30/11/16

EXEMPLOS - desafio nº 113

Paro e olho o imenso prado.
Um gato pardo mira-me, espreguiçando-se languidamente.
Outros gatos se aproximam a medo.
Uma nuvem negra envolve o céu.
Ao longe, range um trovão ameaçador.
Gotas grossas penetram-me o camisolão espesso.
Abaixo, brilha a luz do asilo.
Lugar onde a dor se isola.
Aliso o cabelo ensopado de chuva.
Baixo os braços numa repetitiva resignação.
Queria apenas poder dopar a vida.
Negar o inevitável que sempre chega.
Seria uma tosga e tanto.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Tolas, viviam de sonhos tão vazios.
Eram sócias no negócio da costura.
E Madalena queria mudar de vida.
Naquele dia apresentou-se solta, e decidida.
E a Iva não queria acreditar.
Mas disse-lhe desdenhosa: Vai, não voltes.
– Há muito que não te via.
Assim, arrogante, nos teus saltos altos.
Sabes, as coisas não são assim.
Tu querias, mas não duram eternamente.
Tu disseste que cosias o vestido.
Achas que durma sobre o assunto?
– Não, mas não te vás.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Inevitável
Paro e olho o imenso prado.
Um gato pardo mira-me, espreguiçando-se languidamente.
Outros gatos se aproximam a medo.
Uma nuvem negra envolve o céu.
Ao longe, range um trovão ameaçador.
Gotas grossas penetram-me o camisolão espesso.
Abaixo, brilha a luz do asilo.
Lugar onde a dor se isola.
Aliso o cabelo ensopado de chuva.
Baixo os braços numa repetitiva resignação.
Queria apenas poder dopar a vida.
Negar o inevitável que sempre chega.
Seria uma tosga e tanto.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Quando Carla chegou, já era noite.
A casa ficava fora da cidade.
“Chego antes das sete”, tinha-lhe dito.
Um rapaz, ruivo, abriu-lhe a porta.
Surpreendida, perguntou-lhe onde estava a Clara.
O rapaz virou o braço, apontando.
Tensa, viu-a no fundo da sala.
Precisava ouvir a opinião da amiga.
Aproximou-se, contou-lhe, nada a conseguia calar.
Depois, já mais calma, respirou fundo.
“Não é que decida mal...”, disse-lhe.
Nesta altura, a amiga, sábia, falou.
“A ti, dedica sempre tudo.”
Paula Tomé, 44 anos, Sintra.

Navegando o tabo, pequeno barco asiático,
Seguiu as rotas antigas, ancestrais. 
Avançou com a agilidade de cobra. 
Vai mergulhar numa curva do rio. 
Ao sair-se bem, achará pérola negra. 
Então, descalçar-lhe-ia imediatamente uma bota urgente. 
Com dinheiro pode consultar um médico. 
Sofre duma broca afora de toba. 
Mergulhou mais uma vez no fundo.
Tem de asir uma ostra invadida. 
Os netos estão fartos de tosar ratos.
Ao anoitecer, mais um final mergulho. 
Um sari para sua nora.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica 

Cidade dos Prodígios
Em Romaamor e uma romã, fizeram maravilhas pela nossa ansiosa felicidade. Foi do Alentejo distante mas presente, troca que corta saudades do Crato. Mas eis que um ladino ratotroa na rota do quarto hospedeiro. Vinha certamente da lota ali perto, e levou com talo na tola.  Não vale dizer mal do ratinho, que ele não leva grande coisa. E eu que lave as mãozinhas, pois tive que limpar o chão.
Roma é única, pois claro!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

André
Mais vale um melro na mão
Do que ter dois a voar,
De ramo em ramo eles voam
E vão de vela sempre andar!

Eu tenho um amor em Roma
Que não se meta em sarilhos…
Pois é ele que me leva
Para ser pai dos meus filhos!

Mas, não se arme em galã
Que eu surjo com a maré,
Quem me ama rema ao lado
Que não mate a minha fé!

