10/05/16

EXEMPLOS - desafio Rádio Sim nº 37

Turma de adolescentes, fase de namoricos, desinteresse nas aulas.
Em seus mundos, muito mais a pensar.
Júlia, à mesa da frente, prestava atenção somente às aulas de ciências, enamorada do jovem professor.
Certo dia, querendo atenção, jogou um lápis e um bilhete nele enrolado.
Ele o juntou, sem mexer no bilhete. Júlia, ruborizada. Tremia. Seria lido após a aula? Teria qualquer chance?
Nos dias seguintes, nada.
Mas na diretoria, sim.
Lá reapareceu seu lápis. E muita bronca!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Corria para apanhar o autocarro.
E eu já não tive tempo de lhe entregar
o lápis, que deixara cair na sala de aula.
– Entrego-lhe amanhã – pensei para comigo.
Mas não voltou, tinha mudado de escola.
Guardei esse lápis, como guardei a imagem dele.
E um dia mais tarde, sentados numa esplanada,
recordámos esse tempo com saudade.
– Toma, esperei estes anos para to devolver.
– Obrigado, este lápis foi-me oferecido pelos meus pais.
Agora, servirá para o nosso filho.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela 

Palavras cruzadas
Levantou-se, ouvindo o ranger dos joelhos. Onde se enfiara o lápis que a mão inadvertidamente largara? Procurou espreitar por baixo dos móveis, mas quem convencia o corpo a obedecer-lhe?
Triste, reganhou o lugar no sofá. Como ocuparia o tempo sem as palavras cruzadas? Acendeu a televisão. Tudo repetido. 
Vendo-o adormecido, o cão rastejou por baixo do aparador, recuperando o companheiro diário do velho.
Com um suave latido despertou o dono, com cuidado colocou-lhe o lápis no colo.
Quita Miguel, 56 anos, Cascais

Como que encantamento
Pensando, rabisco pequenas frases, aparentemente desconexas no papel de pão, e como que em transe, largo sem sentir o velho lápis, que rola suavemente próximo a lagoa.
Pareceu muito tempo, até que voltasse do flutuar... O papel voara longe, ao vento, o lápis, esse desaparecera. Depois de sorver toda água que nem sei de onde surgiu e enxugar o rosto que suava feito rio sem rumo, compreendi.
Você sorrindo, despretensiosamente me estendia à mão, e o lápis.
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Esboçando a sua amada falecida, entristeceu-se pelo facto de não conseguia lembrar o seu delicioso sorriso e atirou zangado o lápis para chão. Quando o reencontrou, entre a tralha no chão, tocava turbulento o telefone no anexo. Daí a nada voltou para o inacabado esboço, mas já não soube onde deixava o lápis. Olhava desconsolado para a face da querida. Num ai, viu-a sorrir como se lembrava dantes e instintivamente pegou no lápis perdido atrás da orelha.
Theo De Bakkere, 63 anos, Antuérpia Bélgica

Nasci precisamente na altura em que a fábrica centenária ia fechar. Pertenci ao último grupo fabricado, uma remessa especial, destinada a clientes especiais. Levados para o escritório, inadvertidamente caí e rolei para debaixo de um armário. Quando, meses mais tarde, despiram a fábrica, alguém me encontrou. Observou-me com olhos de água transparente. Guardou-me.
Esse alguém morreu ontem. Encontraram-me na sua secretária, pequenino, gasto, encaixado nas páginas do caderno onde escrevera todos os seus poemas. O país chora-o.
Ana Paula Oliveira, 55anos, S. João da Madeira

O lápis da amizade
O Sr. Manuel vive num lar de idosos. Desenha panelas de ferro preto, iguais àquelas que a mãe usava, à lareira, para fazer sopa. Diariamente, sente o aroma do feijão, vê as mãos da mãe, ouve a irmã varrer o chão…
Um dia, o lápis rola para o chão. É apanhado por um miúdo. Entreolham-se. O Sr. Manuel sorri e o miúdo guarda o lápis. No dia seguinte, o miúdo volta com o lápis, e desenham juntos.
Margarida Leite, 47 anos, Cucujães

