30/03/15

EXEMPLOS - desafio nº 87

A ponte
Uma ponte, dois extremos: Juca e a família.
Parece ter sido construída mostrando que poderiam transpor o rio, se aproximar.
Durante várias estações ela existiu, sendo apenas atravessada pela família, que o tentava chamar... Ele atravessava quando algo lhe faltava.
Certo dia, atravessou-a para dizer que, sem as menores condições, seria pai.
A família, como uma cabra, de cá pra lá, ajuda e víveres. Ele aproveitava-se do bom coração da família, que esperava a primavera com esperança!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Cabra!
Olhou as instruções uma última vez, antes de escalar o pilar da ponte e dar execução ao plano. Depois, ocultou-se no arvoredo, aguardando o momento de agir.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo, num misto de frio e excitação, quando a viu iniciar a travessia. Ansiava pelo momento de carregar no detonador e mandar tudo pelos ares. Nunca mais ali passaria. Mas ela parara a meio, impedindo-o de executar o plano.
«É mesmo uma cabra!», pensou.
Não esperou…
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Combinamos encontro na velha ponte. Mais uma vez acreditei em ti, porque me perco sempre nas tuas palavras... Cheguei cedo demais para quem espera por uma ausência. O único som era a voz da água e a chuva que inundava a minha alma.
Foi então que vi a cabra. Percebi logo que estava perdida, sem rumo nem norte e revi-me nela, amargurada. Mas eu era livre para escolher o meu destino e parti num caminho sem volta!
Isabel Lopo, 69 anos, Alentejo

Comandantes em liderança
Globalização tenta salvar Democracia realizando ponte entre Países.
Será democracia, armadilha ou variações do mal?
Arte de governar bem é prolongamento do rio da consciência política.
Competente, inovadora, criadora é política autônoma. Autônomo, num Estado internacionalizado?
Como fazer cada um à sua maneira, se o estado de sucesso é cabra cosmopolita?
Venha, o campo é bucólico. Só não pense que é fácil ganhar dinheiro.
Afinal, cabra não tem ambiente próprio, faz parte do mercado que pede mudanças.
Renata Diniz, 39 anos, Itaúna/Brasil

Estava confusa como uma cabra perdida no meio da ponte. Não conseguira separar as águas do rio que, tumultuoso, escorria a seus pés as amarguras da vida! Nunca soubera voltar as costas a uma vida que, aparentemente fácil, não lhe sorrira. Sentia-se cansada, frustrada nos seus anseios! Ao menos a ponte estava ali firme, suportando as intempéries e o rio… o seu rio, como alcançá-lo? Ergueu-se, sorriu e pensou que estava na hora de retornar à outra margem. 
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins - Algueirão

Cabra fiel
Sentava-se na beira da ponte a ver as águas revoltas, a falta de cores na tonalidade cinzenta dos dias de inverno. O vento cortante, por vezes, salpicava água gelada no rosto, fazendo-o acordar para a crueldade da vida. O inverno ao redor estendia-se pelo seu corpo de pastor e aninhava-se no coração de homem. O inverno da vida era a estação mais íntima de um homem, a mais triste, não fora a cabra a mais fiel companheira.
Alda Gonçalves, 47 anos, Porto

Esperava-o um belo sorriso 
Pastoreava o seu rebanho de cabras, ao longo da margem do rio, quando a vislumbrou, na margem oposta, a passear a cachorrinha. Um dia, decidiu atravessar a ponte para lhe ir dizer olá. No meio estancou, ‘Vou! Não vou’! O seu pensamento saltitava entre as duas opções, mais rápido do que a sua cabra preferida a saltar de pedra em pedra. ‘Amanhã atravesso’, e regressava frustrado à outra margem.
Afoito atravessou e… surpresa! Esperava-o um belo sorriso.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Maria
A escolha parecia simples. Ir ou ficar.
Do lado de lá da ponte (Romana, de tão antiga) já não havia Inverno. Só Futuro.
Do lado de lá, a confiança era genuína e a esperança era mesmo a última a morrer.
Ainda assim, faltava Passado.
Maria hesitava.
De repente, começar de novo, em branco, já não era tão sedutor. Se algum Passado entorpece, outro reconforta e preenche.
Sem Passado somos apenas Presente. Frio. Oco. Vazio.
Maria não foi.
Nuno Longle, 40 anos, Odivelas

