10/08/17

EXEMPLOS - desafio nº 123

Sentei-me no sofá e ali fiquei tarde fora a pensar na tia, teria sido justa com ela?
Mas porque fez tamanha fita, à frente de toda a família e ainda por cima à porta da casa de fados?
Que vergonha, todos ficaram a olhar para nós!
Não poupei nas palavras, quando de saco cheio, a repreendi.
Talvez tenha sido demasiado dura, talvez não tivesse passado de uma velha senhora à procura de mais atenção, de mais carinho!
Paula Castanheira, 53 anos Massamá

Ironia do Destino
Costa, nascido e criado num lugarejo junto ao Sado, nunca tinha viajado para além da capital, onde trabalhara nas docas.
Um ano teve a recompensa justa: uma empreitada no Brasil, na Barra da Tijuca.
Apaixonou-se pelas praias e, principalmente, pelas garotas de pele dourada.
Ele, jovem casto e fiel à namorada que deixara na terrinha, perdeu a cabeça e por lá ficou.
A namorada, farta de esperar, casou com um brasileiro rico que apareceu na terra.
Palmira Martins, 61 anos, V. N. Gaia

A notícia
Doti levou o caju à boca e observou o tio nas docas. Usava um casaco velho, que de tão usado parecia sujo. Limpou uma lágrima. Oxalá tivesse ficado! Ele precisara dela. Não devido à idade mas pelas circunstancias da vida. E ela trazia outro golpe.
Como dizer-lhe que, embora fosse justo com todos, a justiça não tinha sido com ele?!  Como se diz a uma pessoa que perdeu tudo, que não pode continuar onde fora tão feliz?!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

O torneio de judo
Quando o judoca jovem entrou no tatâmi estava muito fiado no sucesso. No entanto, o adversário era um gigante e não deixou alguma dúvida, queria à custa de tudo vencer este torneio de judo. Embora o jovem já tivesse sido imediatamente derrubado por um ato muito rápido desse colosso, conseguira libertar-se do seu estrangulamento.
Ora! Não se deu por vencido, e apesar do incómodo da fita-cola que protegia um tornozelo fraco, enganará com um ipon seu oponente.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Conheci, em tempos, um rapaz chamado JustinoTinha a mania que era mau e gostava de aterrorizar os outros com os seus maus modos. Dedicava-se a expedientes pouco claros e gabava-se de intimidar o bairro com a sua fama de rufia. O que ninguém sabia é que ele tinha um segredo insuspeito. Descobriu-se tudo na noite em que faltou a luz na tasca da aldeia. Entre a confusão generalizada, alguém chorava compulsivamente. Justino tinha medo do escuro!
Sandra Silvestre, 46 anos, Carregado

Não é justo que tenhas ficado aborrecido porque continuámos a caminhar ao longo do rio Sado, quando nos desencontrámos. Quando chegámos àquele sítio, onde fica a fábrica de arroz, que conheces bem, esperámos por ti bastante tempo, telefonámos, não atendeste, pelo que todos deixámos uma mensagem. 
Nada justifica o teu comportamento, porque não demorámos tanto tempo que pusesse em causa o nosso compromisso à noite. E, claro, estávamos em casa a horas. 
Esperamos que nos faças justiça!  
Odília Baleiro, 62 anos, Lisboa

Tinha FICADO combinado que me levavas ao treino de JUDO. Gabavas-te de ser o melhor e, orgulhosa como TUA namorada, teria TIDO um enorme gozo em ver-te.
Não foi JUSTO. CAÍ na conversa como uma patinha e deixaste-me pendurada. Chorei de raiva ao saber que foras acompanhado. Depois falaste-me com voz de vítima dizendo que partiras um braço.
«Que pena», disse trocista. «Agora estou ocupada. DÓI-me o coração e ando à procura de quem me trate dele....»
Isabel Lopo, 71 anos, Algarve

Hoje, dia dois de junho, é feriado municipal da vila; está tudo decorado com fitas coloridas - deve ter custado uma fortuna à autarquia.
É hora do baile, enquanto a banda filarmónica toca; posteriormente será lançado fogo-de-artifício na praça.
A família deseja assistir ao espetáculo e pediram-me que cuide das crianças.
Não gostei de ter ficado de parte... não sou objecto para ser usado!
Sou a neta mais velha, mas também quero divertir-me!
Vou pugnar sempre pela justiça.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Coimbra no coração
Ticas, de capa preta,
Ia aprumada e altiva,
Direitinha como um fuso,
Enfeitada como diva!

Acompanhava a amiga,
Leve e desembaraçada,
sua Tocas querida
Ao belo ramo abraçada!

Era um caso de amizade,
De empatia e mais ainda,
De peripécias e estudo
Na cidade de Coimbra.

Finalmente eram doutoras,
Iam à queima das fitas,
Sentiam-se umas senhoras,
Fantásticas e finalistas!

