20/06/15

EXEMPLOS - desafio nº 92

Ficou mudo de espanto e sentiu um arrepio. Não era de frio, que o dia amanhecera quente e a estas horas já nem os pássaros se ouviam, abrigados na sombra do jardim. Até o seu silêncio parecia premonitório.
A revolta era grande. Os populares não baixariam os braços e quando a notícia alastrasse pelas redes sociais e pelos jornais,
seria a repetição da patuleia.
Agora em defesa da Casa de Tormes, onde o Jacinto banqueteava as favas.
Alda Gonçalves, 47 anos, Porto

Foi um espanto
Berenice naquele inverno ouvia todo santo dia de sua mãe, numa REPETIÇÃO: 
Bereniiiiiiiiiiiiice, coloca mais casaco! O FRIO é grande! Coloca o cachecol, o chapéu! 
E Berenice prontamente vestia! 
E a bota? 
Arre, por dentro dizia! 
Um dia, em sua REVOLTA, resolveu vestir-se com tudo que no roupeiro havia. 
Na hora de ser levada à escola, apareceu então: Foi um ESPANTO! 
Mas valeu pra que não sentisse as boas palmadas que no traseiro sua mãe irada aplicou! 
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Ponto final
Primeiro, sentiu-o frio, um bloco de gelo silencioso. Depois, veio o espanto, ao descobrir as mensagens eróticas recebidas da sua suposta melhor amiga. De seguida, a revolta pela traição, o coração rasgado. Discutiram sonhos. Em lágrimas desesperadas, implorou: “Perdoa-me, por favor. Amo-te. Quero viver contigo até ao fim dos meus dias”. Perdoou. Amar não é isso mesmo? Até se dar a repetição. Aí, foi ela quem lhe enviou uma mensagem cujo conteúdo foi um único ponto final.
Margarida Leite, 46 anos, Cucujães

Rodrigo trabalhava num escritório onde Júlio seu melhor amigo cometeu suicídio. Certo dia, precisou ficar até mais tarde, quando sozinho estava; ouviu vozes, também estrondos, noutra sala.
Causou-lhe REVOLTA, tremenda barulheira, aquela REPETIÇÃO sucessiva atrapalhava seu raciocínio. Parou tudo, foi conferir, para sua surpresa, cenas chocantes deram-lhe FRIO, para seu ESPANTO, Júlio veio em sua direção.
Na verdade, tudo aconteceu em função do medo que Rodrigo sentiu quando lembrou-se da morte do amigo. Assim acontece, medo mata!
Diná Fernandes de Oliveira Souza, 73 anos. Caicó, Rio Grande do Norte, Brasil

Há um FRIO e uma REVOLTA que me percorrem,
Por viver nesta Europa do esquecimento.
O ESPANTO surge a cada esquina
de REPETIÇÃO
da humana História sem memória.
Uma História de ensinamentos completa
para quem aprender queira.
Há uma ganância que nos asfixia,
uma ignorância que nos tolhe,
uma culpa que nos silencia,
uma passividade que nos dói,
uma arrogância que nos vigia,
e uma austeridade que agonia.
Somos europeus.
SIM, somos todos gregos!
Todos os dias!!
Margarida Belchior, 56 anos, Lisboa

Não me perdoarei jamais
Anoitecia e o frio aumentava cruelmente. Com grande espanto, vi a família composta pelo marido, esposa e dois filhos, de tralhas às costas, caminharem cabisbaixos até debaixo da ponte. Iriam pernoitar aí... Senti enorme revolta por permitirmos acontecer isto. Fui para casa pensativo.
Ao outro dia procurei-os. Estava decidido a ajudá-los. Mas… já não os encontrei. Voltei a procurar, aqui, ali, numa repetição sem frutos.
Porque precisei de uma noite para me decidir?
Não me perdoarei jamais!
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Primeiro o ESPANTO de um reencontro inesperado. Depois o FRIO da desilusão. Não fosse o brilho dos teus olhos e não serias mais que um fantasma do passado...
Contigo levaste o imenso mar onde navegávamos e o toque das tuas mãos calejadas no meu corpo. A REPETIÇAO do sonho do teu regresso foi-se esbatendo, deixando lugar à ausência.
A REVOLTA de te rever sacudiu-me a alma vazia de recordações. Parti. Já não havia ninguém por quem chorar!
Isabel Lopo,69 anos, Lisboa

