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19/03/19

Ana Seixas Silva ― desafio 126


Tenho andado a mil, ora me sinto feliz – quase no céu – ora me sinto angustiada – como num dia de teste no liceu, ou num dia de prova escola primária: apavorada.
Por vezes tranquila, sereno quem me rodeia; outras vezes impaciente, irrito tudo à minha volta.
Assim vou vivendo: um dia sim, um dia não, num dia chove no outro faz sol.
Agora alegre, logo a seguir triste.
Com altos e baixos, vivo de forma inconstante – sinto-me intermitente.
​​​​​​Ana Seixas Silva, 45 anos, Nelas
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

14/11/18

Elisabete Anastácio ― desafio 126

Sentia-se intermitente, como os sinais amarelos de semáforo, que não param de piscar, irritantemente. Raio de sensação aquela que o invadira desde o momento em que abrira os olhos. TInha acordado assim, a intervalos e sem qualquer aviso, sentia aquela alternância entre a capacidade, talvez ilusória, de controlar as coisas com o equilíbrio habitual que o caracterizava, com normalidade, o caos total e o vazio completo. Que tríptico mais estranho que se havia criado na sua cabeça.
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

30/05/18

Fátima Fradique ― desafio 126


Precisava decidir! Sentia-se intermitente! Desejava partir, mas a saudade antecipada impedia-o. Desejava ficar, mas a ambição impelia-o. Porquê optar? A dúvida atormentava-lhe a mente e o coração! Observava a esposa e o filho que o fixavam com olhos inquiridores, tentando descobrir a decisão tomada. Facilitaram-lhe a decisão, quando lhe comunicaram que deveria aceitar a proposta de emprego, que o visitariam todos os fins de semana e que uma videoconferência diária cuidaria da saudade até ao encontro semanal
Fátima Fradique, 44 anos, Fundão
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

29/05/18

Mariana ― desafio 126


Na minha rua, existe um sinal que se estraga sempre que há uma trovoada.
Como naquela noite houve uma trovoada enorme, o sinal ficou estragado.
De manhã, quando estava a ir para a escola, o sinal estava muito confuso: uma vez dava verde, outra vez dava vermelho, uma grande confusão. Nem quero falar de como estava o trânsito por causa disso! O sinal sentia-se intermitente e, com isto, os carros e os peões tinham de ter cuidado.
Mariana, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

28/05/18

Sofia ― desafio 126

Entrei no “Take-away”. Havia arroz com feijão e arroz de marisco. Senti-me intermitente. Não sei o que escolher… Levo os dois, assim há mais comida para mim!
Entrei na loja de roupa, fui para a parte dos macacões. Gostei do florido e do azul-turquesa. Senti-me indecisa. Não sei qual escolho… Levo os dois, aliás, eles estão em promoção!
Estou sempre a sentir-me intermitente. Nunca sei o que escolher.
Bem, assim pelo menos fico sempre com os dois!
Sofia, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

15/05/18

Helena Rosinha ― desafio 141


Senta-se na esplanada frente ao escritório; folheia o livro de aventuras ali abandonado. Nas imagens, descobre o poeta declamando versos: romântico, de capa pelos ombros, adaga à cintura, ar agarotado. Enlevada, é nele que pensa antes de adormecer. O cérebro divaga, a cabeça pende, os minutos passam. Da mesa ao lado, brotam gargalhadas, abrem-se garrafas, saltam tampas. Estremunhada, Julinha ensaia uns passos, cambaleia; chamam a Emergência SOS, fica em sossego.
Das páginas do livro, o poeta observa.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 141 ― 3 letras do fim no início da palavra seguinte

Esplanada - adaga - agarotado - adormecer - cérebro - brotam - tampas - passos - SOS - sossego

