30/11/17

EXEMPLOS - desafio nº 130

Espiga e seus vários significados. Pode ser tantas coisas, desde simples espiga de milho. Pode ainda ser algo maçante, um prejuízo, logro ou calote. De qualquer forma, podemos sempre aprender.

Estar preparados pois algo pode acontecer pelos caminhos que trilhamos na trajetória da vida. Coisas bem boas, outras que
parecem querer nossos dias atrapalhar.
Fica a lição: 
De “grão em grão” que nos chega temos que saber com alma, equilíbrio, debulhar espigas…
E sempre com muita ESPERANÇA!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

A ESPIGA estava madura, era hora de CEIFÁ-LA.
Ainda madrugada, mulheres de FOICE em punho e MERENDA preparada em sacos de RETALHOS, que as nossas HABILIDOSAS avós costuravam.
Levavam nos olhos a ESPERANÇA de um amanhã melhor, e confirmavam-no nas canções que entoavam.
Depois de malhado na eira, ao sabor do vento separado, ia para o moinho, ser triturado.
Quando o pão vinha para a mesa, fruto desse árduo trabalho, a Deus era agradecido, por tê-lo abençoado.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Que espiga terrorífica!
Quando jogava futebol, o Rafael provocou, abruptamente, mil estilhaços no vidro da janela do gabinete da directora.
Esta, sendo extremamente austera, até tinha a alcunha de "Cruela"... ficaria de castigo eternamente.
A visão enevoou-se, os óculos quase saltaram dos olhos... que desgraça!
Mas vislumbrou esperança na sobrevivência, porque ela estava gentil.
Somente ordenou-lhe que fizesse um trabalho sobre "O desporto é pai da violência; a literatura é mãe do progresso".
Afinal, os milagres acontecem!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Já não vou ao Espiga desde o teu último sorriso.
A pretexto de um copo que quase não bebemos, ficamos ali em amena cavaqueira até que os olhos nos denunciassem.
Ah, os olhos e as mãos, e todo o corpo que cedeu à fragilidade do disfarce.
Foi de amor e de amar que falamos, embora disfarçados em bons amigos.
Foste embora com promessas trocadas e levaste o meu sono.
Tenho medo! Estas tuas últimas palavras tiraram-me a esperança.
Fernando Morgado, 62 anos, Porto

Escapa-se-me um sorriso ao ouvir protestos vindos do quintal contíguo aos contentores do lixo – “mais roupa para engomar, que espiga!” Tivessem comido o pão que o diabo amassou, como eu… Não sei o que é roupa engomada, casa… A rua é o meu lugar, mas sonho! Sonho que um dia, o fogo que me aquece ao relento será trocado pela lareira duma sala repleta de livros, de música, numa harmonia a que chamo felicidade. Alimento essa esperança.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

Que espiga! O novo hóspede com cama e mesa. Embora a dona sirva grandes porções, os dois outros internos estavam bastante inquietos. Pois, o recém-chegado olhava com olhos gulosos para eles, dois ciprinos dourados num aquário. Com a pata tentava apanhá-los. Felizmente, aqueles peixes eram experimentados nadadores e curiosamente sabiam ladrar como caniches. Formidável! O Gato fugia em pânico. O logro dos ciprinos foi um êxito e tinham a esperança que ele nunca os incomodará de novo.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia Bélgica

Hoje vamos à espiga. Estava um dia de sol intenso, mas queríamos ir apanhar milho, um cereal muito comum naquela zona, para depois trazer para a eira da avó.
Na aldeia dos meus pais era habitual trazê-lo num carro de bois ― que diversão tão grande ― apesar do calor daquela altura do ano.
De noite vamos à desfolhada. Quando me sair um milho rei vou poder dar um beijo à Joana! Tenho esperança de que vai ser hoje.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa

Nos campos destruídos da aldeia, a criança encontrou uma ESPIGA.
Lembrava-se delas, em Casa da Mãe, quando havia PÃO para todos.
Sabia a Sol, a ÁGUA que os meninos bebiam na fonte.
Era o TEMPO de brincar, até o sono chegar.
Hoje é sempre NOITE; pó, escuridão por todos os lados.
Será que o SOL também fugiu?
De repente, um raio da sua luz tocou a mão do Menino, que sorriu. Ainda podemos ter ESPERANÇA. Natal, talvez!
Margarida Freire, 75 anos, Moita

