30/03/18

EXEMPLOS - desafio nº 138


O Zézinho e a mãe foram realizar as compras finais do enxoval dos irmãozinhos... que tédio!
Na rua encontraram o padre Godofredo, que felicitou a mamã pela gravidez, mas quando perguntou ao Zézinho se preferia
um irmão ou uma irmã, ele afirmou que teria ambos, contudo, o seu sonho era ter um cão.
Uma resposta tão absurdamente inocente, repleta de pureza, originou risos imediatos, merecendo obter o sonho concretizado... o cão chegou a casa antes dos gémeos!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Alice Mortágua aprendeu a ler antes da escola, alimentava-se de personagens, de mundos só seus. Com um radar afinado, captava as vidas dos outros e levava-as para dentro das histórias.
Tentaram arranca-la da ficção, retirar-lhe a liberdade, sugar-lhe a imaginação, fazê-la advogada. Chegou a ver na morte, a única porta para a liberdade.
Certa noite, num sonho apareceu-lhe Pessoa que lhe segredou: Matar os sonhos é matarmo-nos e Alice voltou. E lutou pelo que a fazia feliz!
Paula Castanheira, 54 anos Massamá

Noivou no meu jardim, este casal de gafanhotos. Ele, robusto, de asas firmes e ela, franzina e de olhos dóceis, como os de qualquer fémea enamorada.
Decidiram casar numa manhã de verão. A borboleta e o besouro apadrinharam esta união de sangue verde, abençoada pelo escaravelho, respeitado sacerdote. Houve banquete toda a tarde na figueira do meu quintal e quando o sol se escondeu, em saltos de gafanhoto, foram de lua-de-mel, qual casal enamorado, para destino incerto.
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Não desperte
Nem eu, nem o alfarrabista, não entendíamos nada disso, logo que abrisse um livro imprimido em qualquer idioma, imediatamente falava fluente a língua desse livro.
Que hábil! E continuava a examinar entre os livros para comprar, visto que planeava férias Algarvias, um romance português.
Cheio de expectativas passei, armado com o romance português, a fronteira. Falarei português? Então, se quiser que sonhos se tornem realidade, não desperte. Pois eu precisava duma vida para falar em bom português.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica

― Olá Joaninha, que fazes por estes lados?
― Preciso de atravessar este riacho,
tenho filhos do outro lado que estão esfomeados 
e eu não sei o que fazer.
― Tem calma, vou ajudar-te a o riacho travessar.
Cortou uma folha que encontrou no lameiro.
Disse para a Joaninha desolada a chorar:
― Vem comigo nesta folha, eu levo-te ao outro lado.
― Obrigada, meu amigo Caracol, não sei como te agradecer
mas se um dia precisares, cá estarei, para o fazer.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Viu-a numa plantação vizinha e logo se apaixonou. O namoro seria rápido. O verão não tardava, havia que aproveitar a época do acasalamento. Após uma lua-de-mel de arromba, a eleita procederia ao ritual da escavação do solo com o abdómen; aí depositaria a sua centena de ovos. No Inverno, já nova nuvem de gafanhotinhos se perfilaria para o ataque.
Ah! Pobre gafanhoto, tantos sonhos para acabar em chapuline mexicano  frito, vendido em saquinhos, servido em restaurantes…
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira.

Helena sonhava ser escritora de livros para crianças. Sempre se encantara com as histórias e as ilustrações dos livros infantis. Tinha um caderninho bem guardado com ideias que nasciam na sua cabeça.
Um dia recebeu um email de Serralves a anunciar o lançamento do livro "Histórias em 77 palavras".
Curiosa, foi procurar o blog da Margarida. Leu algumas histórias e sorriu.
Aqui está uma ideia maravilhosa! 
Temos que começar por algum lado... porque não por 77 palavras?
Eliana Gaspar Rico, 51 anos, Porto

João encostou o búzio à orelha. Por entre as ondas, ouviu um cavalo-marinho que, no meio de algas, corais, plâncton, ​ordenava a uma ostra que lhe desse a sua pérola. Imaginou-se às costas de um golfinho, a mergulhar nas profundas águas quentes e cristalinas e a resgatá-la, tal como um cavaleiro a salvar a sua dama. Viu o invasor ser cristalizado. A concha defendera-se.
Despontou. Poisou-o. Atravessou a sala a correr e sentou-se ao colo da mãe.
Filomena Galvão​, 57 anos, Corroios 

