30/05/18

EXEMPLOS - desafio 142

A viagem
O fato aconteceu lá distante, noutro continente.
Via-se a chegada à estação do expresso.
A viagem, promessa feita sendo cumprida alegremente.
pensamento voava, pousava em cada comboio.
De repente aquela dor no rim voltou.
Ele começou com a cor fantasmagórica novamente.
Mas que porca miséria, não era hora!
Retiro o seu calçado, odor se espalha. 
Deitou no banco e puxou o cortinado.
Começa a limpeza pelo dedão do pé.
Agora, a travessa do lanche pode vir!
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Tamanha miséria, a que vai nesta casa!
Nem uma única pastilha de café expresso?!
Travessa dos bolos, partida e mal remendada.
O cortinado da avó, queimado de cigarro.
Que generosos!, deixaram um rim no congelador.
Fantasmagórico, sería o adjectivo ideal, não acham?
E que bela limpeza me espera aqui...
Pensamento positivo, vou encontrar a melhor solução!
Primeiro, Continente ― sem comida e detergente... impossível!!!
Promessa de escuteiro, não alugar a desconhecidos.
Retiro o que disse, "Airbnb" não compensa!!!
Mariana Sanchez, 39 anos, Barcelona 

Ontem fora-lhe diagnosticado problemas graves no rim.
Lavou, estendeu, engomou e pendurou o cortinado.
A limpeza deixou-a com dores, de rastos.
Tomou um expresso, podia ser que ajudasse.
Ainda pegou na travessa do peixe assado.
Zás, catrapás — tudo no chão, que miséria!
Contorcida, olhou-se ao espelho: Que ar fantasmagórico!
Fez uma promessa: ia cuidar de si.
Ia sair da ilha rumo ao Continente.
Fazer um qualquer retiro espiritual certamente e
Ter um único pensamento: curar-se pelo transplante.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios

A promessa
Abrir o cortinado era meu primeiro ato.
E seguidamente preocupei-me com a limpeza diária.
Foi minha promessa prometida à querida mãe.
Que expressamente foi levada para o hospital.
Ali estava ligada a um rim artificial.
Ora, misérias da vida nunca vêm sozinhas.
Talvez lhe  devam  retirar o rim contaminado. 
Os problemas aproximaram-se rapidamente como imagens fantasmagóricas.
Pensando no pai, também está de cama.
Não posso esquecer para despejar seu continente.
E, ainda falta uma travessa com frutas.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica

Opções
Passear no continente, é a sua distração.
Miséria ou virtudedos que amam demais.
Porque amar apenas uma pessoa, é promessa.   
De olhar fantasmagórico, aconchegam-se ao único destino.
No café expresso, sorvem o amargo amor.
pensamento divaga, mas não se arrependem.
Aquele amor dá-lhes plenitude, coerência, justiça - limpeza.
Mesmo que, atrás do cortinado, percam lágrimas.
A vida em retiro, amor em sincronia.
Travessas sempre com flores e chocolate - harmonia.
De rins nem falar, a chuva redime-os.
Ana Beatriz. 39 anos, Lisboa

Acordou cedo e abriu logo o cortinado. O nevoeiro cerrado tornava fantasmagórica a paisagem. Quase parecia ter acordado num outro continente
Longo, o caminho de expresso para chegar. Cruzara montanhas e vales, atravessara o deserto!
Acabava de vencer um cancro num rim... Nem viver na miséria fora tão difícil!! Pensamento positivo e fé, os grandes aliados!
O quarto parecia imaculado, reinava a limpeza. Era austero, adequado para aquele retiro espiritual.
Estava pronta para cumprir a promessa feita!
Eliana Gaspar Rico, 51 anos, Porto

― Oh Manela, vais fazer a limpeza semanal?
Perguntou Antónia, antes de ir ao continente.          
― Sim, retiras a travessa e tapas tudo.
Recomendou a patroa, retirando-se a alta velocidade.  
No caminho, tomou um belíssimo café expresso.
Nesse local, seus pensamentos viajavam pelo mundo.
Antónia fixou-se num sítio altamente fantasmagórico ― Madeira.
Recordou a miséria em que lá vivia.
A única alimentação era rim de borrego.
Sair da Madeira, uma promessa já cumprida.
Agora, era feliz, os cortinados deram-lhe fama.  
Martim Mendes, 14 anos, Lisboa

Apanhou  o EXPRESSO na gare do Oriente.
Entrou, sentou-se, desviou um pouco o CORTINADO.
Na próxima paragem havia um RETIRO espiritual.
Faltava-lhe LIMPEZA mas transmitia-lhe a paz desejada.
Sentia a necessidade de cumprir aquela PROMESSA.
Quando o médico diagnosticou o problema no RIM.
Aquela imagem FANTASMAGÓRICA, não saía da cabeça.
Ansiava conhecer aquele país, no CONTINENTE africano.
No PENSAMENTO trazia a imagem dela feliz.
Quando o esperava naquela mesma TRAVESSA escura.
E na MISÉRIA de nada lhe oferecer.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela

Tanta TRAVESSA, tanto prato, tanto para lavar!
A LIMPEZA da mansão deixou-me de rastos.
Forte dor nos RINS instalou-se, inflexível, estúpida.
Fecho o CORTINADO para dormir e esquecer.
Nem este RETIRO no quarto me apazigua.
Imagens FANTASMAGÓRICAS perpassam-me o cérebro tenso, cansado.
E o meu PENSAMENTO só quer viajar.
Partir, fugir deste CONTINENTE buscando melhores dias.
Renegar esta vida de MISÉRIA, tão subserviente.
Entrar apressadamente no EXPRESSO da meia-noite, desertar.
Com uma única PROMESSA: jamais aqui voltar.
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira

Estava longe do continente, na desejada ilha. Só consegui apanhar o expresso das dez. Cheguei ao tal retiro com uma fome! Deram-me uma promessa de um festim único. Eu já estava com um ar fantasmagórico. No meu pensamento surgiam iguarias mesmo deliciosas. Desviei o cortinado e espreitei a cozinha. Uma empregada de limpeza caminhava com dificuldade. Levava uma travessa grande cheia de miudezas. Bolas, tinha fome mas comer um rim?! Que miséria, nem uma sopinha de legumes…
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa

Acordei com o pensamento naquele lugar idílico
Mas abriste o cortinado, tudo se esvaziou
As memórias, as promessas e as loucuras
Desvaneceram como comida numa travessa bem cheia
Miséria de gente com fome e sede
Davam um rim em troca de tudo
Não sonham com continentes e suas gentes
Com viagens por lugares fantasmagóricos e sombrios
Que nos limpam a alma e mente
E o desejo de retiro, de sossego
Expressa-se simplesmente num sonho que voou…
Maria Bastos, 46 anos, Porto

Foi encontrado no continente americano espécie desconhecida.
Monges, que em 
retiro estavam, se assustaram.
Chegaram fazendo 
promessa: tudo aqui vai mudar.
Uma 
limpeza geral, urgente, precisa ser feita.
Tanta 
miséria que se espalha, chega, arrebata.
Viemos no 
expresso do oriente, estamos descontentes.
Pensamento emaranhado, por onde começar; que lado?
Parece pedra no 
rim, caos sem fim.
Envoltos num 
cortinado voam pra todo lado.
Num olhar 
fantasmagórico, um velho monge assustado...
Solta a 
travessa no chão, cai desmaiado.
Majoli Oliveira, 56 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil


Fechei o cortinado, já não aguentava mais.
― Não retiro o que lhe disse, nunca!
Que brincadeira essa, meter ratos na travessa! É bom que te venha ao pensamento... Sim, acabou a promessa, não há rim. Nem sequer o expresso que tanto gostas.
Se queres vai tu ao Continente, anda!
Podes até tentar o teu ar fantasmagórico...
Podes até fazer promessas de limpeza profunda.
Não vou dar o braço a torcer!
― Que miséria, estás a falar dum gato!
Francisca Reis, 17 anos, Cantanhede

Jerónimo Continente permaneceu parado na porta, incrédulo.
No rosto expressava a incredulidade que sentia.
Tudo parecia saído de um filme fantasmagórico.
Pestanejou esperançoso mas a miséria continuava ali.
O cortinado, além de roto, estava nojento. 
No frigorífico um prato de rins esquecido.
Junto à mesa jazia uma travessa partida.
Começava a achar aquele retiro péssima ideia. 
Quem pensara alugar a casa naquele estado?!
Uma mera limpeza não resolvia a situação.
E ele que se prometera uns dias...
Carla Silva, 44 anos, Barbacena 

Atrás do cortinado do dormitório, Julinha cismava. Não se conformava com a miséria circundante. Liberto de amarras castradoras, o pensamento voava. Sabia que o poeta chegava do continente. Determinada, saltaria pela janela, correria Travessa fora. Encontrar-se-iam no porto, lembrá-lo-ia da promessa feita. Num golpe de rins resolveria a situação. Esquecer tudo, todos, seria uma limpeza geral.
Denso nevoeiro cobre agora Fajã do Retiro. Um navio desaparece engolido por fantasmagóricas volutas. Incrédula, sentindo-se ultrajada, Julinha expressa desesperada consternação.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

Horrores
Lucas manteve a promessa  e continuou voluntário.
O reinado de terror estava-lhe no pensamento.
Culpava-se da miséria , do sentimento de impunidade...
Médico, sobrevivente, encontrou um retiro para cuidar.
Separado por cortinados Ema gemia num catre.
Desesperado, frenético, agarrou na travessa com bisturis.
Ema foi esfaqueada, operou, retirou o rim.
Horrorizado, angustiado, devastado, chorou antes da limpeza.
Sentia-se culpado, traumatizado, a aparência era fantasmagórica.
A namorada atravessara o continente para ajudar.
Expressamente relembrou a magricelas, personalidade contagiante, Rezou ...
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra 

Entrou no quarto, o seu novo RETIRO
Cheirava a LIMPEZA e lavanda como gostava
CORTINADO aberto, deixava entrar o sol
A cama impecavelmente feita PROMETIA noites descansadas
Sim, ali iria conseguir tranquilizar os PENSAMENTOS
Doeram-lhe os RINS, memória das pancadas levadas
Respirou fundo, tentando apagar esse passado FANTASMAGÓRICO
Raciocinou, pois, toda aquela MISÉRIA tinha acabado
Graças a amiga, conseguira apanhar o EXPRESSO
Fizera a longa e dura TRAVESSIA, amedrontada
Mas finalmente chegara a salvo ao CONTINENTE
Silvina, 48 anos, Sintra

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