Mestre 
Absorto, pensava nos segredos da vida plena.
Exercitava-se bem cuidando da saúde.
Fazia-se caminho na mente também.
De repente, um lápis rolou pelo chão.
Os fatores essenciais desviaram-se para o chão.
Alguém apanhou o lápis e guardou.
Voltou-se às conexões vitais da área de descanso.
Nada acontece por acaso.
Quase não percebeu a turma ir embora.
No caminho, contemplou a beleza da criação.
Tudo integrado, o lápis apareceu logo depois.
Jogando as alegrias e desafios do amanhã.
Renata Diniz, 40 anos - Itaúna/Brasil

Durante a correria dos preparativos da festa de anos da Noemy, acabei por deixar cair um lápis com um bonequinho à volta. Era o lápis que a minha filha adorava e que tinha sido oferecido pela sua querida avó. Saindo da cozinha, vi o lápis rolando pelo chão, mas não tive tempo de o apanhar. Na volta não o vi, alguém tinha-o apanhado e guardado com certeza. Aquele bendito lápis apareceu mais tarde no escritório do Paulo.
Edinalva, 25 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

O lápis caiu. Com um pontapé, rolou pelo chão. Ninguém se atreveu a apanhá-lo, pois o dono era anónimo. De pé em pé foi passando o lápis assim como uma bola. Até que finalmente Maria o apanhou. Maria, muito pensativa e engraçada, a menina das letras. Escrever era o seu passatempo favorito. Escritora sonhava e queria ser. Assim o fez. Hoje avó da Joaninha, que os passos da avó segue, com o lápis da mesma, ela escreve.
Lara Barbosa, 23 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

O lápis rolou para o chão. A minha reacção foi rápida, logo perguntando se alguém viu o meu lápis. Ele era como um amuleto da sorte, só conseguia escrever se fosse com ele.
Ninguém me respondeu, pois acho que sempre invejaram o meu mágico lápis cor-de-rosa com brilhantes.
O teu lápis foi sequestrado! – disseram-me ao telefone. Queriam um lápis igual para que me entregassem o meu. E consegui mesmo. Fiz a troca e devolveram-me o meu lápis. 
Melissa Gonçalves, 22 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

O lápis rola no chão e para debaixo da mesa do Paulo e, como ele gosta de travessuras, apanha-o e coloca-o na bolsa da Laura. Passados alguns minutos, a Margarida sente a falta do seu lápis e comunica à professora Helena. A professora faz uma busca na bolsa dos alunos e o maldito lápis é encontrado na bolsa da Laura e ela foi acusada de o ter roubado. Mais tarde, finalmente o Paulo assume a sua culpa.
Silvana da Moura, 21 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

Estava distraída com o lápis na mão. De repente, ele cai sobre o chão imundo do parque. Havia várias folhas secas espalhadas por ali. As folhas eram castanhas e o meu lápis também, o que tornou muito confusa a minha visão, pois não o conseguia enxergar. Estava tudo castanho. Depois de limparem todas as folhas, não vi o meu lápis. Alguém o teria apanhado? Algumas horas depois, a senhora das limpezas ouvindo-me reclamar veio devolver-me o perdido.
Dadiva Sousa, 22 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

A sua casa
Encontrou-o num canto da sala de aula que a Mãe limpava. Guardou-o como se fosse um tesouro.
Sentado à mesa da cozinha, desenhava sonhos num papel pardo pelo tempo.
Um dia partiu procurando um futuro melhor, deixando família, casa e a terra que amava. Voltou quando o Pai morreu. Era então já um pintor famoso. E, no seu quarto de menino, ali estava o lápis da sua infância. Soube então que aquela era a sua única casa!
Isabel Lopo, 70 anos, Lisboa

Lápis rosa
Nas aulas de piano, anoto a data, o repertório, o dedilhado próprio para cada nota.
Dava aula para um menininho, quando o lápis rosa se foi rolando para baixo do piano. Continuei com outro.
Na mesma escola, vou tenazmente aprendendo a arte de tocar violino correta e afinadamente. Na última semana, o professor anotou com metade de um lápis rosa uma espécie de V numa nota, o que, além de vitória, no caso significava arco para cima.
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil

Aquele menino tinha um lápis feito de sal
branco e brilhante, pedra preciosa de Portugal
Foi empurrado pela rasoira do marmoto para o chão
e permitiu ao mundo infantil observar uma tradição
O lápis hibernou durante uns tempos,
decantou água,
conheceu a gravidade bem como os ventos.
Depois,
ainda viu aves e flamingos.
Mais tarde,
aquele lápis ainda de sal,
voltou às mãos do menino
e mostrou-lhe aquela arte, aquele ritual,
aquela inovação tecnológica,
a tão artesanal!
Ana Mafalda, 46 anos, Lisboa

