30/06/17

EXEMPLOS - desafio nº 120

Até quando
Uma pessoa que aos outros parecia sempre estar na maior alegria e cordialidade.
Porém os de casa sabiam como era realmente.
Era trapalhão, presa boa para se deixar enrolar por amigos e "amigos", que nem sempre o seu bem pretendiam.
O patriarca e seus conselhos eram por ele ignorados. A cada aprontada, outras promessas.
Todos ali sabiam que a trégua pouco resistia.
Logo, o chamado dos amigos soaria como uma isca.
Até quando resistiria?
Tomara se regenerasse!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

― Que é isto?
― É meu jeito de pedir-te desculpa.
― Para quê! Amanhã repetes as mesmas coisas.
Estou cansada, a pensar seriamente na separação.
É a última gota que suporto.
― Não, dá-me outra oportunidade, mais uma, prometo mudar.
― As tuas promessas, são ilusões que alimentam o amor que ainda te tenho.
― Eu sei, só queria que sorrisses.
― Que amanhã posso almejar, se em ti acreditar?
― Não sei, mas, amanhã é outro amanhã
e eu continuarei a pedir-te perdão.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Haja Alegria
Ainda bem, que depois de alguns dissabores e mal-entendidos, Laura, avançou.
Conseguiu ultrapassar o mau tempo. Dias sombrios são agora matizados de bonitas cores, que alegram o coração e o olhar. É um grande contentamento. E Laura caminha com uma maior certeza de conseguir suportar as tempestades que possam surgir quer interiores ou exteriores a si ou inseridas no ambiente e natureza. Haja alegria com poesia tudo resplandece, é belo o céu azul e o sol doirado.
Maria Silvéria dos Mártires, 70 anos, Lisboa

Tinha sido extramente penoso conseguir aquele emprego. Batera a todas as portas e nenhuma se abrira, até que naquele dia, por anúncio no jornal, conseguiu o que tanto ambicionara: o lugar de secretária numa empresa multinacional. Sentia-se exuberante. Só que não sabia que as pessoas eram tão ignóbeis. O ambiente era péssimo e uma das colegas que desejara o lugar persegui-a constantemente. Não se deixou aniquilar e passado algum tempo era nomeada para coordenadora de departamento. Ganhara!
Emília Lopes de Matos Vieira Simões, 65 anos, Mem-Martins (Algueirão)

 João valentão
João é recolhido numa casa de detenção por homicídios. Lila a assistente social o gerenciou na ala dos mecânicos. Sem dados dos pais era um sem teto. Agora sai na condicional para trabalhar. Abre a porta, sorri para Lila, acena com a mão direita.  À noite Lila ansiosa olha para o caminho, para o relógio, eis que João surge na esquina sorrindo com um bonito arranjo de rosas brancas nas mãos. Seria mais uma arte do João?
Antonio Tomaz, 61 anos, Salvador.Ba, Brasil 

Era uma noite quente de Outono. As horas a passar e eu sem sono. Tic Tac Tic Tac... Pela janela entram os primeiros raios de Sol. É dia. Não durmo há mais de trinta horas. O cansaço é enorme... as saudades, ai... as saudades tuas apertam no meu coração pequenino. Entro em contagem decrescente. Preparo com carinho a tua chegada. As rosas de que mais gostas estão na jarra. No teu quarto coloquei a tua manta azul!
Vera Campos, 38 anos, Sta. Maria da Feira

Custou encontrar o caminho depois de andar tantos anos perdida.
A sua existência, assolada por tempestades, trouxera-lhe dissabores. Nunca sabia se, nem quando, surgiria a próxima.
Agora, chegada a calmaria, o importante é erguer-se. Está sozinha, é certo, mas, como diz o ditado, “antes só do que mal acompanhada”. Sozinha, mas independente. Sozinha, mas com liberdade. Sozinha, mas de sorriso recuperado. Dona de si. Orgulhosamente.
Não se habituara, ainda, a este luxo, conclui. Resta-lhe, então, aprender. Resistindo!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Por agora, basta
Reencontro-me à medida que as gotas iam caindo naquela manhã de Setembro. A mágoa que me consumia até ali, pouco a pouco abandonou-me. Naquele momento, percebi que apesar de todas as lágrimas que chorei, ia conseguir seguir sem ti. Toda a dor pertence agora ao passado. A um passado que quero, e sei, conseguir esquecer.  Tenho plena consciência que não será tão simples assim, mas por agora é quanto basta. Basta-me ter a certeza que irei conseguir.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Era uma janela como qualquer outra, nela escorriam pequenas gotas, testemunhas últimas deste outono sombrio; naquela manhã, Laura encostou-lhe a testa, cerrou os olhos e desejou retomar todos os sonhos esquecidos, as leituras adiadas, os amigos, a paz!
Acreditou ter encontrado o caminho da libertação, decidiu assumir as rédeas do destino. Iria começar por comprar uns ténis, dar um corte ao cabelo, correr na marginal... mas a janela só lhe trouxe a imagem de Mary!
Que fazer?
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