Um suor frio perlava-lhe a fronte.
Ficara novamente encurralada no elevador. A repetição desta situação provocava-lhe náuseas de revolta. 
A administradora do condomínio andava a brincar com os moradores! Pois!... Morava no rés-do-chão...
Furiosa, carregava no alarme ininterruptamente. Eis senão quando…
Espanto!... A porta do elevador abriu-se!...
O vizinho do sétimo, um calmeirão gorduroso, barba por fazer, entra no elevador e sussurra:
– Sua marota! Outra vez a avariar o elevador?!
E carrega no botão para a cave.
Isabel Moura, 60 anos, Viseu

Internado
Ele, aquele que chegara havia menos de um mês, mostrava toda a revolta ao sentir a indiferença a que era votado.
Os dias preenchiam-se de uma repetição cansativa, de momentos sem história.
– Você está doente – dissera o médico, num tom frio. – Terá de ficar internado.
Hoje, decidira dar um basta àquele modo narcotizado de viver e ocultara os medicamentos na pequena gaveta. Livre, fez voar a bandeja do almoço sem sal, para espanto dos ocupantes da enfermaria.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Ao tocar a segunda repetição do clangor, o regimento imperial apareceu na batalha. O espanto sobre o fim incerto do combate estava sensivelmente presente. Porque todos sabiam que o imperador mobilizara o seu último trunfo na peleja. Nuvens de fumo de pólvora envolveram os granadeiros e as hostilidades de sangue frio intensificavam-se sob o estrondo de canhões. Depois da luta encarniçada, o rumor que Napoleão deixou a batalha de Waterloo, provocou alguma revolta entre os soldados vencidos.
Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia, Bélgica

Helena percorria todos os dias os mesmos lugares. Naquele dia, o espanto deixara-a completamente perplexa. Como era possível? Onde estava o seu menino? O frio da sua ausência percorria-lhe a alma. Quando a noite se avizinhava, a dor tornava-se mais insuportável. Numa repetição quase patológica revisitava cada lugar onde imaginava que pudesse estar. A revolta cavalgava-lhe no peito, perturbando-lhe a lucidez.
– Helena, vem para casa. Amanhã, vamos à campa do nosso menino. Comprei margaridas para ele. Gostas?
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Como eu quero...
Quero ausência de inverno,
Dias sem frio de solidão.
Que enquanto dure, seja eterno.

Quero beijos de infinitude
Não dormir sem repetição de abraços.
Mistura de gostos, cheiros, e sapatos.

Também quero o retorno ansiado
Contar cronometrado,
espanto da chegada... 

Quero sim tudo o que é merecido,
Risos soltos, coração ardente,
Emoções, e na hora “H”, ponteiro esquecido...

Quero a melhor companhia partilhada,
Nada de revolta ou dormir engasgada,
Quero a sorte de um amor tranquilo...

PS: no texto-poema frase de poetas do Brasil: Vinicius de Morais- “Que seja eterno enquanto dure” e Cazuza - "Eu quero a sorte de um amor tranquilo".
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Na sua aparente bondade era um homem frio que nem um glaciar e perante situações de alguma tensão o seu discurso arrogante causava muita revolta motivando alguns tumultos. A dúvida tingia de sombras o horizonte!
O sorriso amplo e cínico dos lábios finos caracterizava-lhe o rosto imperturbável e a repetição das suas opiniões, sempre no mesmo tom, a ninguém já causava espanto!
Um certo comodismo foi-se generalizando e soube-se que jamais alguém conseguiu dissuadi-lo dos seus intentos! 
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão

Olho o espelho e sinto um frio a queimar-me. Não vejo ali a menina que fui. Espanto! Estará o espelho zangado comigo? Olho as rugas, os cabelos brancos, e não reconheço a imagem que ele me devolve. Fujo, desorientada, mas não resisto. Regresso. Vou enfrentá-lo teimosamente. Pode ser que a repetição o humanize e me devolva aquilo que me quer roubar: o esverdeado dos olhos, o louro do cabelo, a pele macia, a paz. Ai que revolta!
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Queremos nosso amor eterno
No emaranhado de folhas que encontrei numa gaveta
foi com espanto, que deparei com a carta, que tu, meu amor, me escreves-te
passados uns dias do nosso primeiro encontro.
Lembras da revolta que sentimos, quando perto de nós alguém agrediu brutalmente a companheira, injuriando-a com nomes obscenos, e nós no auge da nossa paixão nos beijávamos e fazíamos juras de amor.
Lamentamos aquela cena tão fria mas a repetição dos nossos beijos, do nosso amor queremo-la eterna.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos Lisboa