Um susto
Pedro deixa a escola.
Vai correndo ao encontro da namoradinha no Shopping.
Ao ver Júlia, se apressa... 
Desce a escada rolante, se desequilibra e "voa" escada abaixo.
Mochila se abre...
O lápis rola para o chão.
Alguém o apanha e guarda.
Para o alívio de Júlia, Pedro não se machuca.
Corre para salvar o namoradinho.
O menino tem apenas alguns arranhões.
Nada de grave lhe aconteceu.
Cadernos, livros, casaco, boné, tudo espalhado.
Aquele lápis aparece mais tarde.
Vera Niederberger, 65 anos, Rio de Janeiro, Brasil

– É teu, o lápis caído? – perguntei atrapalhada.
– Sim, podes ficar com ele!
Pedro sorriu-me, deu-me um beijo e uma festa na mão. Corei. Tínhamos
oito anos…
Passados estes anos, Maria encontrou o lápis no sótão e suplicou-me
para ficar com ele. Sem contar a história, exigi que o tratasse com
carinho.
Uma semana depois a magia revelou-se, quando a Maria me disse:
– Mãe, o lápis caiu, o João apanhou-o e dei-lho, foi com carinho…… não
te zangues!
Lourença Oliveira, 44 anos, S. João do Estoril

Na mão do menino brincava o lápis enquanto pensava nas palavras certas para a composição. O pensamento voou juntamente com o lápis. Ninguém se mexeu, continuaram a escrever. O menino olhou para a professora pedindo para usar novo lápis. O olhar de volta aprovou o gesto. O menino continuou a escrever a composição. A imaginação fluiu e nunca mais se lembrou do lápis caído. No final recebeu uma bela nota e um embrulhinho de laço verde, redondo.
Rosário Oliveira, 50 anos, Leiria

Acasos
Para tudo há um pretexto... O dia estava brumoso e nostálgico. Apetecia a sedução do espectáculo. No átrio do teatro, a fauna costumeira tagarelava, comprava ou via os artigos da loja. Na observância, alguém derrubou um renque de lápis... um caiu, rolou até estacar perto duma jovem que o apanhou e guardou, não sem antes o pagar.
Rolaram também os tempos. A agora novel pianista, encontrou inopinadamente, mas com júbilo, o lápis com que pautara os rudimentos. 
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

O lápis
Marta deixa cair a caixa, espalhando todo o conteúdo e um lápis rola. Joana vê a minúscula mão da filha apanhar o lápis, que esconde rapidamente.
– Desculpa, mãe.
Sorriu para ela.
– Esse lápis é especial. A avó comprou-o quando foi a Fátima.
– É tão grande!
– Por isso gostava dele. O teu avô escondeu-o porque batia com ele no tio. 
Marta olhava a mãe muito espantada.
– Batias no tio?
– Oh, se batia! Não fizesse ele a minha vontade. 
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

Rolou para o chão. Como por encanto, desapareceu. Era o lápis mais bonito da coleção de lápis, e tinha que suceder logo isto. Uma desgraça! Suspirou. Olhou em redor, nada! De cor tão azul, tão linda, que apenas usava para pintar o céu. É no céu que moram os sonhos. Os dias passaram e do lápis nem sinal.
No dia de aniversário. 10 anos, quem diria! O lápis estava na mesa, para pintar os sonhos, de azul.
Alda Gonçalves, Porto, 48 anos

O lápis misterioso
O lápis caiu,
Um menino sorriu
E ao vê-lo no chão,
Apanhou-o com a mão.

O lápis era amarelo e preto
O menino com ele ficou
E ninguém lhe perguntou:
– Onde está o meu lápis, alguém o viu? É que ele caiu!

Mais tarde, apareceu o seu dono
O menino guardou segredo, porém com um pouco de medo.
Mas o seu dono soube finalmente onde ele estava.