"A relva é mais verde do outro lado."
Terá pensado a cabra e deixou o aprisco quentinho. 
Em plena ponte romana, um bode velho, a quem também apetecera uma folha tenra, obstruiu o caminho. Infelizmente, não havia outra maneira para atravessar aquele rio turbulento. 
Ora, desistir da verdura e escolher a maternidade, nem pensar disso. Afinal é ela, dona do seu próprio corpo, não é?
Com um ardil conseguiu passá-lo, e gulosamente se despachou para o pasto.
Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia Bélgica

O conformado
Nos tempos em que se erguia a espada, em que o escudo era outro
em que a guerra era fria, como um barco sem porto.
Tudo o que queria era uma bela fragata.
Mas nem todo o rio tem cascata.
Contento-me com o que tenho, consequências de vida macabra!
Não tenho melhor amigo, pois uma cabra não ladra…
Nesta margem sinto-me só, não me afronto!
Vejo uma ponte, mas não confronto.
Sinto-me bem, não preciso de mais...
Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Vera
Isménia era a única cabra naquele rebanho e Zé, seu pastor, sempre personificou o seu comportamento. Naquele dia o facto de Isménia travar em cima da ponte, era sinal que ele devia aguentar a tormenta que bombardeava a sua vida da mesma forma que Isménia, passivamente, se deixava ficar sob a chuva.
A corrente forte do rio provava que, muitas vezes, só se obtém um abundante caudal de felicidade e superação na vida quando aceitamos os obstáculos.
Vera Viegas, 31 anos, Penela da Beira

Lição
Apesar da invernia, o rebanho trespassava o verde prado que, de permeio, exibia vetusta ponte romana, sobre o rio caudaloso.
Os animais eram mansos, obedientes. O pastor, cordato. Mau grado, uma cabra havia que, de arredia, não acompanhava a irmandade
Certa vez, foi directa à ponte. Estacou a meio. O rebanho ia longe...
Assustada, golpeou o ar no rasto do balir do gado. Experimentou então o consolo dos aflitos, e a ponte não voltou mais a seduzi-la.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

“Louca” por ti
Faz frio aqui, estou no extremo norte do Brasil, onde passa a linha do Equador e impera o calor. Não, você não entendeu. Faz frio em mim. E o meu Rio (Amazonas)? Esse é um marco que determina a distância em águas, entre nós. E águas absolutamente revoltas, que transbordam exatamente como a saudade, tua falta. Sem pontes, apenas meu pensar segue rumo a ti. E o coração? Salta, saltita... Cabra tonta ou cega por teu amor?
Roseane Ferreira, Macapá, Estado de Amapá, Brasil

Sentimentos
Formam um rio que canta
As lágrimas que por ti chorei
Assim como as noites perdidas
São tantas que já nem sei

Vivi à tua espera
Numa espera sem fim
Construindo vez após vez uma ponte
Desejando que voltasses para mim

Mas tu de mim fugiste
Para nunca mais voltar
Deixaste-me só e perdida
Com medo de amar

Como cabra doida e tresmalhada
Corro por entre mandrigais 
Jurando por tudo neste mundo
Que amar não quero mais
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Tarde de inverno. O rio corre apressado empurrado por um vento desnorteado. A velha ponte romana aguenta firmemente a intempérie e o rebanho que a atravessa para a outra margem, à procura dum lugar abrigado.
Distraído, o pastor não se apercebe do que está a acontecer e acelera o passo. O rebanho segue-o, submisso. Mas, falta-lhe uma cabra, ele volta atrás. Encontra-a numa luta titânica com a dor e a urgência do cabritinho que teima nascer ali.
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Amor
Era dia do casamento. A noiva estava hesitante. Sentia-se como cabra tresmalhada, no meio da ponte, sem saber o rumo. O noivo esperava-a. Mas o coração ordenava-lhe que se atirasse aos braços do Rafael. Conhecera-o há uma semana, mas que amor!... Porém, isto era como atravessar um rio tumultuoso…
Foi à igreja. Mas acabou por fugir, feita louca.
Partiu no veleiro do Rafael. Passaram a ponte, desceram o rio, alcançaram o oceano.
Começou então a grande aventura!
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Queria ir ao bailarico
Queria ir ao bailarico
Mas meu pai não me deixava,
Estava em cima da ponte
Como a cabra tresmalhada!

