em céu cinzento.
Zeca lembrava do que diziam os amigos. Tu és capaz... infeliz daquele que não segue os seus sonhos! Azucrinado pela dor que trazia, parou...
Mais uma vez, continuou a sonhar, sentia-se bem feliz assim.
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Saudade
Meu amor nasceu da nossa amizade e tinha a certeza que tu sentias o mesmo.
Fiz planos para o futuro e imaginava nosso casamento na igreja Matriz. 
Mas num dia de Dezembro partiste com teu amigo Queiroz, tu querias ser Juiz mas eu não sabia que queria fazer futuramente.
Não sei se alguma vez me amaste mas por uns meses fui feliz.
Não quero fazer juízos, indagar os porquês.
Simplesmente espero sozinha mergulhada numa tristeza sem fim
Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

A voz da verdade
Zeloso sem zombar
Perspicaz era o rapaz
Que com um cartaz escrito a giz
Sem rigidez mas nitidez
Dizia que era feliz
Por com sensatez poder dizer
Que se sentia capaz, de anunciar a paz
Assim num papel com rapidez
Escreveu este poema e perfumou-o de alfazema
Grande na sua pequenez, mas com honradez
Corria como uma gazela levava ao ombro uma cruz
Zelava pela amizade e amor como jesus
Estava o céu azul cheio de luz.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos Lisboa

Onde existe a alegria?
O mundo foi criado feliz e aos poucos os homens cobriram-no de cinzento.
O cinzento era uma cor sem sol e ao mundo trazia uma lágrima gigante. Os homens rezavam a Deus para este lhes enviar novamente a alegria, e Ele assim o fez.
Mandou uma reluzente e frágil borboleta que todos seduzia, mas pouco poisava e muito fugia.
Só nas puras crianças se detinha com especial leveza, daí a alegria ser, na infância, a maior riqueza.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa.

Todos os dias, Irina dizia a si mesma que não era capaz. Amara-o de modo tão audaz e profundo que se sentia vazia de si. Dezembro era o mês do azevinho e o do início da sua grande paixão. O cheiro a alfazema dos lençóis trazia-lhe à memória os bailados de amor. Não fazia ideia de como erguer-se das cinzasSozinha percebia-se incapazZangada, sim, zangada, pois deixara-se enganar. Fazer as pazes consigo própria, era um início…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Foi sempre assim, uns demasiado dominados pela molezaazedados por exposição contínua à amargura da vida, e os outros que chegam a ser assoberbados com a beleza do vazio. Os últimos mencionados são perdizes esquizofrénicas que voam em direção às alucinações, na esperança que se tornem reais. Perspicazes, seguem a miragem zelando para que seja esta a salvação… Os outros vêem o mundo coberto de zebras, apenas preto e branco e nas suas mentes um mero zumbido.
Liliana Macedo, 16 anos, Ovar 

Talvez vá ao teatro ver a Zu representar.
Esta minha amiga faz tudo o que lhe vem à cabeça, agora é actriz amadora.
A Zu anda tão feliz! Ela e os colegas do teatro fazem muitos exercícios de colocação de voz.
Ontem, foi o dia do ensaio geral e quis fazer-me uma amostra do seu papel, uma verdadeira actriz!
Ela representa uma fazendeira que vive sozinha, no campo, cultiva as suas hortaliças, caça perdizes e vive feliz.
Zuzu Baleiro, 66 anos, Casa Branca, Sousel

Sou FELIZ, felizmente sempre!
Sou a palavra feliz que é como quem diz, partilho felicidade na boca dos que fazem o bem.
Fazer o bem e dar prazer é um privilégio!, experimente…
Levanto-me, olho o céu azul, mesmo nos dias mais cinzentos…
Procuro imagens de paz, neste mundo de luz de vários tons.
Ofereço-me, mostro-me, sorrio veloz, emito ondas de prazer.
Pratique a palavra, uma vez, ouça a voz e sentirá a alegria dos que me usam.
Odília Baleiro, 60 anos, Lisboa

O vozeirão ouvia-se ao longe 
Às vezes o vozeirão ouvia-se ao longe. Forte, intenso, e, depois, regressava num eco de vozes vaziasZunidos de ventania ou zanga de gente? Difícil distinguir tamanha zoeira em dias aziagosAzucrinava os ouvidos e banzava o entendimento. Seria barco a zarpar em ziguezague de quem procura rumo? Ou, antes, zumbido de sereia em lamento, num xadrez de emoções, pela vida apenas vislumbrada? Zénite da alquimia tão desejada transformada num zero existencial. Num desfecho feliz ou infeliz.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Zeca e Maria da Luz
Num céu azul e cinzento
Sozinho na Natureza,
Um lindo rapaztalvez,
Tinha prazer de certeza!

Valorizava a perdiz
Que sem estranheza e veloz,
Cruzava no seu nariz,
Com franqueza e sem voz!

Zeca, em pleno Dezembro,
Conduzia e incapaz,
Fazendo um cruzamento
Viu luzes e zás-trás!

Felizmente foi levezinho
Infeliz pela estupidez,
Com zelo imobilizou,
donzela de linda tez!

Capaz, com dezoito anos,
Eficazmente fez jus
À beleza e delicadeza
Da Feliz Maria da Luz!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

O dia amanheceu soalheiro, e a ZEFA, que já há muito ouvira o cantar do galo,
na COZINHA preparava o almoço.
O burro ZURRAVA, também pelo almoço, e foi também SATISFAZÊ-LO.
Levanta-se o ZÉ, AZEDO como era costume.
A ZEFA, continuava na sua AZÁFAMA, a preparar o caldo de PERDIZ.
Ela estava FELIZ, porque esse dia TRAZIA-LHE o filho que vinha de longe.
E era quando recebia, porque o filho lhe TRAZIA, um grande ramo de ZÍNIAS.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Era o seu baptismo de voo, uma VEZ que lhe fora oferecida uma viagem
e, embora fosse só ao Porto, o AZEVEDO, estava eufórico.
TALVEZ para VALORIZAR o seu novo acontecimento,
pois das outras VEZES ia de automóvel.
A VIZINHA do lado, ZOMBAVA dele.
Que alegria VIVAZ como contava a sua história,
chegando com um VORAZ apetite, de uma francesinha.
As VOZES que ouvia vinham de um restaurante ali perto,
pediu uma AZEVIA, as francesinhas tinham acabado.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Rapto made in U.E.
Graznidos de aves, asaz devoradoras, transforman el paisaje. Aguardan,
tierra o mar, a huéspedes cabizbajos destrozados por el ultraje. Las nécoras se
zambullen para evitar ser carnaza. La luz del faro vigila tenaz el fastuoso
continente… Zarpará la multitud aunque azote la galerna, advierte la prensa
internacional. Despreciados, abrazados y dolidos ante el retórico disfraz
occidental, se aterran... Días después, el horror: un alcatraz flota sobre la nutritiva
balsa compuesta por un cadáver diezmado. ¡Gozad, eurocráticos zeus!
José Ignacio M.G. 57 años. Valencia de Alcántara. Cáceres. ESPANHA.

O Zeferino é veterinário do Jardim Zoológico e adora animais desde criança, mas os pais apenas permitiram que tivesse pássaros em casa, pois o seu irmão mais novo era alérgico a pêlo.
Esta manhã, vacinou as zebras, limpou a dentição dos tubarões e tratou os ferimentos da pata direita do zebu.
Quando estava na jaula dos rinocerontes, o jardineiro foi decorá-la com zígnias e, juntamente, apareceu um zangão enorme que lhe picou o braço... que presente desagradável!

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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