Contumácia versus Terapia
Viajante incansável, absorvia os pormenores, ficando cativo pelas diferenças, pelo exotismo, pelos usos. Tudo o deslumbrava.
Do frio glaciar ao espanto que lhe causava a canícula tropical. Da fertilidade dos países baixos à aridez das estepes siberianas.
De quando em vez, aflorava-lhe a revolta, ou a repetição dos ecos sensoriais...as viagens eram fantásticos sonhos, por ora irrealizáveis.
Seguia o mapa da parede em frente à cama, que o sustinha até à cura.
As viagens, essas, continuariam.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Encontro no cinema
Fechou o casaco, o vento era forte mas para seu espanto não estava frio.
O clima andava esquisito, ou seria ele que ficava esquisito quando estava com Amélia?
Ela sorriu estendendo-lhe a mão que agarrou com agrado. Misturaram-se com os jovens que também saíam do cinema.
Viram a revolta dos perus pela quinta vez!
Não percebia o fascínio dela pelo filme. Sinceramente ele não achava que fosse tão bom.
Mas por ela veria uma e outra vez.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Flagelo
Que o frio da guerra não retire a benignidade importantíssima na luta contra a barbárie.
espanto do enfrentamento bélico é prejudicial, pois quando o diálogo deixa de ser opção, o que resta é luta de todos contra todos. 
Que os jovens soldados retirem de si a revolta da imposição que desumaniza. 
Que o ataque à vida não seja regra de conduta e flagelo à dignidade. 
Perturbadora é a repetição da força bruta e do orgulho desmesurado.
Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Bela vida
Espreguicei-me, abri os olhos. Estava frio demais para sair da cama quanto mais de casa!
Cheia de preguiça espreitei pela janela, dona Teodora começava as tarefas domésticas que eram uma repetição do dia anterior, as ruas estavam lindas, para quem gosta de neve! 
"Um espanto", diria dona Teodora.
O senhor Amadeu chegou com a carrinha carregada de lenha, ficaria tudo sujo. Já imaginava a revolta da dona Teodora.
Salto para a cama, afinal sr gato tem destas vantagens! 
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Peter
Peter permanecia encostado a um velho e ferrugento portão de armazém. Sonhador, assistia à repetição dos dias sem cor, juntando-se à revolta dos frágeis corações adolescentes que, inconformados com a dureza da vida do mar, almejavam um futuro diferente.
Tremia muito, de frio sim, mas também de espanto, ao assistir à sua história, através dos jovens rapazes que oscilavam confusos entre barcos no velho Porto de Grimsby.
Caiu desamparado no chão e chorou, chorou muito. Morreu sozinho.
Sandra Pilar Paulino, 44 anos, Barreiro

Nossa história
Ao sair do refúgio senti um frio seco, profundo, pesado, quase um presságio do que ia a acontecer. A revolta dos últimos dias chegou à cidade e só podíamos esperar péssimas notícias. Assaltos, mortes, massacres, contribuíram para criar uma sensação generalizada de espanto em todos nós. Apenas sem esperança, chegámos à conclusão de que o que estava a acontecer era só a repetição da história que nós, desconhecedores da sua origem e consequências, estávamos obrigados a reviver.
Jesús del Rey, 46 anos, Salamanca, Espanha

No chuveiro, a revolta subia à mesma velocidade do arrepio ou talvez mais rápida e por muito que quisesse não conseguia evitar a repetição do gesto e do grito: PAI!!! Sempre a mesma coisa: o cilindro desligado para poupar na conta da luz! Era sempre o mesmo cenário, mas nem por isso o espanto era menor: como podia alguém ser tão sovina ao ponto de obrigar os filhos a tomarem banho de água fria em pleno inverno? 
Paula Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca

Assombrações
Sempre quisera tirar a tampa desse misterioso pote poisado na janela poeirenta da velha casa. A curiosidade foi mais forte. Certa noite destapei-o.
Dele saiu uma fantasmagórica figura esbracejando no escuro frio. Numa repetição que me assustou, o fantasma, com revolta, gritou-me “Como ousaste libertar-me quando cumpro a pena merecida do meu crime!” Com espanto, vi o espectro recolher, subitamente, ao pote. Tapei-o sem hesitar. O destino cumpria-se. No silêncio, a velha casa podia voltar a adormecer.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa

Doía-lhe a repetição
A sentir um frio de congelar, ainda que se tivesse deitado debaixo dos cobertores com a roupa de sair à rua, o pijama por cima, a seguir o roupão fofinho e por último um casaco grosso peludinho por dentro, não conseguia adormecer. Pensava nos motivos de ali estar a viver. Não sentia espanto pelo sucedido, mas uma revolta do tamanho do mundo. Doía-lhe a repetição de tantos actos negativos pela parte de muita gente, durante demasiados anos.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Menina com frio
Uma menina com frio
Andava a pedir na rua,
Seu frio não era espanto,
Pois estava quase nua!