O menino desculpa, pediu,
E nunca mais ninguém o viu…
Maria Leonor Terré, 11 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

Cai o lápis, a folha e a inspiração. A pequenita lá de casa pegou no lápis e fez um desenho naquela folha enrugada. Agarrou na sua obra de arte e colocou no frigorífico para que todos a admirassem. Juntou o lápis a outros numa caixa rosa. Anos mais tarde, a inspiração regressa com a folha mas… onde está o lápis? A pequenita já não o é, mas a caixa rosa continua lá e milagrosamente o lápis também.
Dora Isabel Duarte, 41 anos, Lisboa

Manuel não aguenta mais aquelas contas. Nem os dedos sabiam o resultado! Esconde o lápis debaixo do armário “Mãe o lápis caiu, não o encontro… Um duende mágico deve tê-lo apanhado e guardado! Assim não consigo fazer as contas. Deixas-me ir brincar?”… Ouve-se um som por baixo do armário… Aparecem umas patinhas de gato a empurrar o lápis. A mãe percebe e divertida diz: “Vai lá, meia hora. Depois voltas para acabar.” Um beijo sela o acordo!
Silvina, 45 anos, Sintra

Aquele menino tinha um lápis feito de sal
branco e brilhante, pedra preciosa de Portugal
Foi empurrado pela rasoira do marmoto para o chão
e permitiu ao mundo infantil observar uma tradição
O lápis hibernou durante uns tempos,
decantou água,
conheceu a gravidade bem como os ventos.
Depois,
ainda viu aves e flamingos.
Mais tarde,
aquele lápis ainda de sal,
voltou às mãos do menino
e mostrou-lhe aquela arte, aquele ritual,
aquela inovação tecnológica,
a tão artesanal!
Ana Mafalda, 46 anos, Lisboa

Dia de bagunça – perdi o meu amante das mãos. Naquela bagunça o meu lápis rolou, caiu no chão. Naquela aflição tentei resgatá-lo, mas a meninada não deixou-me encontrá-lo. Foi como se alguém o apanhasse e guardasse. Espero que o ame como eu amei, nos estudos e nos exames. Tempo passou, já me aproximando da vida adulta, quando, transbordando do bolso do meu colega, caiu nas minhas mãos, revelando da escuridão uma alegria que se escondia em mim.
Danielson dos Santos Pinto Fernandes, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa

Sonhar é fácil. Mas quase sempre temos sonhos impossíveis. Tive um Pai sonhador. Sonhava com África. Dizia que seria lá a nossa casa quando houvesse guerra por aqui. Afinal tudo não passou de um sonho desfeito. Agora a guerra é lá, é cá, é para onde o vento a levar.
O que eu gostaria, se fosse um inventor, seria de fabricar a Máquina da Paz. Para que nós todos pudéssemos chamar Casa a qualquer lugar do Mundo!
Isabel Lopo, 70 anos, Lisboa

Levanto-me e caio. É a história deste desenrolar de dias que levo de alma empenhada, embalada pelo consolo das mãos que ajudam a erguer-me de novo.
Sinto-me como um lápis que, consecutivamente mordido, resiste através dos caracteres que debita, como se rolasse para o chão vezes sem conta, mas que é salvo pelas mãos que o sequestram.
Sinto o calor do aperto generoso como um abraço, reinvento-me e sei que serei lápis sempre pelas mãos de alguém.
Sandra Évora, 43 anos, Sto. António dos Cavaleiros

O lápis desaparecido
Num dia de escola, uma rapariga está a escrever no seu caderno, e o lápis, rolando pela mesa, caiu para o chão, e um rapaz apanhou-o, esticando a sua mão. A outra menina ficou preocupada e a pensar se o lápis teria ido embora. Mas, pensando positivo, disse que o iria encontrar, por isso, foi procurar…
… até que viu um rasto e seguiu-o, e ela andou e então finalmente encontrou o lápis, muito desgastado, mas enfim recuperado. 
Ricardo Castelo Branco, 11 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

A boa memória
Esta história tem uma muito boa memória. 
Numa bela tarde de Verão, estava uma menina sentada a desenhar com o seu lápis favorito, o qual foi oferecido pelo pai. A menina, distraída, deixou cair o lápis que rebolou pelo passeio e, sem reparar, foi-se embora. Um rapaz, que gostava dela, passara por ali, guardando a esperança de o poder devolver. Passaram-se, entretanto, vinte anos. Encontraram-se novamente. Devolveu-lhe o lápis e apaixonaram-se. 
Esta memória transformou-se numa bela história.
Miguel Clemente, 12 anos, e Rúben Shan, 13 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

O lápis do museu
Um menino explorador,
Deixa cair o seu lápis preferido
Olha em redor
Encontra um pergaminho.

Um caminho deve seguir,
Para o encontrar.
Debaixo de um urso a dormir
Ou de um avião a planar.

