30/04/19

EXEMPLOS - desafio nº 169


CALEI-ME quando percebi que não era o mesmo assunto. E também não tinha importância.
Depois DAQUILO que aconteceu, LEMBREI-ME que tinha prometido não falar,
MAS como não era confidencial, era COISA que tinha acontecido num passado tão distante.
QUALQUER um devia DIZER mas não PODIA criticar, porque a qualquer um pode acontecer.
Todos temos telhados de vidro, e quando o amor bate à porta, não lhe importa quem abre,  entra sem pedir licença e não dá satisfações,
Natalina Marques, 60 anos, Palmela


Deslumbrada com a história que o lugar testemunhou, calei-me. As palavras ficaram suspensas entre os livros das estantes altas e o disto e daquilo que atordoa os sentidos. Lembrei-me da possibilidade de ter estado ali muitos anos antes e ter respirado a alma dos lustres, das madeiras, das vozes sussurradas e do restolhar das saias, mas uma coisa qualquer, breve, intermitente, reclamou a realidade para me dizer que o sonho podia mas nem sempre comandava a vida.
Sandra Évora, 46 anos, Sto. António dos Cavaleiros

Estava um dia muito agitado na agência. Muitas reclamações e o chefe chamou-me. Discutiu comigo. Calei-me e daquilo não queria saber, porque eu não contribuíra para tal situação. Lembrei-me que tinha havido uma avaria no sistema informático, pela manhã, que não tinha sido reparada, mas que não era da minha responsabilidade. A “coisa estava a tornar-se feia. O chefe estrebuchava. Um ruído qualquer chamou-me à razão. Nada a dizer neste momentoPodia apenas esperar por um milagre. 
Emília Simões, 67 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Pus o dedo no ar, imediatamente a professora me deu a palavra. Respondi bastante confiante. Contudo, os meus colegas riram-se, por isso, calei-me, e nunca mais me esqueci daquilo. Na semana seguinte, estava prestes a responder, mas não o fiz, pois lembrei-me desse dia. Mas, estava certa da resposta... Que coisa... Não me sentia segura ao responder a qualquer pergunta que fosse: se alguém me perguntasse o nome, ficaria receosa de o dizer, pois podia estar errado.
Sofia Falcão, 12 anos, Cascais

Em pânico
Um alarme soou. Calei-me e, porque ninguém espera daquilo que não pode ser predito, reagia em pânico. Um cheiro a queimado saía da cozinha. Lembrei regras em caso de incêndio, mas imprecisas:
Não perca o sangue frio e proteja-se com uma coisa qualquer molhada.
Pela saída de emergência fugi em pijama para o vestíbulo hoteleiro, com uma toalha encharcada enrolada à cabeça.
Ora, o gerente não arriscava dizer que um bolo queimado causara o alarme. Podia arriscar…!
Theo De Bakkere, 67anos, Antuérpia, Bélgica

Mesmo tendo as palavras querendo para fora colocar, calei-me.
Tentava nem pensar... Precisava daquilo esquecer.
Quando questionada, quase falei. Lembrei-me entretanto da surpresa que faria. Mas resisti enquanto pude.
Cada vez mais me sentia forçada, porém a coisa para mim complicaria muito.
O que qualquer um faria na minha situação?
Acabei pela verdade toda dizer.
Assumi ter atacado a geladeira, comendo todo o pudim, antes da festa. Agora podia em paz dormir.
Pena! A barriga não deixou.
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Calei-me! Apenas o seu discurso se ouvia, fazendo o chão ruir por baixo dos meus pés.
Nada podia prever que daquilo que outrora se pautara por um amor quase inflamável, terminasse assim.
Naquele instante lembrei-me de toda a cumplicidade que ilustrava nossos atos, mas agora haveria coisa mais importante que o meu amor-próprio?
Desolada, compreendera que o amor acabara ali e que qualquer coisa que pudesse dizer ou fazer, já nada podia mudar o rumo das coisas.
Graça Pinto, 60 anos, Almada

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