3º/4º B, EB Galveias ― desafio 126


Pisca-Pisca e El Semáforo
Um semáforo parado no meio da rua sentia-se intermitente e dizia:
― Ai meu Deus, estou doente!
― Cala-te Pisca-Pisca! – disse outro semáforo.
― Como é que eu me posso calar, se estou a provocar o caos na cidade?!
― Liga para a fábrica do Dr. Geringonça, o famoso “El Semáforo.”
Buu… buu… buu…
― El Semáforo ao seu dispor, em que o posso ajudar?
― Estou meio avariado, desorientado, encravado…
― Num piscar de olhos estou aí!
Vitória, vitória acabou-se esta pequena história.
3º/4º B, EB Galveias, professora Carmo Silva
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

16/01/18

Ana Pegado ― desafio 126

No princípio a escuridão era total. Depois, aos poucos, os olhos habituam-se e leves sombras de estranhas formas vão-se desenhando em todas as direções. Começava a sentir-se intermitente, ora estava presente, ora ausente. Como se tivesse um botão que alguém sadicamente ia ligando e desligando a seu bel-prazer. E de ausência em ausência ia se sentindo cada vez mais fora de si, mais longe. Longe da vida, mas perto de uma qualquer coisa que não conseguia distinguir.
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

07/11/17

André Moreira ― desafio 126

Vagueando pela noite no ensurdecedor silêncio da escuridão, encontrei três homens encapuzados. Não sabia o que fazer, sentia-me intermitente. “Telefono para a polícia?”. Decidi que tinha de impedir aquele assalto.
Tentei agir, lançando-me para cima dos assaltantes, mas tudo o que consegui foram duas costelas partidas e a bacia rachada. Pelo menos, a loja não foi assaltada devido à sirene da polícia.
O dono da loja agradeceu e garantiu-me parafusos vitalícios, incluindo um para a minha bacia.
André Moreira, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


Isabel Sousa ― desafio 126

Sentia-se intermitente
Nasceu assim e nunca mudaria. Em cada toque seu, quase musical, perdia o fôlego. Retomava-o um pouco depois, como se pedisse desculpa. Sentia-se, incrivelmente, intermitente!
Como admirava essas campainhas enérgicas, sonantes, que nunca se calavam e a quem todos obedeciam. Certo dia, caiu-lhe um parafuso e desatou a tocar, sem parar.  Estafada de tanto esforço, chorava pedindo que a desligassem. Foi chamado um eletricista que a consertou.
Finalmente, como era bom voltar a ser como era dantes!
Isabel Sousa, 65 anos, Lisboa
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


24/10/17

Cristina Almeida ― desafio 126

Olhou o relógio: só lá estava há 30 minutos…mas a espera, como parecia longa a espera. Não apercebia o que acontecia ao seu redor; nem notava o corre corre dos que, apressados, deambulavam à sua volta.
Nada o interessava… ele continuava à espera. Era a sua primeira vez…
Sentia-se intermitente.
Saltitava sem parar da cadeira para a janela e da janela para a cadeira. Até que soou nos altifalantes: “Abriu o embarque para o voo TP9999 “
Cristina Almeida, 57 anos, Maia

Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

18/10/17

Matilde Faria ― desafio 126

Estava no meio da ponte, e o nevoeiro intensificava! Cada vez mais denso, impedia-a de observar o voo da ave branca. Aparecia, logo desaparecia, sentia-a intermitente! Trazia a mensagem da data do regresso de seu pai. Ao aperceber-se do seu desaparecimento, o medo aumentava. Conseguiria a ave transpor o nevoeiro e encontrá-la?
Até que a bruma deixou de cobrir a ponte, desvanecendo, e o recado foi surpreendentemente entregue pelo seu pai. A guerra terminara, a paz dominara!
Matilde Faria, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


17/10/17

Joana Silva ― desafio 126

Olhas-te ao espelho e já não és o mesmo. Vês o teu mundo a desmoronar diante dos teus olhos. Tu mudaste, eles mudaram, tudo mudou. Sentes-te intermitente. Ora vives, ora sobrevives. De um momento para o outro, escorregas em memórias e em possíveis cenários de tragédias psicológicas. Choras, tremes, passas as mãos pelo cabelo vezes e vezes sem conta. Limpas as lágrimas e um sorriso aparece no teu rosto. Ninguém precisa de saber como realmente te sentes.
Joana Silva, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