Aventuras vão surgir
Sem ninguém o impedir.

O senhor da limpeza encontra o lápis 
Oh! Não é uma beleza??!!
Mas o que irá acontecer?

Vai deixá-lo. 
Pensando melhor,
Vai guardá-lo…
Na mesa do Diretor
Que irá apreciá-lo.

O menino vê-lo-á
E, finalmente, recuperá-lo-á.
Mariana Eloy e Maria Leonor Lima, 6º ano, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria

Só eu sabia porquê
Uma vez, na escola, sem querer, deixei cair o lápis ao chão da sala.
Rapidamente, alguém o apanhou. Fiquei aflito, corado, só eu sabia porquê.
O tempo passou…
Cresci, fiquei adulto, casei. Na noite de núpcias, a minha noiva, sorrindo, mostrou-me algo que reconheci imediatamente: aquele lápis!... Rolei-o entre os dedos até encontrar uma pequena frase dizendo: "Rafael ama Joana". Rafael sou eu. Joana é a minha noiva que, já em tempos de escola, eu tanto amava.
Domingos Correia, 58 anos, Amarante

Falta de Material
Eu tinha um lápis único! Ninguém na minha escola tinha um igual. Mas, certo dia, caiu da minha secretária e rebolou até outra. Quando percebi, deixei de o ver. Fiquei tão triste!… Nesse mesmo dia, um miúdo viu o meu lápis e, com alguma inveja, ficou com ele. Passaram dias… Devido às faltas de material, pedi um emprestado… e não é que foi o meu que me foi dado??!! Fiquei tão magoado!… Mas feliz por recuperá-lo!
André Ribeiro, 11 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

Inesperadamente, o lápis rolou deslizando pelo seu regaço. Atento, sem que ela visse, apanhou-o e, discretamente, escondeu-o dentro do sobretudo. Há algum tempo que a observava. A leitura do livro era acompanhada de pequenas notas. Viu-a pousar o livro enquanto procurava o lápis. Precipitadamente, ela entrou no autocarro que acabara de chegar. Não podia perdê-lo. Não tinha outro transporte. Anos mais tarde, o destino juntou-os. No primeiro aniversário, ela encontrou o lápis adormecido no seu livro preferido.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

O lápis
Num dia de verão, Marta entrou para as aulas, preparando-se para pegar no lápis, quando a professora entra. A Marta assustou-se. Deixou-o cair e ele rebolou pelo chão.
Marta tentou a todo o custo encontrá-lo, mas não conseguiu, acabando por pedir outro emprestado. Entretanto, Marisa encontrou o lápis, apanhou-o e guardou-o no bolso. 
A campainha toca w Marisa saiu apressadamente. Sem reparar, o lápis caiu-lhe do bolso, rebolando até Marta que ficou radiante por este ter aparecido!
Beatriz, 11 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

Reencontro feliz…
O lápis é meu,
mas alguém o tirou.
Rebolou, rebolou,
Até que alguém o roubou.

Procurei-o, mas não o encontrei.
Entristeci…
E até chorei…

Passado um mês,
a Ana me avisou
Disse-me que em vez de chorar,
Tinha de o procurar.

Procurei-o em todo o lado…
Até à China fui
Onde fora comercializado.

Regressei de avião
E vi-o então
Na mão daquela senhora, 
que colecionava os lápis que encontrava no chão.

Pedi-o.
Ela pousou-o na minha mão.
Leonor Zuzarte Reis e Teresa Azevedo, 11 anos, 6º ano, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof Maria Nicolau

A Fuga
O lápis apressado atirou-se ao chão. Com medo que descobrissem o seu paradeiro. Deu mais três voltas, com esperança que o chão o amparasse e o levasse ao seu destino. Já estava cansado de a cada dia ficar mais e mais pequeno e ainda lhe mordiam o rabo. Ainda ontem era jovem, alto, trabalhador e super atraente. Já tinha decidido que iria fugir dali, e um dia voltaria, para se vingar do seu arqui-inimigo (o afia lápis). 
Denise Lima, 24 anos, Santiago, Cabo Verde, Inst. Jean Piaget, prof Maria Teresa Cardoso