Sou refém do tema – André!...
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Sabor obras sobra
Sorte resto retos
Trapo porta optar 
tempo topem optem

Vivi sempre ao sabor da vida.
Foi um percurso sinuoso, sem sorte.
Senti-me sempre como um verdadeiro trapo.
Só agora percebo… não deixo obras…
Olho para o resto da vida
Sem tempo, sem espaço para remedeios
Sobra agora apenas a reflexão possível
Na vida não há destinos retos
Optem sempre por descobrir as ofertas 
Abram afincadamente a porta da vida
Topem o que é possível concretizar
Vale a pena optar por viver
E terão aproveitado muito mais
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Arte décoCedo demais, diz ela...
Transformar-se-ia num sapo, a coaxar baixinho.
Ou numa lontra dentro duma bola.
Como uma tola vestida de opas!
Seria pior que a mãe loba,
A comer cachos de uvas boal,
Mais doce que sonhos de natal.
Pelo menos na lota há leilão.
Faz-se um pescado cozido com couve.
Um talo fica sempre bem.
Uma ceia tradicional, reunião de família.
Sem inovação e sem modernices demais.
Ano após ano, voltamos ao natal!
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Saudades
Observo o vale mais uma vez.
As nuvens altas anunciam alguma chuva.
Até isso parecia estar contra mim.
Mas decidi ficar a ouvir rádio.
O cantor que tanto gostas cantava.
Imagino que saltas dançando na pista.
Senti-me vazia como se estivesse roída
Não há nada que lave saudades?
Elas permanecem acesas qual vela trémula.
Batendo como latas nas minhas recordações.
Tantas coisas que te queria contar.
Acho que te vou odiar sempre.
Porque já não estás aqui?!
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

Clara é cor que meus pensamentos desconhecem. Reina sempre uma escuridão estúpida. Exigida uma decisão, claramente ela aparece. Depois, qualidade (!) dos espertos, acho melhor ponderar. Que estupidez!! O que antes era claro torna-se escuro como a noite. O sim mexe-se dando lugar ao não, este mexe-se e põe em causa minha esperteza.
Mente estúpida! Porquê tanta indecisão?
Na Vida o importante é mexermo-nos. Há que espertar a coragem porque o caminho parecerá sempre escuro no primeiro passo.
Vera Viegas, 33 anos, Penela da Beira

― Amor leva-me a Roma por favor!
― Não posso, marquei viagem para Espanha. O ramo do negócio está fraco. Não estou apto a desperdiçar tudo. Queimar carcanhol é gota a gota!
― Os primos queriam uma toga romana…
Irritado pela insistência perde a paciência. Zangado, dá uma sova na mulher.
Miou o gato na cozinha espantado.
pato Quimera entra espavorido, alheado. Eram penas por todo o lado…
Ela topa a confusão, sente-se incapaz.
― Porque não me armo guerreira?
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras

Ela era uma pata muito alta.
Roma era onde ela queria ir.
Lá queria encontrar o seu amor.
Ela era a mascote da DECO.
E não estava apta para ir.
Acordou e percebeu que era pensamento.
Era cedo e tinha de levantar-se.
Ela tinha uma cadela a Doce.
Mas a Doce tinha uma tala.
Tinha-se jugado de um paraquedas-lata girl.
Sim, um paraquedas feito com latas.
Para um ramo feito de ranho.
Ela tapa sempre os olhos.
Beatriz Simão Gago Pacheco, 11 anos, Olhão, prof Cândida Vieira

Cidade dos Prodígios
Em Romaamor e uma romã, fizeram maravilhas pela nossa ansiosa felicidade. Foi do Alentejo distante mas presente, troca que corta saudades do Crato. Mas eis que um ladino ratotroa na rota do quarto hospedeiro. Vinha certamente da lota ali perto, e levou com talo na tola.  Não vale dizer mal do ratinho, que ele não leva grande coisa. E eu que lave as mãozinhas, pois tive que limpar o chão.
Roma é única, pois claro!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Será?
Gota de ilusão, quase sem fim,
Não temo a morte, tão certa.
Meu medo é a vida vazia,
Cama arrumada, luz acesa, porta aberta...

Optar por quê? Por onde ir?
Então parto rumo ao tempo perdido,
Sem gato ou sapato, sem porvir.
Solidão é toga, pesa o ombro,
E o caminho que me meto,
Só a diva solidão sabe onde seguir...


Desafio sem mote, sem outra chance,
Flores, esperança, será como disse Davi? 
Reticências, vírgulas ou ponto final? 
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Eu tenho um grande novo laço
E o galo mete-o na lago
Vá lá que eu tenho cola
Para que ele fique novamente bonito
Eu moro ao pé do vale
E fui cair num grande buraco
E aí ganhei um grande calo
Minha sorte foi o padre içar-me
Ele leva a vela à madre
Para ela iluminar o seu quarto
E assim poder pôr a gola
Vocês pensam que eu sou rica
Eu tenho é muita larica…
Marta Calé, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Ela tem uma gola tão branquinha…
Quem? A que vende na lota?
Sim, acha-se muito boa, a maluca
Acha que vale milhões de euros!
Realmente parece que levou na tola.
Ela mora lá ao pé mim.
Acho que agora vai para Roma.
leva o seu grande amor!
Vai ser um jantar de vela.
Pelo o que ela me contou…
Acho que vai ser num lago.
Mas o alto anda com outra.
Algo que ela não sabe.
Beatriz Brandão, 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