Nunca mais vi algo tão belo como aquela tarde!... Todo o campo dourado era um oceano sem fim, aonde cada espiga falava sobre os segredos das ondas, e guardava consigo os murmúrios das marés. Estava calor. Era Verão. A aragem que soprava fazia aumentar a maravilha da seara que ondulava calma. Foi quando segurei hesitante a tua mão, e te pedi que ficasses. Foi quando sorrindo me disseste que tinhas a esperança de não precisares de partir.
Maria da Glória Ana Martins Vilbro dos Santos, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo – Sintra

Aquela espiga, fez abrir gavetas de memórias! Recordo campos de trigo dourado, coloridos por papoilas e malmequeres, brincadeiras inocentes, dias sem pressa, vividos intensamente, com arranhões nos joelhos.
A cada Quinta-Feira da Ascensão, corríamos cedinho, para trazer o ramo mais bonito. Mandava a tradição que fosse pendurado atrás da porta, na esperança que nunca faltasse o pão.
Agora já não corro pelos campos, mas continuo a ter o meu raminho, oferecido carinhosamente pela melhor Mãe do mundo!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

O jantar
Espiga, o velho labrador, dormia calmamente. Repentinamente abre os olhos ao sentir o cheiro do pão acabado de cozer que Sara colocava sobre a mesa mesmo a tempo do jantar.
Só esperava que o avô chegasse cedo e não perdesse o convívio inicial. Se chegava tarde ficava aborrecido. Depois descontava nele, escondendo-lhe os ossos!
Embora tivesse péssimo feitio, o avô, se chegasse cedo, era a alegria em pessoa. Era daquelas pessoas que renovam a esperança na humanidade.
Carla Silva, 44anos, Barbacena

Vítor debulhava espigas, sustento da família. Tantas!
― Parece castigo! O pai não compra a debulhadora, ninguém merece!
Inesperadamente, uma espiga destacou-se, os grãos brilhavam. Parecia falar. Tinha uma beleza incomparável. Ficou paralisado! Virou-se, olhou o Sol e, num ápice, uma rapariga sorriu e disse-lhe:
― Vi como eras terno, doce, gestos suaves ― apaixonei-me!
Convidou-o a segui-la, pois tinha como esperança descobrir a divindade do mundo. Quando o viu, teve a certeza que conseguiria alcançar a sua nobre aspiração. 
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa

Sê feliz!
Que espiga, repetida,
O tempo de te aturar
Custou-me ver a saída
E poder-te descartar!

Foste o encanto falido,
Da minha vida falhada,
Encantador, tão polido
E brilhante na fachada…

Sedutor e mentiroso,
Teu estilo emolduraste,
Galã, bonito e vaidoso,
Esperança irradiaste!

Foram falsas artimanhas,
Muitas vezes engendradas,
Foi uma vida de manhas
E peripécias muito ousadas…

Até chegares ao limite
Da criação e ciência!...
E, por isso, o meu convite:
― Sê feliz!
Já não tenho paciência!...
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Vejo o campo a ondular sob o vento, observando cada espiga seca, que o frio e a ausência da água matou.
Observo o céu azul, desejando que as nuvens o preencham, e fecho os olhos, procurando sentir os pingos de chuva na face, mas apenas o vento marca presença, gelando o ar e retirando-lhe a pouca humidade que ainda permanece.
Entro em casa com os olhos embaçados, percebendo que as minhas lágrimas assinalam o fim da esperança.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais

Esperança
Na espiga, Pequeno Grão de Trigo esperava num campo onde as plantas se vestiam de ouro. A chuva caía muitas vezes e deixava pontinhos brilhantes.
Um dia, o fazendeiro esfregou as mãos, sorriu. Estava com outros homens.
Os sacerdotes voltaram em dois dias e colheram a espiga de Pequeno Grão e algumas outras, formando um molho. Um homem de barbas brancas disse no templo que esse molho simbolizava um Menino que nasceria naquele ano e traria esperança.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Juliana, a Sucessora
espiga fazia parte do brasão e dos pergaminhos de família. O pior era a nova geração, que descurava apegos a outras eras em que a soberania fazia parte duma fidalguia há muito em declínio. A casa senhorial implantada nas cercanias da aldeia, impunha-se pelo belo. austero estilo. Lutavam os senhores feudais pela perpetuidade da importância familiar, mas os descendentes desvalorizavam. Residia a esperança na afilhada Juliana, menina de áulicos dotes, dada ao cerimonial e ao aparato.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