Sonhadora
Carlota rapariga sonhadora e idealista, distraía-se na sala de aula.
Enquanto devaneava nos seus anseios juvenis o lápis rolou para o chão.
O professor chamou-a à atenção por não estar a escrever o exercício.
Esta, desculpou-se, acusando um colega de ter-lhe roubado o lápis.
Injustamente acusado o colega balbuciou que o apanhou do chão.
Então, devolveu-lhe o lápis.
Os colegas fartos da parvoíce da Carlota insurgiram-se.
Podia ser rebelde, mas não tinha o direito de acusar ninguém.
Cristina Lameiras, 50 Anos Casal Cambra

Matematicachinês! Sim, era o que parecia aquela aula! Entretanto, fazia malabarismo com o lápis, procurando ocupar as mãos, pois não sabia que uso dar à calculadora. Seno, cosseno! Ouvia estas palavras há alguns dias, mas a escuridão pairava e não havia forma de clarear independentemente das explicações. O lápis caiu na mesa, rolou e caiu no chão. O Miguel apanhou-o e guardou-o. Olhou-me, sorriu e eu corei. Voltei a vê-los, lápis e Miguel, na aula de desenho.
Fátima Fradique, 42 anos, Fundão

Retrato a carvão
O João tinha talento
Sem o poder praticar,
Até que a Carolina
Deixou o lápis rolar!

Ele logo o apanhou,
Com enorme excitação,
E Carolina perdeu
Seu lápis de estimação!

Com este, ele iniciou
Aquilo de que gostava…
Para fazer um retrato,
Uma foto lhe bastava!

Da amiga inesquecível,
Fez o retrato a carvão,
E enviou pelo correio,
Declarando a paixão!

Prendeu o lápis antigo
À moldura fascinante:
– Devolvo, ele foi motivo,
Tu também, em cada instante!...
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Comprado nos Uffizzi, guardava-o religiosamente. Como abordaria o Renascimento, levei-o para me inspirar. Discretamente, o lápis rolou para debaixo da secretária. 
Depois apanho. Continuei a falar. Olhei de soslaio para baixo. Nada! 
Nunca soube quem o apanhara.
Passados anos, chega-me um envelope. Remetente: “De alguém que jamais a esquecerá ”.
Vejo o lápis e um bilhete: “Por sua culpa, apaixonei-me por Itália. Grato, ofereço-lhe este caderno”. E, estampada na capa, A Primavera de Botticelli sorriu para mim.
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer

Hora de ponta no metro. Toca o telemóvel. Carteira cheia. Saí tudo menos o telefone. Finalmente encontro mas já era tarde. Volto a pôr tudo. Cai um dos mil lápis que levo. Procuro, só vejo pés. Não há-de ser o do António. Final do dia, pede-me o lápis. Não estava na carteira. Semanas depois, na cozinha dos avós, o dito lápis do Benfica com um recado. “António, encontrei-o no metro achei que ias gostar. Beijinhos, primo João”.
Mariana Sanchez, 38 anos, Barcelona

O lápis rola pela mesa e cai para o chão. Só me apercebi mais tarde que não o tinha e procurei-o por toda a parte. Não o consegui encontrar. Alguém o deve ter apanhado e guardado! Foi com alguma surpresa que uns dias mais tarde o lápis, que tinha o meu nome gravado, volta a aparecer na minha mesa, como que por um milagre. Será que alguém o colocou lá ou será que nunca de lá saiu?
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo (Alentejo)

O lápis resvalou e aninhou-se sob a mochila. Lúcia olhou mas não o encontrou. No final, Edgar ainda perguntou de quem era, mas todos saíam e ninguém quis saber. Como tinha desenhos natalícios, ia guardá-lo para o irmão.
Ficou anos numa gaveta, com papéis inúteis e esferográficas.
Um dia, numa entrevista, Edgar levava o seu lápis da sorte. Quando entrou, o olhar da secretária cristalizou-se no lápis, aturdida, presa num lapso de tempo, numa sala de aula.
José Jacinto Pereira Peres, 44 anos, Castro Verde

Na aula de Educação Visual, o meu lápis de cor vermelha caiu da mesa, rolando para o chão quando ia utilizá-lo para colorir o fato do Pai Natal.
Contudo, quando me baixei para apanhá-lo, não o encontrei... tinha desparecido misteriosamente.
Eu ignorava que tu, meu companheiro de carteira, o apanhaste, guardaste no teu estojo, utilizando para pintar os corações do postal que me ofereceste no Dia dos Namorados, devolvendo-me o lápis em seguida.
Amor, adorei a surpresa!

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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