Manelinho adora comida de plástico. Mas, da de plástico, mesmo... Os melhores pratos são do Burgerking, de poliestireno, feitos na Coreia. Os copos, que quase se derretem na boca, pertencem à Telepizza: os da McDonald's não são bem de plástico; são de papel plastificado, e, para quem se considera um gourmet, convenhamos... Prefere as colheres e as facas do Starbucks, com um gostinho a café. Com os garfos é que tem um problema – todos arranham a garganta...
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

Porque o Avô construíra uma Escola, desde menina lhe vaticinaram o Futuro – Professora. A ideia agradava-lhe, gostava de crianças. Mais do que “passar matéria”, queria ajudar a formar Pessoas. A certa altura, a Vida trocou-lhe as voltas. Escolhas erradas? Não o crê, ainda hoje. Dizem que “o destino” escreve direito, por linhas tortas… Talvez!
Passaram muitos anos, fez coisas diferentes. Muitas trouxeram-lhe Alegria, compensando-a daquele Sonho não cumprido. 
Tem outros, que enchem de Sol os seus dias.
Margarida Freire, 75 anos, Moita

Havia um fogo que a queimava e as lágrimas não o apagavam. A ferida aberta no ego dilacerava-a.
No início, tudo parecia fácil. Não havia numerus clausus a limitar o sonho. Mas, deixara-se arrastar no tempo, distraíra-se, as regras mudaram.
Não! Não era um pano velho que se atira ao lixo, esfiapado, amachucado. A desforra chegaria. O seu sonho seria real! Mesmo que tardasse!
Sem hesitação, partiu atrás dele. Tal como o poeta, foi com as aves…
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira

A Carlota mal queria acreditar no que acontecia! Em frente de si as bonecas ganhavam vida, os soldados de chumbo marchavam a preceito, e os cãezinhos de corda ladravam animadamente. Na caixinha de música uma bailarina em pontas revolteava a airosa saia de tule, e mil reflexos de cristal chispavam nos espelhos laterais. Desejou então que os lápis de cera rabiscassem ensandecidos mil e uma palavras de amor e sonho, na folha em branco da sua vida.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra

Adorava a Primavera e o desabrochar da Natureza! Que magníficos passeios dava!
Os campos pareciam tapetes verdes, pintalgados de cores.Viam-se malmequeres amarelos por todo o lado... Isto, trouxe-lhe à memória, recordações já distantes, da sua infância. Era Maio e ia com as amigas apanhar cestas de malmequeres com que faziam cordões para enfeitarem a cabeça, pescoço, braços e pernas. Já enfeitadas, faziam cordões que punham nas fontes, com a ajuda dos mais velhos. Eram as Maias!
Amália da Mata e Silva, 63anos, Vila Franca de Xira

Patas… Muitas patas. Casca dura. Que nojo, um gafanhoto… Mas sou eu, eu sou um gafanhoto! Arg, que raio!!!… Mas… espera volta atrás. Qual foi a última coisa de que te lembras? Pensa, pensa… Tomaste banho, sim. Deitaste-te na cama a ler. O Sonecas ficou deitado aos teus pés. Deves ter adormecido entretanto... É isso, isto é um sonho! Acorda, acorda, acordaaaaa!
Ahhhh… Ufa, acordei. Qual metamorfose qual quê. Nunca mais leio Kafka antes de ir dormir.
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa

O Sonho
― É para ti ― disse-lhe ao ouvir a campainha.
Segui-a consciente das noites que passei sem dormir, dos emails que enviei e telefonemas que fiz. Todos sem êxito mas, quando estava prestes a perder a esperança, a ajuda chegou através de uma senhora que conheço vagamente. 
Escrevi imediatamente para o endereço que me deu e eis que ali estavam eles, sorrindo para uma adolescente que ria e chorava perante algumas das pessoas que mais desejava conhecer.
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas

O Sonho e a Virtude
Foram o Sonho e a Virtude, viajar por esse mundo afora, à cata de gente que os seguisse, na prossecução do bem, os imitasse nos sorrisos francos. Andaram por toda a Terra e muitos prosélitos conquistaram, sobremaneira na pose e no talento da inocência infantil. Uns duvidaram do êxito de tal empreitada, outros acolheram de bom grado a feliz ideia. No desfile, foi a esperança a mais resiliente, essa reformadora social. Sonhemos pois, e alcançaremos a virtude.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

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