10/03/18

EXEMPLOS - desafio nº 137

É mesmo burro!
Burro quando atafulha o frigorífico com açúcares e gorduras, ingerindo-os como se o mundo estivesse a acabar.
Burro quando recusa o ginásio, as caminhadas ou outra atividade desportiva que o arranque do sofá.
Burro quando abusa do isqueiro para acender cigarros, uns atrás dos outros. Queima-os e queima-me a paciência que já não aguenta tanto fumo.
Só não é burro quando entra em casa, todos os dias, com uma rosa, a minha flor predileta.
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira

Júlio rodopia o isqueiro na mão entre os dedos. Isso ajuda-o a concentrar-se, é uma “brincadeira” que lhe ficou dos tempos em que estudava e em que fumava. Era burro, não percebia o mal que fazia a si próprio. Hoje nem o fumo tolerava. Sentia-se mais leve e até o paladar estava diferente, melhorara imenso a sua condição física também. Frente à secretária contempla a rosa que oferecera à mulher e deixa-se inebriar pelo sentido da fragância.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios

Namoro frustrado
O rapaz apressou o burro com os calcanhares. A tarde ia avançada. Não tarda, seria noite. De repente, lembrou-se. As flores tinham ficado em cima da mesa da sala. E agora, com que cara se apresentaria à rapariga?
Viu uma roseira no quintal de uns vizinhos. Desmontou e tentou colher uma rosa. Ao lusco-fusco, sem uma faca, era difícil. Acendeu o isqueiro. Ao ladrar dos cães, mal teve tempo de montar de novo e partir à desfilada.
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria

Guerra na Jericolândia. O Rei Tolo decidira que passariam a comer favas.
“Estamos a comer acima das possibilidades. Acabou”.
Chamou o Assessor, o BURRO Gaspar – animal esperto – que legislou, promulgou e ameaçou: “Quem não cumprir, regressa à Abissínia”.
A Comunidade Asinina reagiu. “Favas? Nunca!”.
ROSA, mula decidida, ISQUEIRO na mão, foi-se aos papéis. Queimou tudo.
Uma risota, ver Tolo e Gaspar correndo, cauda entre as pernas.
A Burricada, feliz, voltou às maçãs, cenouras e nabos. Até hoje. 
Margarida Freire, 75 anos, Moita

Isqueiros
Nunca dilapidou seu dinheiro em isqueiros, contentava-se com um que acendesse.
Então, barato, a ilustração no isqueiro, embora jamais se importasse, não era sempre uma prova de bom gosto. Desta vez rosa, de emoção inquieta, reconhecera sua noiva no modelo nu. Ora, não gostava da ideia que amigos no bairro teriam sua Rosa no bolso e logo comprou a provisão inteira. Que burro! Meditava contentemente o ardina do quiosque: Quem pensaria que tem namoro com Maryline Monroe!
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia Bélgica

Rosa! RO-SA!
Era assim que ele imaginava o seu nome, desde que acontecera aquele encontro fortuito, já lá iam 36 dias!
De cigarro em riste, ela chegou-se-lhe.
– Tens lume?
Ele puxou do isqueiro e por instantes, sentiu-lhe o aroma fresco de flores, o calor de um corpo quase adulto.
Ela foi!
Ele ali ficou de braço esticado, com tremuras no coração, pregado no chão, sem fôlego, sem palavra. Que burro!
Precisava voltar a vê-la, mas como fazer?
Paula Castanheira, 53 anos Massamá

Naquele dia o pai pedira à Rosa que fosse à rua e lhe comprasse um isqueiro. A moça que era reguila e estava cansada de ouvir o pai tossir por causa do tabaco, lembrou-se de fazer uma partida- pegou no dinheiro e comprou uma bela e enorme cenoura. Espantado o progenitor perguntou-lhe para que lhe trazia ela uma cenoura… Afoita, a Rosa respondeu: Pois não é disso que os burros gostam?... Claro, em seguida largou a correr!!
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra

Hoje, dia dos namorados, Gervásio convidara Luna para um jantar romântico em sua casa.
Todos ofereciam flores vermelhas, cor da paixão, mas ele presenteá-la-ia com uma rosa branca, simbolizando a singularidade e pureza do seu amor.
Contudo, quando se preparava para estrear o isqueiro prateado que a namorada lhe oferecera no aniversário, apercebeu-se que se esquecera das velas.
Que burro gigantesco... acabou-se o romantismo! Agora, se desejar "velas", resta-lhe convidar os pais do casal para o jantar.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Rosa era a miúda mais gira da escola. Mais velha, andava sempre com ar superior... João jurou que havia de a conquistar.
Para se armar comprou cigarros. À saída viu-a com amigas a fumar. Pondo um na boca, perguntou-lhes: "Alguém tem isqueiro?" Rosa estendeu-lhe um. "Já fumas, puto?” "Claro, há que tempos"... E dando-se ares de homenzinho deu uma passa. Mal engoliu o fumo, engasgou-se. "Cresce e aparece", gozaram elas... "Burro!", pensou ele. "Ainda não foi desta!!!”
Isabel Lopo, Lisboa

O Chico estava a ficar impaciente, o jogo começava daí a pouco e a televisão, teimava em não funcionar.
Não desistiu, até que apareceu qualquer coisa escrita em estrangeiro, que não percebia, chamou então a mulher.
― Ó ROSA, anda cá ver isto.
― Já vou, estou à procura do meu ISQUEIRO, nunca sei onde o ponho. Mas afinal o que me queres?
― Percebes alguma coisa disto?
― Percebo percebo, percebo tanto como um BURRO quando olha para um palácio.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

"O tabaco mata". Certo, nós não somos eterno, a rotina mata-nos, os desamores também.
Olhei a chama do isqueiro e pensei se iria matar-me um pouco. Esmaguei o cigarro, olhei a rosa amarela, fresca como no dia em que me a ofereceste, para me lembrar do teu abraço, do olhar, do sussurro da palavra amo-te.
Fugiste como um burro com medo que lhe coloquem as rédeas.
Ficou a rosa, que murchou no dia que me esqueci de ti.
Manuela Branco, 61 anos, Alverca do Ribatejo

Esplanada quase deserta. Apenas uma mesa ocupada por uma rapariga atraente que olhava à sua volta. "Esperará alguém?", pensou Félix,enquanto seguia para o carro. Não resistiu a voltar-se. Ela segurava um cigarro na mão e fixava-o. "BURRO, leva-lhe lume! Tens o ISQUEIRO no bolso. Decide-te, macho latino! Mete conversa!" Avançou determinado. A rapariga levantou-se e passou pelo Félix, numa corrida, abraçando o rapaz moreno que vinha mesmo atrás e lhe estendia uma ROSA vermelha. Azar, Félix!
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

O ti’ João não era má pessoa, mas irritavam-me aquelas certezas do “antigamente é que era bom“. O progresso era a causa de todos os males: Internet, telemóvel, gps… tudo manifestações do demo!
Lume? Qual isqueiro, qual quê ― a fricção de duas pedras resolvia a questão. A melhor rota? A rosa-dos-ventos serviu bem os nossos navegadores!
Já agora, o pombo-correio resolvia o encerramento dos CTT, não?
Felizmente, vozes de burro não chegam ao céu!
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

Ofereceu-me uma ROSA no nosso primeiro encontro. Interpretei-a como um exagero, um romantismo artificial “p’ra BURRO”. Nunca apreciei rituais só porque sim, sem um verdadeiro querer subjacente.
Passaram dois anos...os encontros repetiram-se. Foi-me dando outras rosas, e também, margaridas, tulipas... dálias... agora; completa e profundamente aceites por mim; ensinam-me que aquela rosa simbolizou o ISQUEIRO que acendeu a chama chamada gentileza, que atiçou o fogo que foi a paixão, tornando-se nas brasas que são o amor.
Vera Viegas, 34 anos, Penela da Beira


O jardim
A visão da rosa que te ofereciam recordou-me as tuas palavras anos atrás.
"Uma relação é como um jardim, se não o cuidas morre"
Ri da comparação!
Hoje, ao ver-te segurando a mão de outro que não eu, percebo como fui
 burro.
Perdi-te porque me neguei ver as ervas daninhas.
Revoltado comigo, puxei do
 isqueiro e acendendo um cigarro passo por ti fingindo não te ver nem ver o "jardineiro" que cuidava do "jardim" que fora meu.

Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas

Coincidências!
Andava Rosa feliz por se ir encontrar com os amiguinhos na aldeia dos avós. A família, numerosa, reunia-se num almoço, pretexto para o reencontro dos familiares, alguns da diáspora, outros na sedentarização da terra jubilosa, berço querido de todos. Ao chegar, foi ver o burro, seu companheiro de pequenas jornadas. Quando corria, ansiosa, tropeçou num estranho objecto: um isqueiro, com nome gravado do primo da charneca. Para lá se encaminhou, imaginando as muitas aventuras que a esperavam...
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

Uma tarde bem passada
Naquela tarde, fui dar um passeio de burro.
Animal dócil, mas muito teimoso, lá me aventurei…
No meio da caminhada encontrei a Rosa. Muito airosa com ar de menina. Um deleite para a vista.
Apeei-me com cuidado, seguindo em alegre conversa com a minha amiga.
O jerico, não queria andar. Como forçá-lo a caminhar?
Lembrei-me…
Chamusquei-lhe as crinas com o isqueiro, o animal deu um salto, correu sem parar, nós caímos redondos rindo.
Guilhermina, 74 anos, Alhandra

Um verdadeiro burro
A tia Rosa, só a contragosto, viera para o jardim, em busca do sereno do final de tarde, que espalhasse a fumaça e enviasse o mau cheiro para longe. O marido caminhava sempre com o habitual isqueiro, que guardava no bolso das calças. No seu papel de imbecil e distraído, deixou que as chamas invadissem os bolsos e deixassem esse pateta, burro e teimoso, com o traseiro todo chamuscado. Agora, seguir-se-ão dias deitado de rabo para cima.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais

O burro apaixonado
Pela primeira vez, o burro Benfeitor amava. De forma inesperada, a rosa vermelha tinha sorrido para ele. Pouco letrado, dizia: "Tenho um isqueiro aceso no meu peito desde que a vi". Pediu, então, ao seu dono para a colocar entre as suas orelhas. Alegre, mostrou-lhe campos e vales, mas a rosa murchou e morreu. Benfeitor ficou verdadeiramente arrasado. Como era inteligente, apesar de burro, finalmente compreendeu que amar é também respeitar a natureza de quem se ama.
Isabel Sousa, 66 anos, Lisboa

Amor sem vela nem rosa
Enquanto esperava, sentado à mesa debaixo das glicínias, seus olhos brilhavam.
Quando, finalmente, a sua amada chegou, tal como idealizara, recebeu-a com uma vénia, beijou-lhe a mão… pegou no isqueiro… "ah?!... a vela?... e a rosa?... não acredito!!!"
Parte da vela e da rosa ainda se viam na boca do burro que, curioso, deixou a erva do prado e se veio juntar à festa…
Bem… mesmo sem vela, nem rosa… acabaram abraçados…
…e viveram felizes para sempre!
Domingos Correia, 60 anos, Amarante

O Joaquim Isqueiro vivia sozinho no seu “monte alentejano”muito perto de Estremoz. Sozinho, mas muito acompanhado pelos seus animais: o burro, os cães, os gatos e... os seus livros.
Tivera uma vida intensa na grande cidade como diretor de uma empresa multinacional mas, sempre sonhara regressar às origens e agora chegara a hora.
Perdera a sua Rosa para uma terrível doença e o único filho, trabalhava em Bruxelas onde vivia com a esposa e os filhos.
Amália da Mata e Silva, 63 anos, Vila Franca de Xira