Queria ir ao bailarico
E o que havia de fazer?...
Tinha qu´enfrentar um rio
Sempre em fúria e a crescer!

Queria ir ao bailarico,
Mas vencer era um pavor…
Era como ir à conquista
E enfrentar o Adamastor!

Queria ir ao bailarico…
E o rio? Oh que maçada!...
Tinha que saltar da ponte
Como a cabra tresmalhada!
Maria do Céu Ferreira, 59 anos, Amarante

Amigos para sempre
Ouviu-se um estrondo e a cabra parou hesitante, no meio da ponte velha que desabou. Foi atirada ao rio e arrastada pela corrente. Estava quase a afogar-se, quando um tronco montado por um rato passou por ela. O rato gritou:
– Agarra-te!
E assim se salvou.
Quando a corrente abrandou saltaram para a margem e alcançaram terra firme. Agradecida a cabra disse:
– Monta-me rato e vem comigo para a terra dos impossíveis.
Ele aceitou e tornaram-se amigos inseparáveis.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa

Adormecido, o inverno fazia-se agora mais brando. A meio da ponte, a neve já começara a derreter somando água à corrente forte do rio. O sol a pico desnudava-a, mostrando cada pedra que compunha os seus admirados arcos. Nascera e sentia-se Romana. Encurtava distâncias, unia as margens, ouvia segredos, promessas, juras de amor, corridas de ladrões. E tudo fluía…Tudo, não! Que fazia aquela estúpida cabra parada, no seu dorso, hesitante entre o cá e o lá?
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

De arco em arco
Ponte de pedra. Antiga, robusta, silenciosa. Arcos em semicírculo, formando circunferências perfeitas ao casarem com o rio.
Rapariga de vida. Murmúrios de pássaro do bosque, saltos de cabra dos montes.
Caminhando no segundo arco, decidiu: Mãe, vou-me! Quero mudar de vida!
Sim, precisas de te encontrar. Um ano, e estás de volta. Manipulação de mãe? Sim, e perigosa que é…
Caminhando no terceiro arco, pensou: Não! Preciso de me construir.
E atravessou a ponte, num só sentido.
Fernanda Elisabete Silva Gomes, 59 anos, Vila Franca de Xira

Pastorisa cresceu. Não mais é cabrinha, mas sim uma bela e confiante cabra adulta, com os seus próprios cabritinhos. O inverno chegou veemente naquele ano. Mas nem o frio impedia Pastorisa de dar os seus passeios em família por aqueles, por ela tão bem conhecidos, campos, agora cobertos de límpida neve. Certo dia uma das suas pequenas crias afastou-se do grupo, acabando por se perder. Pastorisa encontrou-a sob uma ponte, temerosa observando o rio que ferozmente corria.
Liliana Macedo, 16 anos, Ovar

Palavra e ação
No tempo em que animais falavam, ia uma pequena cabra em um rebanho quando chegaram às margens do rio e viram um pasto verdinho do outro lado. Olhando a tempestade, que se aproximava, disse a cabrita:
– Passemos, rápido!
Mas reuniram o conselho. Então, em rápidos saltos, ela chegou ao centro da ponte romana que ligava as duas margens, olhou para trás e ainda contemplou as companheiras discutindo. Concluiu a travessia antes que a torrente submergisse a ponte.
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil –

Já se pôs o sol, o dia é chegado ao fim,
e eu farta de correr, saltar penhascos
à procura daquela CABRA que não sei onde se meteu.
Eu só espero que não tenha passado aquela velha PONTE,
não sei se aguentaria.
Eu é que não passo de certeza, não estou com vontade 
de acabar no RIO.
Raio de vida a minha, não podia ter escolhido
outra profissão? Quem me manda a mim
só saber guardar cabras.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Um dia, sonhei que estava nos Alpes, deitado na relva verde e fresca da Suíça. Levantei-me e comecei a subir a montanha mais próxima, tendo como objetivo chegar aos prados esplendorosos no topo.
No caminho, encontrei uma cabra pequena, que me seguiu na caminhada. Não demorou muito e encontrei um rio, atravessado por uma pequena ponte, que dava acesso ao outro lado da colina. Continuei a subida, cheguei ao topo e, antes de ver alguma coisa, acordei.
Duarte Gouveia Bento, 13 anos, Montijo