Gonçalo Gonçalves ― desafio 126

Desde a festa do João que me sinto intermitente. Já não é só a cabeça que se afasta. Agora é a minha alma, o meu ser. Eu sabia que não devia ter experienciado… De tantos avisos que me deram e que sempre achei sem importância, fui, mesmo assim, experimentar. Porque é que lhes dei ouvidos? Devia ter ficado em casa naquele dia. Imagino a mácula que será quando falar com os meus pais. Acho que vou desligar…
Gonçalo Gonçalves, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

António Vaz ― desafio 126

Estava um dia soalheiro e quente. Toda a gente tinha um enorme sorriso no rosto. O ambiente era alegre e divertido! Só eu estava triste, embora não soubesse porquê.
Ora me sentia pesaroso ora me deixava contagiar por tal contentamento. Sentia-me… intermitente. Como costumava andar animado, toda a gente na escola estranhava o facto de eu estar assim e comentava-o pelos corredores, até mesmo os professores.
O que se passava, afinal, que nem eu percebia? Ai, adolescência!... 
António Vaz, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


16/10/17

Amélia Meireles ― desafio 126

Amava-o desmesuradamente e talvez isso justificasse o seu viver descontínuo. Sentia-se intermitente. Sentia-se dona do mundo quando Gil estava no seu melhor. O quotidiano era de uma inquietante harmonia que a fazia acreditar ter encontrado a sua alma gémea. Porém, quando bebia, por razões que nunca entendeu, era a pessoa mais aterrorizante que conhecera. O terror, pintado pela raiva e pelo incerto venceu e, apesar de ter períodos de magia e plenitude, separou-se de quem tanto amava.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


14/10/17

Carla Silva - desafio 126

Intermitências
Sob a luz trémula o espelho devolve-lhe um reflexo cansado. A frustração apodera-se dela ao ver-se.
Milo partira há imenso tempo e desde esse fatídico dia que se sentia… Como se sentia!? Não sabia ao certo.
Era um misto de tristeza, agonia, até vergonha ao recordar como fora idiota.
Como não percebera que a usara!?
Fora descartada tão facilmente como seria aquela lâmpada ao queimar-se.
Olhou a lâmpada que piscava. Era assim que se sentia… sentia-se intermitente!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


12/10/17

Paula Castanheira – desafio 127

Há já muito tempo que vivia assim!
Sentia-se intermitente entre a euforia e a depressão.
As constantes mudanças de humor, revoltavam-no. Queria desaparecer de si próprio.
Escarafunchava nas entranhas, em busca de paz, mas cada vez se enterrava mais num lamaçal de emoções antagónicas.
Naquela manhã, mudava de canal, sem encontrar o que lhe prendesse a atenção, de repente ali estava aquele documentário sobre uma tal Doença Bipolar.
Tinham-lhe entrado pela vida adentro, era dele que falavam!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente


10/10/17

Natalina Marques – desafio nº 126

Sentia-se intermitente
Os malditos soluços não passavam.
― Fica uns minutos sem respirar... ― disse-lhe a mãe, já impaciente.
Não deu resultado, bebeu sete goles de água sem respirar, também não surtiu efeito.
Já desesperada, sem saber o que fazer, lembrou-se de telefonar para a farmácia
e perguntou se tinha algum remédio para os soluços.
Estava nessa conversa, quando o pai chegou, e muito aflito, perguntou o que ela tinha.
― Sente-se intermitente, como a lâmpada do candeeiro que ainda não mudaste.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

Isabel Lopo – desafio nº 126

«É agora ou nunca! A miúda é muito gira, vou convidá-la para sair. E se levo uma tampa?», hesitou. Sentia-se intermitente como a luz do seu telemóvel. «Estou lixado se isto falha…» Mas arriscou. Deixou tocar até ela atender. Naquele minuto, o écran apagou-se... Em desespero, atirou o telemóvel ao chão. Foi então que o ouviu tocar. Espantado, apanhou-o. A luz, agora num brilho contínuo, iluminou-lhe o coração... E, segundos depois, ouviu a voz tão esperada: «Falaste-me?»
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Desafio nº 126 – sentia-se intermitente