24/03/18

Carla Silva ― desafio 137


O jardim
A visão da rosa que te ofereciam recordou-me as tuas palavras anos atrás.
"Uma relação é como um jardim, se não o cuidas morre"
Ri da comparação!
Hoje, ao ver-te segurando a mão de outro que não eu, percebo como fui
 burro.
Perdi-te porque me neguei ver as ervas daninhas.
Revoltado comigo, puxei do
 isqueiro e acendendo um cigarro passo por ti fingindo não te ver nem ver o "jardineiro" que cuidava do "jardim" que fora meu.
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro


Celeste Bexiga ― desafio 136


Sonho
João tinha um sonho. Ser actor.
No entanto era muito anti-social.
Conheceu um amigo, que ao contrário era muito social.
Lutava todos os dias para se sobrepor ao problema.
Esse amigo, ia ajudá-lo a pôr o sonho no caminho certo.
O amor pelo teatro dava-lhe predisposição para conseguir, mas por vezes fugia a disposição.
Não queria de modo nenhum ser um microactor, mas grande actor.
Não trair o grande sonho pela timidez, mas extrair de si o medo.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio 137


Coincidências!
Andava Rosa feliz por se ir encontrar com os amiguinhos na aldeia dos avós. A família, numerosa, reunia-se num almoço, pretexto para o reencontro dos familiares, alguns da diáspora, outros na sedentarização da terra jubilosa, berço querido de todos. Ao chegar, foi ver o burro, seu companheiro de pequenas jornadas. Quando corria, ansiosa, tropeçou num estranho objecto: um isqueiro, com nome gravado do primo da charneca.  Para lá se encaminhou, imaginando as muitas aventuras que a esperavam...
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro


Colette Johnston ― escritiva 30


Mais uma livraria que abre portas em Lisboa.
É mudar só uma palavra para a notícia ficar boa!
As vendas de livros aumentam; toda a gente está a ler.
Pelas ruas do Chiado há alfarrabistas a vender.

Com a minha lista de antónimos do caderno da escola,
O jornal, uma tesoura, a minha caneta e a fita-cola
Vou poder salvar o mundo, ou pelo menos a “Trindade”
Que ficará na Rua do Alecrim para toda a eternidade!
Colette Johnston, 57 anos, Valladolid, Espanha 
Escritiva nº 30 ― notícia boa


Martim Mendes ― desafio 5


José, muito feliz, assistiu ao jogo de futebol, em Lisboa.
Meu amigo vinha equipado a rigor, mas todo esfarrapado, porque brigou.    
Modo disfarçado, lá foi subindo lentamente as escadas, cambaleando, tropeçando, envergonhado.
De manhã, a mãe ficou nervosíssima, devido à confusão naquelas escadas.
Saber tudo o que tinha acontecido era difícil, mas procurou investigar.
É difícil de aceitar para qualquer mãe, o José tinha bebido!
Adoecendo, permaneceu deitado até que a mãe decidiu fazer-lhe um chá.
Martim Mendes, 14 anos,  Lisboa
Frase retirada do Poema de Mia Couto  “A Luz da dor”
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Theo De Bakkere ― escritiva 30


Progresso
Que desengano! Nem com uma lupa na mão encontrei notícias boas. Devia cavar na memória para descobrir uma, que me tinha deliciado, e comigo o mundo inteiro. Foi em 1961, a rádio informou que o homem, pela primeira vez, circulava no espaço em torno do globo. Imagina-te, todos os vizinhos estavam fora a apontar excitados para o Sputnik, também eu, e ao pé de mim Laica, assim apelidada como a cadela que precedera Gagarin neste progresso humano.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Escritiva nº 30 ― notícia boa


Sérgio Felício ― desafio 16


Aquecimento
Alguém tem de ajudar o nosso planeta a manter-se, porque a poluição, essencialmente, das fábricas, origina aquecimento global. Indústrias usam combustíveis fósseis e libertam CO2 artificial para o ar, aumentando a temperatura na terra (1,5 grau centigrado). No ano 2015, a concentração de CO2 foi 3,5 partes por milhão (ppm), em 2016 foi 402,9 ppm. Isso provoca gelo a derreter, subida do mar, o desaparecimento das ilhas, a não circulação das aves migratórias por falta de alimento,…
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra 
Desafio nº 16 – uma palavra que define todo o texto


21/03/18

3ºA da EB Alto do Moinho ― desafio 5

A árvore grande era conhecida em toda a ilha e essa
árvore era bonita e muito importante. Tinha uma copa redonda que
era o orgulho de todos os aldeões. Mas aquela árvore muito
bonita tapava as ruas e as casas com a sua sombra
e decidiram cortá-la, dividir a madeira toda e fazer uma barca
muito grande para viajar pelo mar. Assim, nunca esqueceram a árvore
importante e especial que era a alegria de toda aquela ilha.
3ºA da EB Alto do Moinho, Agrupamento de Escolas de Vale Milhaços – Corroios, prof Cristina Pimenta
Frase retirada de "A árvore", de Sophia de Melo Breyner
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Leonor Pedrosa - desafio 15

O meu querido pai
É muito brincalhão, 
Bem eu sei... 