Na Quinta-feira da Ascensão é tradição apanhar a espiga.
mãe apanhou papoilas e malmequeres para haver sempre amor e alegria. O pai apanhou espigas de trigo para haver sempre pão, ou seja, para não faltar a comida e o filho apanhou um raminho de oliveira para existir paz e luz.
De seguida, o José foi participar num jogo de andebol e marcou dez pontos. À noite foi ver a dança da Maria que falava de esperança.
3°/4° B, EB Galveias, professora Carmo Silva

As ESPIGAS passavam a DOIRADAS numa pressa aflitiva. Há muito não via uma seara tão composta, mas se o SOL e o CALOR apertassem, espigaria antes de tempo. Nunca fora homem de rezas, mas foi até a Igreja. Sentou-se em silêncio olhando a Virgem. Ela entenderia a sua aflição! A SECA não tardaria.
Quando saiu, a CHUVA caía de mansinho... Voltou para junto da Senhora que agora lhe pareceu sorrir. E sentiu o coração cheio de ESPERANÇA.
Isabel Lopo, 71anos, Lisboa

O dourado de um campo em espiga invade-me a consciência quebrando os limites do corpo, ainda assim, sinto aquela aspereza delicada roçar-me a pele, enquanto saboreio o calor do ar aspirado. O restolhar aglutina o som da chuva que bate na janela, deixo-me pairar pelo mundo das sensações daquela paisagem, recuso e aniquilo qualquer pensamento simbólico, que ensombraria a perfeição. Só ao vento abro as fronteiras do sensorial e com lentidão um redemoinho fresco envolve-me de esperança.
Lourença Oliveira, 46 anos, S. João do Estoril

Milho-rei
Todos queriam achar uma espiga milho-rei. Nas desfolhadas, o avô dizia:
― Nesta eira, quem acha mais milho-rei, é quem mais espigas desfolha.
O avô dizia isso na esperança de todos trabalharem mais.
― Que seca!
Um ano, em segredo, pedi à avó, uma abada de espigas milho-rei do ano anterior.
Previamente, escondi-as debaixo do folhelho. Sentado no sítio certo, de vez em quando, sem ninguém perceber, pegava num milho-rei e anunciava:
― Mais uma!
E assim passei por herói!
Domingos Correia, 59 anos, Amarante


Ao observar a espiga na sua mão, Celeste ia recordando as suas memórias de criança. Já pareciam perdidas, tal como as mais recentes ainda estão. De repente, estava tudo ali à sua frente: as pessoas da aldeia a trabalhar na ceifa, na desfolhada, na secagem e moagem do milho. Aquela farinha amarela com que a avó fazia a maravilhosa broa no forno da aldeia. Olhou para o céu e sorriu. Ainda há esperança de recuperar a memória. 

Ana Pegado, 31 anos, Lisboa

Para comigo só pensava "Que grande ESPIGA!" Por causa dum PROBLEMA com tão pouca importância, tinha à minha frente um DILEMA quase shakespeariano: devia contar-lhe a verdade ou esconder tudo com uma mentirazita piedosa? Tinha que RESOLVER a situação... Mas qual a DECISÃO certa? Eu nem sou homem de certezas... Ali só via dificuldades: contando o que se passara ia causar-lhe DOR e isso eu não queria; mentindo-lhe, sempre lhe dava alguma ESPERANÇA. Talvez fosse o melhor...
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

Numa tarde de verão cheia de sol, apanhei uma espiga enquanto passeava na minha feliz aldeia. Estava muito calor e fiquei cheio de sede, por isso fui beber água à confeitaria Campo e pedi para fazer uma sande de fiambre e queijo. Continuei a caminhar e encontrei um grande amigo, mas fiquei aflito pois ele estava caído no chão, por isso eu fui ajudar e tive esperança que ele não estivesse muito magoado. Felizmente ficou tudo bem.

Vicente Almeida, 12 anos, Porto

Sem comentários:

Enviar um comentário