O inverno dos sentidos tinha chegado repentinamente, impetuoso. Na cama do hospital, José cogitava o seu passado. Sonhava com aquela que fora a paixão da sua vida e abraçava-a no pensamento. Gemia de saudade. A velha ponte já não ligava os dois corações, caíra devido à forte corrente do rio que escorria do rosto de José. 
Restavam-lhe alguns dias de vida. A solidão toldava-lhe a memória mas nem assim esquecia que apelidara a doença de cabra malvada.
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras

Hoje sonhei que, numa manhã invernal, estava uma cabra hesitante a meio de uma ponte romana, que atravessava um rio de corrente poderosa.
Meditei sobre este sonho estranho.
Senti-me como a cabra, receando o amor.
As margens representavam o meu coração, ávido por paixão e o cérebro calculista evitando o sofrimento.
Tu eras o rio que já tinha inundado apaixonadamente a minha alma.
Para que necessito eu da ponte? Apenas tenho que mergulhar nas tuas águas cristalinas.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto


Nevava e a noite gelava. A minha namorada aguardava-me para o jantar. Estava atrasado. Decidi seguir por um atalho. Ignorando a qualidade do piso, em excesso de velocidade, senti o carro bater, obrigando-me a travar bruscamente. Assustado, vi-me em cima duma ponte. Os faróis focavam uma cabra branca ensanguentada. Entrei em pânico. Matara um ser-vivo. A ponte era estreita. Para passar, atirei a cabra ao rio. Vi-a desaparecer com a corrente. Que nome teria o meu ato?
Fátima Fradique, Fundão

Um dia ia eu a passear perto da ponte romana em Mérida, quando vi um pastor preocupado. Então eu aproximei-me e perguntei-lhe o que estava a acontecer. Ele disse me que uma das suas cabras estava na ponte quase a cair pela forte corrente. A ponte estava destruída num dos seus lados e a cabra foi para ali. Era a melhor cabra, a que mais leite dava, não podia morrer! Então saltou para a água e eu salvei-a.
Alejandro Pascual, 16 anos, e Laura Montero, 15 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

Em dezembro, andei pela ponte velha de Badajoz. Olhei para o rio e vi uma corrente forte de água, algumas gotas de água salpicavam a minha cara. A meio da ponte, eu vi o meu rosto refletido na água, de repente, eu ouvi uma cabra que estava hesitante porque o seu pastor perdeu-a. Tentei trazer a cabra para a minha casa e estive vários dias com ela e um dia deixei-a outra vez na ponte de Badajoz.
César Tojeiro, 15 anos, e Marta del Pozo, 16 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

A cabra e o anjo da guarda
Num dia feio de Inverno, com chuva, vento, granizo, relâmpagos e trovões estava uma cabra, num curral abandonado que queria muito voltar para junto da sua família.
O vento e a chuva quase a derrubaram, mas ela conseguiu chegar até à ponte romana que ligava as duas margens.
Quando chegou a meio da ponte parou e ficou ali especada. A água do rio galgou a ponte.
Mas o seu anjo da guarda, o bode Alberto Gaspar salvou-a!
3º/4º B, EB Galveias, prof Carmo Silva

Era Inverno e estava-se bem na cabana da montanha, mas decidiram ir dar um passeio, mesmo assim. Ouviram o rio que corria cheio e forte e caminharam pela sua margem até à ponte romana que outrora ligara as duas margens. Agora, era só um destroço por onde já ninguém caminhava. Exceto aquela cabra, parada com ar hesitante, mesmo no meio da ponte. Logo perceberam porquê. Mesmo atrás dela, duas cabrinhas bebés saltitavam, olhando-os meio divertidas, meio curiosas. 
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal

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