Só restava a nostalgia
Que envolvia a tradição…
Capas negras… Que magia!...
Coimbra no coração!
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Uma fita na cabeça sempre fica melhor que a touca que o tio colocava na cadelinha.
Desde que a bichinha apareceu lá em casa, que é vê-lo em cuidados mil.
Ele que dizia não querer animais em casa, por não ser justo apaparicar um animal mais que uma criança.
Agora é ver a caniche saltar para o seu melhor fato e ele derretido.
Quando descobre que é citado justifica dizendo: é tão meiguinha, que fico sem alternativa.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

coisa andava feia para Seu Manoel. Negócios muito parados por lá.
Crise!
Dia a dia menos vendas no armazém.
De repente, teve uma brilhante ideia...
Passou então a oferecer cajus e outras frutas maduras de brinde nas compras feitas.
O local do estabelecimento ajudava.
Fregueses apressados, no fim do dia, vinham direto da doca do cais. Caíram na isca!
Assim ele se livrava das mosquinhas da fruta madura e os clientes até pararam de pedir fiado.
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Encontrou-o CAÍDO na escada TOCADO pela bebida.
TÍSICO, porque tinha sofrido de TIFO.
Com muita paciência ajudou-o a entrar em casa, deitou-o na cama.
Ligou para o engenheiro, com quem tinha AJUSTADO a obra junto à OTA disse-lhe tudo o que veio à cabeça, FIADA que tinha resolvido o problema.
No outro dia soube que tinha fugido com o dinheiro, desolada, pensou...
― Não é JUSTO.
Eram as economias que amealhara ao longo de uma vida de sacrifício.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

O lamento
Qual turbulento tufão brotou da ronca garganta
o triste lamento que, como furtivo fujão,
oculto entre escuras sombras, morava no peito.

Qual retumbante trovão ressoou na densa névoa
a lastimosa queixa que, como berrante fita,
pungiu os corações envoltos em preta capa.

Livre ficou das suas cadeias aquele pranto
tal pássaro engaiolado que escapou da sua prisão
e pôde no fim as assas despregar.

E desligado foi das algemas dos pesares.
Mónica Marcos Celestino, 45 anos, Salamanca, Espanha

Nunca mais fora o mesmo, depois de ter estado entre a vida e a morte quando teve tifo. Nada fazia jus à sua capacidade de entrega, nem mesmo quem já merecera a sua total doação. Juca gostava de passear à beira rio e, por longas horas, afastar-se das gentes que o rodeavam. O rio Sado parecia entender toda a sua desilusão. Nele deixava ir toda a sua mágoa. Depois, no seu jardim, debaixo da velha sica, adormecia.
Amelia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

História simples
― Boa tarde! A pesca… vai dando?
― É como o tempo, incerta… é conforme…  pesco há setenta anos. Comecei com dez, aqui nesta lagoa. Depois, andei nos bacalhoeiros… que saudades desse tempo!... Agora… voltei à lagoa… tal como o salmão, que volta sempre onde começou. Trago uma bucha, uma pinga… às vezes, põe-se frio, então, agasalho-me com a samarra… se pesco um peixito, como-o à noite mais a patroa… e assim passo os dias… até Deus querer…
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

História simples
― Boa tarde! A pesca… vai dando?
― É como o tempo, incerta… é conforme…  pesco há setenta anos. Comecei com dez, aqui nesta lagoa. Depois, andei nos bacalhoeiros… que saudades desse tempo!... Agora… voltei à lagoa… tal como o salmão, que volta sempre onde começou. Trago uma bucha, uma pinga… às vezes, põe-se frio, então, agasalho-me com a samarra… se pesco um peixito, como-o à noite mais a patroa… e assim passo os dias… até Deus querer…
Domingos Correia, 59 anos, Amarante


sei, mo disseste, bem o sei,
Um motivo tu queres, uma razão, um sentido…
Sabes tão bem o que fiz e o que direi...
Tentei fugir, mas agora estou perdido!
Fico à toa, as palavras custam a sair da boca.
Inevitável, eu digo, e tu ficas louca…
Como tu me pediste, desde o início.
Admiti a minha falha, aceita a minha confissão.
De qualquer forma deambulei até um precipício,
Onde cairei sem nem perdão. 
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa

Será JUSTO atormentar-vos com esta história medonha? JUSTIFICO assim a minha opção pelo CASO sinistro que pretendo contar-vos: dá-me prazer o terror que CAUSO aos leitores. Não costuma ser difícil embora, desta vez, não me pareça fácil. Bom... há uma FOCA bebé, amaldiçoada, condenada a viver numa gruta SUJA, enfiada num SACO escuro, fortemente atado por uma FITA negra... Apresentada a personagem e a sua situação, a continuação seguirá num próximo episódio. Sou mesmo SÁDICO, não sou?
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

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