Ouviu música e foi atrás…
Viu tocar um rapaz lindo
Que ao olhá-la ficou quieto
E toda a gente foi indo!

Sendo tocador de rua,
Já era a repetição,
Ver gente que passa ao lado,
Sem nenhuma compaixão!

Com ele ficou a revolta
E foi tão grande o pesar
Que tirou o seu casaco
Para com ele a tapar!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Interpelação improvável
Dia frio. Setembro entardecendo. Seguia viagem, mas pára ao deparar-se com roupa espalhada junto do lixo. Revolve peças, seleccionando-as. Destino: necessitados.
Alheada da “realidade” à volta, com espanto ouve uma voz interpelando-a. Um homem. Observava-a. Preocupado (?!), pela situação insólita (de repetição incontável); normal seria desviar o olhar; seguir o seu caminho. Talvez por isso, acede responder às suas perguntas: “O que faz aqui?”, “Trabalha?”… Algo intrusivo. Sente uma revolta interna. Esconde-a. Gratidão pelo olhar, pelo gesto.
Isabel Pinto, Setúbal

Neste dia frio de fevereiro, depois de ontem ter reagido com tanto espanto e tão zangada ao facto do meu filho ter cortado o cabelo a uma colega de turma, descomprimi deambulando entre lojas, vasculhando tudo em busca de nada.
Hoje a revolta deu lugar a um pedido de desculpas por ter gritado e barafustado, perante tal atitude tão antissocial. Ficou, então, acordado entre nós, que a repetição deste comportamento não pode mais acontecer.
O coração serenou.
Mireille Amaral, 40 anos, Gondomar

­­­Estava tão gelada aquela manhã de nevoeiro,
pois não deixava o sol penetrar.
Mas ao abrir os olhos de ESPANTO, esqueci o FRIO
gelado dos primeiros dias de primavera, para apreciar a beleza
oferecida pela natureza, que todos os anos tinha a sua REPETIÇÂO.
Mas ao mesmo tempo senti uma pequena REVOLTA porque
essa mesma beleza tem pouca duração.
Mas vale a pena o tempo de espera, em que todos os anos
se renova, para poder apreciá-la.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Era vista como uma estúpida, burra, uma coisa sem valor, sem sal.
Sempre debaixo do olhar FRIO de quem a rodeava e humilhava.
Começou por acreditar no que diziam dela.
Achava que os neurónios não funcionavam porque era o que ouvia.
E assim viveu longos anos, e sempre compreendeu
a razão do seu ESPANTO.
Seria esse o seu destino? Talvez, fosse.
Mas a REVOLTA, que a acompanhou pela vida fora,
não deixou que a REPETIÇÃO, não continuasse.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Porquê a cara de espanto? A minha revolta é a resposta ao teu caráter frio e indiferente! As tuas atitudes são uma repetição constante, transformando-te num ser previsível! Deveria diminuir a minha revolta e a minha ânsia mas ainda as atiça, pois sei o que vais fazer ainda antes de o teres feito e a minha irritação inicia um crescendo ainda antes de agires. Por isso, desmancha essa cara de espanto. Só assim será uma convivência aceitável.
Fátima Fradique, 42 anos, Fundão

Era a repetição daquele pensamento que me aturdia como cavalo sem destino. E se tivesse sido tudo diferente? Se tivesse dado ouvidos à revolta em vez de abafá-la pelo amor dos outros? Tantas noites de frio em que me menti a jurar-me que tudo estava bem, que ia passar, que o importante era continuar. Mas a troco de quê? E foi preciso vencer o espanto que o medo me tentou impor para, enfim, me libertar inteira, completa.
Paula Coelho Pais, Lisboa, 55 anos

Nunca pensei encontrá-lo naquele local. Tão cheio de tudo, tão cheio de nada. O espanto sufocava-me! Só pensava fugir do olhar frio, que tão bem conhecia.
revolta indizível e a repetição da cena eram insuportáveis. 
Aproximou-se. Senti-me sem pinga de sangue, como se entrasse, pela primeira vez, no comboio fantasma. 
De repente, apercebi-me, ele tinha que desaparecer!
Um líquido, morno e pegajoso, escorreu-me pela mão… Fugi. 
Mais tarde, junto ao rio, vi que perdera a navalha.
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer

Olhar sofrido, pele ressequida, corpo esquecido, vivia sem vida. 
Escondia-se dos julgamentos alheios. O olhar frio das pessoas feria. 
Gastou-se o inverno. Nasceu o verão. Desaparecera num virar de dia. Um vazio ao passar ali. Meses depois, repetição. Outro. Diferente e tão parecido. Que revolta. Passadas semanas, um espanto de espetáculo! De roupas caras, cabelo arranjado, aproxima-se com passo firme. De olhar sem julgamento, ganha-o. Recolhe-o como pôde, tombando o filho sobre as costas, levou-o de volta.
Mariana Sanchez, 38 anos, Barcelona, Espanha

Olhaste-me com o olhar frio de quem deixou de amar assim que o decidiu. Nas palavras mal ditas, o espanto de não sentir o amor do outro, a dor do outro, o outro. A tua amargura estampada na voz causou-me a revolta de ter amado, numa sensação de vómito calado pelo medo de te perder. Chamaste-me. E eu fui, sabendo que os dias que se seguiriam seriam mera repetição do tormento de te amar de lágrimas engolidas. 
Filomena Mourinho, 43 anos, Serpa

Estamos em Janeiro. Foi com algum espanto que constatei que estava a nevar! Para muitos, é um motivo de alegria, mas para mim não, eu detesto a neve, o frio e o inverno.
repetição destes dias tristonhos, que nos obrigam a ficar em casa, causam-me algo muito semelhante a revolta. Precisava urgentemente de um dia de sol, fazer umas caminhadas pelo campo verdejante e ouvir o canto maravilhoso dos passarinhos. Adoro o Verão e o calor!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo (Alentejo)

«O tio não passa desta noite!»
Com palavras frias como bisturis, o médico disse que nada mais havia a fazer. A minha avó fazia que não ouvia e repetia a oração, apertando as mãos com mais fervor. A minha tia não engoliu nenhuma palavra do doutor. Este, com espanto, começava a travar-se de razões com o meu pai, que entendia de consertos à coluna e tendões desobedientes. A revolta só acalmou quando a polícia chegou ao hospital.
José Jacinto Pereira Peres, 44 anos, Castro Verde

Hoje de manhã acordei com um nevoeiro intenso; ainda senti mais espanto quando, abrindo a janela, percebi que um frio atroz invadia a minha casa.
Que horror... planeava ir até à praia, porque ontem no boletim meteorológico afirmaram que hoje estaria sol e altas temperaturas no ar e na água do mar.
Que raiva! É impossível não sentir revolta... porque existem estes profissionais? O que anunciam é uma constante repetição de falsidades?!
É melhor sentar-me à lareira!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Mais um dia igual a tantos outros. Esta repetição de gestos falhados (para ti, invisíveis) já me cansa. Tento falar contigo. Gosto tanto de ti. Não percebo. És tão frio. Quem estará por detrás desse olhar ausente? Sabes o que me revolta mesmo? Essa cara de espanto, sempre que me aproximo.
Confesso, estou cansada. Já te abracei tanto em sonhos que quando acordo até os braços me doem. Desisto.
Amanhã é outro dia. Também eu serei outra.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer

Alice não conseguia acreditar no que lhe dizia a mensagem. O seu ESPANTO era genuíno.
― Como pode ele fazer-me isto? Como?
O FRIO, que sentia na Alma, a pouco e pouco foi tomando conta de todo o corpo. Já não conseguia pensar. Em modo de REPETIÇÃO só sabia mesmo dizer:
― Não… Não é possível.
A REVOLTA que sentia, quase a sufocava.
― Bandido… Desistir de uma tarde de cinema, para ir ver o Benfica ao Estádio das Antas…
Margarida Freire, 75 anos, Moita


Que frio que estava, era bem cedo e começou o pesadelo diário.
Tive o espanto quando ouvi o ranger da porta a abrir e pensei que fossem os meus pais. Senti uma revolta que mudou a minha vida para sempre. Apareceu-me o cão, que eu sempre quis ter, para brincar com ele.
Mas nós tínhamos uma coisa em comum. Tínhamos ficado sem uma perna, mas com a repetição do dia-a-dia, fomos ficando cada vez mais estranhos.
Continua…
Luís Abrunhosa, 7º ano, Esc. Sec. Dr. José Afonso, Seixal

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