O ser humano nasce com o poder da escolha. Eu nasci com esse dom, mas com algumas anomalias no sistema.
Duas estradas, cinquenta por cento de erro, e eu escolho qual? A errada!
Sina, destino? Não sei, só sei que hoje continuo a tentar encontrar ou reencontrar esse caminho.
Dizem, não olhes para o passado, e eu, olho!
Para quê? Para tentar o outro lado.
Mas, como todos os loucos, sou alegre.
Perdida? Não! Tentando sempre reencontrar-me.
Manuela Branco, 60 anos, Alverca

Céptica, sempre lera que o trabalho é um escape aos problemas. E agora que dizer...
A sair da adolescência, más notas, companhias pouco sãs, pouco apoio.
Trabalhar na loja de roupas não é solução, nem opção. Um dia após outro, o tempo corre. 
Uma SMS de longe, bem longe, diz: queres aparecer por cá uns dias? Descansas e conheces a cidade. Linda! Se te agradar, arranjas cá trabalho. E agora um caminho surge. Há que segui-lo. Emigra.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Melancolia
Depois de ter suportado muitos anos de melancolia, Joana não podia mais tolerar este caminho de dor. Embora não possuísse pecúlio nem casaco sólido, decidiu-se a regressar no mundo real. Ora, por um instante sentiu-se incerta. No entanto, com a algazarra social e a gentileza das pessoas, o mundo parecia-lhe de repente lindo e Joana nunca mais queria largar essa sensação de tranquilidade dentro de si própria.
Após anos escondidos numa solitária ordem monástica, encontrará seu equilíbrio?
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Pelo Mundo
Há lugares tórridos, onde a brisa é comprimida pelo suão. Lá, não existem desconhecidos, comunicam em íntimos circuitos, estranhando aqueles que, em sua simplicidade, optam pela entrada.   
Apesar do círculo estar completo, existem rosas ― desabrochando com suas cores e aromas. Crescem contentes, em busca de Luz. São elas que aspiram as lágrimas, destilando-as.
O reencontro com o caminho é incerto, mas pleno. Partimos, experimentando os beijos dos bons, os abraços dos luminosos e a sensatez dos tolerantes. 
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Quando os rapazes partiram, sentaram-se em silêncio na sala, que agora lhes parecia sobrar em tamanho...
Ele continuou a trabalhar, sem pressa de regressar a casa. Ela, na sua solidão, perdia-se em recordações...
Uma noite ele não regressou.
Então, ela retomou o mestrado que há muito abandonara.
Tempos depois, à saída das aulas, reconheceu-o. Num gesto impensado, juntou-se a ele. E retomaram o caminho de casa, como sempre o tinham traçado.
Apenas sabiam que esta tempestade serenara.
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Vivia num desnorte contínuo. Sonhar faz parte da vida jovem. O apego à escola era a maior desconfiança dos amigos que vivem no desapego constante das relações. Nas férias iria ficar no norte. Uma forma de ganhar a confiança do grupo.
Que chatice quando tudo é medido pelos pais. Ser jovem é ser desmedido, mas os adultos insistem em não aceitar.
Tem graça apenas quando são os pais que sofrem na pele a desgraça de novas adaptações.
Alda, 49 anos, Porto

Gumercina e Tibéria
Gumercina olhou-me de lado. Mas eu, Tibéria, não engulo sapos!
― Sua pindérica! Achas-te melhor!?
― Bem melhor que os da tua laia!
― Acaso pensas que te sou algo!?
― Isso querias tu!
― Segurem-me que me dá uma coisa!
E deu! Agarrei-lhe aquele pescoço de galinha, sacudi-a tanto que caiu estatelada no chão.
Ah, mas a Judas arrastou-me junto!
De traseiro no chão começámos a rir como crianças, reencontrando assim a amizade perdida.
Bem, pelo menos, até Gumercina me espicaçar!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Há muito que perdera a razão de existir. Abandonara a alegria de gozar cada dia que surgia no seu destino. O céu enegrecido, prometendo choro, parecia emoldurar o seu estado de alma. Deixou-se ir sem perceber a direção. Calcorreou o trilho que a transportou para o mar e, sem disso dar conta, deixou-se carregar pelo ondular da água. Naquele instante tudo se alterou. No hospital percebeu que o destino lhe dera outra oportunidade. Saberia lograr com isso?
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

A sala de aula
Licenciara-se no início da segunda dezena de anos na sua cidade. Na pressa de conseguir uma colocação, terminara obtendo um dos primeiros lugares de um concurso e trabalhara mais dois decênios numa área estranha, com processos e documentos.
Terminara essa jornada, já há cinco meses em casa. Lendo as notícias, encontrou outra oportunidade, agora para mestra. Decidiu participar e retornar para a carreira sequer iniciada. Lendo algumas apostilas, recordou lições passadas. Assim reencontrou a sala de aula.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