O meu amor mora muito longe.
Com ele eu me vou casar.
Não vou usar uma roupa rota!
Que um rato roeu por acaso!
Nas arcas de um velho sótão!
Mas uma nova que vou comprar.
Em Roma uma surpresa ele terá.
Noiva e vestido à sua porta.
Qual a nossa reta final será?
Quem vê caras não vê corações.
Quem faz arte também é ator.
Quem não se esforçar vai perder.
Se o texto não fizer...
Lara Polónio Gil, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Ela era uma pata muito alta.
Roma era onde ela queria ir.
Lá queria encontrar o seu amor.
Ela era a mascote da DECO.
E não estava apta para ir.
Acordou e percebeu que era pensamento.
Era cedo e tinha de se levantar.
Ela tinha uma cadela a Doce.
Mas a Doce tinha uma tala.
Tinha-se jugado de paraquedas-lata girl.
Sim, uma paraquedas feito com latas.
Para um ramo feito de ranho.
Ela tapa sempre os olhos.
Beatriz Pacheco, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Andava eu atrapalhado em linha reta
tropecei... vi uma obra d’arte
será que terá muitos anos?
Não sei... Coloquei-a na minha mala,
Estava assustado... a minha alma explodiu
Ah.. caí na lama suja peganhenta !!!
Dei cabo da minha higiene oral.
Lá perto de um grande ralo
Vi uma rola ferida. Corri rápido,
fui ao carro deixar a mala
Para corar a pálida rola ferida.
Para isso gritei bem alto: corra!!!
Mas o pássaro caiu, morreu.
Sérgio Quitério, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Vendi a minha alma ao diabo.
Mesmo sem pedir nada em troca.
Como algo sem pingo de importância.
Com asco por falta de elegância. 

Um actor que não tem papel.
Uma tesoura que já não corta.

Sem ver a vida num caos.
Passo pela lama e sigo descalço
Mergulho no meu lago da alegria.
Onde uma mala de sonhos flutua.
Vou nu e sem alma
A roupa ficou dentro do saco.
Fazia impressão a gola do casaco.
Luís Catalino, Lisboa

Rita é uma mulher muito feliz.
Tem uma grande amiga chamada Marta.
Uma amizade que foi uma trama.
Alguém troca uma amiga por algo.
A amiga trai a sua melhor amiga.
Porque a amiga tira a confiança.
Marta mora longe para se afastar.
Rita corta o elo de confiança.
Ambas tentam “matar” a grande amizade.
Mas entretanto Rita recebe um ramo.
Marta quer tocar no coração dela.
As verdadeiras são sempre inseparáveis.
Uma amizade é o Amor.
Rita Botelho, 35 anos, Moita

O sino toca… toca sem parar.
É impossível não ouvir a perda.
Surgi, por entre a multidão cota.
Bati num cato, mas nem percebi.
Padre ruivo acompanha o corpo,
Virou à esquina e desceu lentamente.
Dezoito anos! A pedra está preparada.
Urgis urgentemente por uma explicação inexplicável!
Rugis com olhos rasos de água,
e a revolta por tenra idade
roubada e uma doença tão implacável…
A vida continua apesar dos pesares.
Chora, lamenta, revolta-te, mas avança!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

O Pedro sonha com carreira artística.
Ser actor será fuga e orgulho.
Agradece a rota de saída dali.
De si, rato de carácter frágil.
Sempre sem encarar-se, podre na emoção.
Agradece o seu poder de interpretar.
Se puder deixar obra, fica contente.
Contudo, cada broa nocturna lhe chega.
Optar por essa fuga é característica.
A única porta que quer ver.
Mexer o rabo em direcção diferente?
«Parto tarde demais para outro olhar.»
É o hábito de sofrer.
António Matos, 31 anos, Lisboa

O colégio dinamizou um concurso literário.
O mote é "Rima Roma"... fantástico!
A instituição não promove cabeças ocas.
Tomé, mecenas da instituição, mira progresso!
O aluno mais talentoso visitará Itália.
Os estudantes imaginam, escrevem e oram. Desejam conhecer o Papa no Vaticano.
Os trabalhos serão avaliados por Giulietta. A irmã do mecenas é poetisa.
Não temo, assim, uma escolha errada.
O último livro tornou-se um bestseller.
Chama-se "Um saco transbordando de estrelas".
Amor artístico... que caso raro!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Sem comentários:

Enviar um comentário