Precisava de um momento de paz enquanto fumava o seu cigarro. Sentia-se burro depois daquela discussão com o chefe. Para quê? Para quê bater de frente com pessoas teimosas? Olhava o céu enquanto aspirava o fumo do cigarro. De repente, sentiu uma mão tocar-lhe no braço. Baixou os olhos e antes de conseguir focar, viu uma sombra cor-de-rosa a pedir-lhe um isqueiro. Estendeu a mão, focou e delirou. Quem seria esta miúda linda ali à sua frente?
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
O sol escondera-se já, e a noite caia sobre as casas. Na rua escura apenas sobressaiam sombras. Tadeu, saiu para o quinteiro forrado de fetos verdes e frescos que nessa tarde trouxeram da quinta da eira, crescidos nas sombras dos pinheiros e sentiu um cheiro a rosas.
Acendeu o isqueiro, que tirou do bolso, para ver melhor na penumbra.
Por cima da cerca nem uma rosa sobrara. O burro mastigava ainda o último rebento das roseiras floridas!
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Chico estava desgostoso com o amigo, desiludido.
Burro! – pensava – como pode menosprezar o valor da sacola! Para além do mais, tinha o isqueiro que a Maria me deu no dia do primeiro piquenique.
Virou costas. Mas no caminho insultava-o mentalmente:
Burro! Os objetos que guardamos ajudam a colorir a nossa vida, tornam-na mais cor-de-rosa. Será tão infeliz, terá uma vida tão vazia que não perceba isso – matutava.
Revoltado, em jeito de resposta ofereceu-lhe um burro isqueiro rosa.
Fátima Fradique, Fundão

Acendeu o isqueiro como tantas vezes vazia. Não havia cigarro, apenas aquele isqueiro. Deixara de fumar há muito, logo depois que a Rosa morrera, a sua Rosinha sempre preocupada com a sua saúde.
Ouvira-a pouco, sempre alertando que cada cigarro lhe roubaria tempo de vida, nunca lhe ligou, fora um burro.
Agora ficara só, sentindo-se mesmo burro, sem a sua Rosa, mas sempre com o isqueiro a lembrar-lhe a morte não pede licença. A morte escolhera Rosa.
Ana Paula Paiva, 52 anos, Porto

Era ainda manhã cedo quando o burro espreitou pelo curral e com espanto viu junto à porta de madeira um talo verde com duas folhas pontiagudas. Ainda com alguns pingos de orvalho a cair por entre o verde das folhas, o Burro baixou o seu dorso levemente e contemplou a planta. Pensou para si que gostaria que daquele verde brota-se uma rosa igual aquela que viu, junto à casa, perto de um isqueiro, na manhã solarenga anterior. 
Carla Abegão, 29 anos, Valado dos Frades, Nazaré

― Ó Rosa!  ― chamou o avô, com bravura. ― Tinha um isqueiro,  onde é que o meteste? – perguntou,  gritando.
A avó,  muito surda, não se apercebeu, apenas viu o  marido estendido no chão. Tinha acabado de tropeçar numa bola, que entrara pela janela.  Pobre avô!
― João, não me deixes viúva! – disse a avó preocupada.
Infelizmente, o avô nunca mais conseguiu andar, precisando da ajuda de um burro e também de um novo isqueiro, porque o outro nunca mais apareceu.
Martim Mendes, 14 anos, Lisboa

A professora procurou nas lembranças um conto de fadas e olhou a classe para procurar alguma inspiração. Achou um vaso de rosas e jornais do dia.
«Havia uma menininha que vendia rosas pelos restaurantes. Era noite, sem luz. Faltava combustível para os ônibus. Apareceu-lhe a fada madrinha, à chama de um isqueiro que achou na calçada. Fez um pedido e conseguiu não uma carruagem, mas um burro que surgiu da transformação de um brinquedo resgatado na rua.»
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Conto de fadas – continuação
A fada do isqueiro encontrou o gênio da lâmpada:
― Está difícil. Ontem, não criei carruagem, que estava sem abóboras. Não haviam sido entregues na Central de Abastecimento e daí para os feirantes. Estou devendo um burro de brinquedo a um pobre menino na história da professora.
― Verdade, respondeu o gênio: pediram hoje rosas e recorri às de plástico. Fiquei devendo também. Pagarei a uma dona de casa que com elas decorava a mesa da sala.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Não suportava aquela camisa rosa. Como lhe havia de dizer? Tinha que engendrar alguma coisa para que a famigerada camisa desse à sola. Não podia falhar, pois ele não era burro e podia perceber a trapaça. Naquele abençoado jantar, a vela do candelabro apagou. Pediu-lhe o isqueiro e fingindo tropeçar tombou a cera na sua estimada camisa. As desculpas saíram em catapulta. Ele, suavemente apaziguou o seu falso arrependimento. Odiava a camisa que a mãe lhe dera.
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada

Um burro estava no seu jardim.
Não propriamente no jardim, mas a sua cabeça sobre o muro.
Pormenores? Talvez.
Mas era o suficiente para ele lhe estar a comer a sua rosa favorita!
Sim! Aquela, que resplandecia de mil cores quando a luz se deitava.
O momento da calma, onde ambos se olharam.
Depois o caos.
Tudo voou pela janela: tachos, panelas, copos, isqueiro
Mas a rosa já tinha ido.
Assim como os sonhos por ela invocados.
Manuela Santos, 43 anos, Almada

Burro ao Quadrado
Rosa era moça sadia
Que lidava sem cessar,
Começando com o dia
Até o Sol se poisar!

O seu burro rezingão
Ajudava no transporte
Da farinha e do grão,
Não aceitando tal sorte.

Rosa, de rédea apertada,
Fazia-o espernear,
Até que ele estrebuchava,
Fumegando pelo ar!

Espumava e fumegava,
Qual isqueiro incendiado,
E ela atacava zangada:
― Nasceste Burro ao Quadrado!...

És burro desnaturado,
Filho de égua vadia,
És Burro pelo teu fado
E um Burro sem serventia!...

Maria do Céu Ferreira, 63 anos, Amarante

A Rosa bem procurou, procurou... Nada! Mas onde raio tinha o homem deixado o isqueiro? E fósforos? Também nem vê-los! Querem ver que ele tinha escondido tudo? Ela bem deu volta à casa, abriu e fechou caixas e caixinhas, portas de armários e gavetas, levantou as almofadas do sofá, viu na mesinha ao pé da janela, espreitou debaixo da mesa... Nada de nada! “Se ele pensa que eu desisto assim com estes joguinhos é burro! Burro mesmo!”
Elisabete Anastásio, 56 anos, Setúbal

Pedro fazia os trabalhos de casa indolentemente. A cópia era enorme e tinha palavras difíceis. Tinha de procurá-las no dicionário, mas queria tanto ir brincar. Será que a professora não percebia que já estavam muitas horas a estudar durante todo o dia?!
Resolveu procurar ajuda e dirigiu-se ao quarto da irmã mais velha e perguntou:
― Rosa, o que é um isqueiro? É o homem que vende iscas??
― Eh, pá, tu és mesmo burro! Vai ver no dicionário!
Sandra Nunes, 46 anos, Loures

O homem estava com uma vontade enorme de fumar. Há tanto tempo que não fumava! Tinha no bolso do casaco um maço de cigarros, mas esquecera-se do isqueiro em casa. Viu um burro ali perto (isto acontecia num ambiente rural), montou-o, foi buscar o isqueiro, devolveu o pachorrento animal ao local onde o encontrara. Enfim era um homem feliz, pôs-se a fumar num banco de jardim, colheu uma rosa e foi oferecê-la ao burro. Nada mais justo!
Jorge Manuel Rodrigues

Engano
Antero puxou do isqueiro e fumou um cigarro... 
Estava a ganhar coragem para tocar à campainha da mansão.
Rosa era a sua pérola preciosa, franzina, esbelta e ágil. Adorava a sua magia encantadora, sorriso subtil e sensual.
Cheio de ilusões aguardou à porta e carinhosamente ofereceu-lhe chocolates.
Ela, com os seus belos olhos perscrutadores desdenhou do presente. Com uma aparência irascível, foi grosseira.
Incrédulo, percebeu que o enganara impiedosamente.
Era uma impostora fascinante.
Sussurrou para si: BURRO!

Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra

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