A tempestade passada ocorreu por causas passionais. Reencontrei o meu caminho junto de ti; tornaste-te o meu herói.
Eu pensei que nunca mais acreditaria no amor, mas, graças a ti, não perdi a esperança de conseguir combater os tumultos da existência.
Sei que nos momentos doces estarás comigo e que nas tempestades agrestes também poderei sentir a tua mão enlaçada na minha para me encorajares a encarar os perigos e tormentas.
Obrigado, amor, por seres quem és!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Coragem para mudar
– Muito bem – concluiu Florêncio, olhando-se ao espelho e jurando mudar de vida.
A doença que lhe fora diagnosticada, mostrava como havia desperdiçado a vida. Há mais de 30 anos que fazia o que odiava, convivia com quem não lhe interessava e calava muitas das verdades que queria gritar.
Colocou o boné e enfrentou o sol quente do Alentejo, em busca do barro que a sua criatividade iria moldar.
Quanto tempo iria viver? Não sabia, mas seria feliz.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Destino
Relâmpagos e estalidos,
Clarões na rua deserta,
Céu negro, alguns gemidos,
Mas nenhuma porta aberta…

Perdera rumo e Norte,
O carro na enxurrada,
Já não tinha passaporte,
Parecia uma emboscada!...

Até que algo o tocou
No meio da escuridão,
Um raio que aclarou,
Alguém que estendeu a mão…

Era o seu petiz querido,
Arrastado pelo chão…
E aquele baque e gemido
Tocaram-lhe o coração…

Ia entregar o menino,
Raptado com ousadia,
Tempestade no destino
Aplacou-lhe a rebeldia…
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Reencontrou o seu caminho. De tempestade em tempestade, o trilho aparecia e desaparecia diante dos seus olhos incrédulos e da alma alucinada pela pressa dos dias.
Corria, serpenteando o tempo demasiado curto, demasiado misterioso. Demasiado, demasiado… tempo
Perdera-se sem jamais se ter encontrado, seguia um caminho sinuoso entre neblinas e incertezas.
Agora, sentia estranhos murmúrios, ecos, sons no seu peito, na sua pele… algo lhe dizia que o caminho era aquele, saberia segui-lo até à próxima tempestade?
Fernanda Botelho, 58 anos, Sintra 

Encarcerada neste pequeno mundo onde tudo era rotina, já nada era emoção, nem mesmo tu, parti… Percorri estradas, desertos onde o som era silêncio, respirei o cheiro do capim, perdi-me por entre as cores exóticas de terras longínquas....
Um dia acordei com o coração dorido. Bastou o sábio curandeiro olhar-me nos olhos para descobrir que o meu mal eram saudades...
Chegada a hora do regresso, caminhei entre o deslumbre de um reencontro e o medo do abandono!
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Numa estação de comboios, deserta, encontrei uma rapariga só, que ia puxando uma pequena mala pela mão até ao local onde era suposto parar o seu transporte para um mundo que perseguia incessantemente.
Lá longe, na cidade das luzes, sentia que ia encontrar o amor e deixar para trás um tempo que não queria recordar. Tudo tinha sido tão mau!
Começou a estar escuro. Era perto do Natal.
Partiu, com tanta luz a iluminá-la por este caminho.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa

Numa noite de tempestade, o Simão ia para casa, quando se deparou com um leão perdido, do seu rochedo grande e rijo.
O leão tinha medo, que a sua mãe lhe ralhasse por estar perdido na perigosa serra, então o menino como tinha bom coração ajudou-o e percorreram juntos a serra até chegarem à parte mais montanhosa onde o leão morava.
Depois o menino retomou o caminho para casa.
Quando chegou, entrou em casa e deitou-se cansado.
Simão Narciso, 4º anos, 9 anos, Porto de Mós

Quando aceitara aquele Trabalho, achara que tudo iria correr bem. Contudo, isso não acontecera. A Equipa não permanecera coesa, abalada na sua estrutura. Tinha agora de assumir todas as responsabilidades. Percebeu que tomara decisões erradas
Porque acreditara tanto naquele sujeito… Porquê? Grande traste lhe saíra!
Tudo iria mudar a partir de amanhã. À sua espera, um outro desafio. Recomeçaria com o novo projecto, tentando não repetir erros, claro!
No céu, o arco-íris sorria-lhe. Tudo ia correr bem!
Margarida Freire, 75 anos, Moita

No passado, ele insistira num percurso sem regresso; considerara o mundo seu e para sempre. Era o seu desejo. Contudo, algo existia escondido nas entrelinhas, mostrando que a estrada que seguia também continha atalhos que poderiam conduzir ao desejado destino. Tomou então uma decisão: apanhar outro caminho de regresso, outro que não o de antes, um que indicasse um outro rumo. Aos seus lamentos deu contorno nítido. Descobrindo outra maneira de regressar, reencontrou igualmente a sua história.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira


Seria capaz? Não sabia, nunca tinha seguido por ali. Os arbustos eram densos, com muitas mimosas, algumas plantas de alecrim e bastantes azinheiras. As bolotas no chão eram poucas, indício de que os animais teriam passado ali recentemente. Seriam porcos, coelhos, esquilos? Podiam ser, mas não conseguia distinguir as pegadas no solo. Decidiu continuar. Olhou para o céu e a escuridão era mais densa do que anteriormente. Temia o que iria acontecer mas agora não podia parar.
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa

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