Mas quando me apanhou
A fazer asneiras 
"Ele ficou furioso, 
Mas não me importei."

Ele é muito fofo comigo, 
Dá beijocas como ninguém!
Mas quando fica zangado 
 É melhor fugir para um armazém!

O meu querido pai 
Muito pouca comida sabe arranjar... 
Por isso, tem de estar a minha mãe
Sempre a cozinhar...

Muito amor eu lhe dou, 
Muito carinho ele me dá, 
O meu querido pai!
Leonor Pedrosa, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
"O Diário de Anne Frank", Anne Frank: "Ele ficou furioso, mas não me importei."
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro

Maria João Cortês ― desafio 77


77 palavras,   
para nos ajudar a passar os minutos que fazem parte da vida. 
Para quê querer passá-los depressa se é menos vida que nos resta. 
Talvez na esperança de melhores minutos,
daquele sorriso cheio de Amor,            
daquela palavra que nos aquece o coração,  
ou do mar em dia de tempestade              
ou daquele cheiro maravilhoso a erva molhada
quando no inverno abrimos a janela no campo.
Não, decididamente, quero aproveitar todos os minutos a que tenho direito.
Maria João Cortês, 75 anos, Lisboa
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue


Mafalda Domingues ― desafio 15


Num sonho, podes imaginar
Mil coisas engraçadas
Todas sem parar
Muitas delas nunca imaginadas.

“O sonho é ver as formas invisíveis”
Pois nesse tempo estás a dormir
E as coisas são imprevisíveis
Até podem ser de mentir.

Sonhar é tudo de bom
Criámos lindas histórias
Todas no mesmo tom
Algumas delas paródias.

Às vezes acordámos com um pesadelo,
Mas depressa recuperámos
Fazemos um apelo
E bem depressa ficámos.

Sonhar é ver as formas invisíveis
Que parecem visíveis.
Mafalda Domingues, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Primeiro livro de Poesia, Fernando Pessoa :  “O sonho é ver as formas invisíveis” 
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro


Quita Miguel ― desafio 137


Um verdadeiro burro
A tia Rosa, só a contragosto, viera para o jardim, em busca do sereno do final de tarde, que espalhasse a fumaça e enviasse o mau cheiro para longe. O marido caminhava sempre com o habitual isqueiro, que guardava no bolso das calças. No seu papel de imbecil e distraído, deixou que as chamas invadissem os bolsos e deixassem esse pateta, burro e teimoso, com o traseiro todo chamuscado. Agora, seguir-se-ão dias deitado de rabo para cima.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005


Sofia Lopes ― desafio 15


Deitado na areia, com a água a bater-lhe nos pés, ele pensava. Pensava no mar, na vida… Começou a questionar os seus amigos, a sua família, ao que nós chamamos vida. Fez uma promessa, a si mesmo, que ia viver até haver uma cura para tudo. E a promessa manteve-se até ao vento deixar de soprar. Depois, sentiu que isso não ia resultar. Só na imaginação de uma pessoa espetacular. Mas tentou; mas desistiu. Depois, continuou lá.
Sofia Lopes, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Frase retirada de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe: E a promessa manteve-se até ao vento deixar de soprar.
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro


Elsa Alves – escritiva 30


O que quero dum poema? Que ele seja manifesto pessoal, medida encantatória. Mais que um ser inspirado, desejo um poeta inspirador, artesão da linguagem que me torne parte dos seus segredos, me integre num património comum de afetos, subjugue a escuridão e as suas assembleias de culto. Quero que o seu canto de homem lúcido me faça celebrar a vida, simultaneamente, na sua normalidade e na sua transcendência. Quero um poema que aconteça profundo, imprevisível, sentido, indomável. 
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Notícia do Público : 23 Março Nova coleção de discos de poesia começa c/ David Mourão Ferreira
Escritiva nº 30 ― notícia boa


77 palavras contra a discriminação racial

Foto de Alto Comissariado para as Migrações - ACM, I.P.
No Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial que se assinala esta quarta-feira, dia 21 de março, a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial lança, com o apoio do ACM, o Concurso Nacional “77 Palavras Contra a Discriminação Racial”. Um desafio de escrita criativa que tem por finalidade convidar à redação de textos exatamente com 77 palavras que promovam a interculturalidade e o combate à discriminação racial. O prazo de candidatura termina a 4 de maio de 2018.
O Concurso é aberto a qualquer cidadão/cidadã residente em Portugal, independentemente da sua nacionalidade ou profissão, a partir dos 7 anos de idade.
Consulte o Regulamento e obtenha mais informação em www.acm.gov.pt e www.cicdr.pt ou através do e-mail 77concurso@acm.gov.pt


Muita atenção ao regulamento e às declarações que deverão ser enviadas. Participem!

4º E, EB1 Artur Louro ― poema em 77 palavras


Poema em 77 palavras
Era a sexta vez
Que aquele gato aparecia;
E já era a quinta vez
Que roubava a melancia!

O senhor Joaquim
Ficava muito nervoso.
Na mercearia faltava
Aquele fruto precioso.

Montou uma armadilha
De rede e madeira.
Apanhou o gato logo!
Foi uma caça de primeira.

O gato aprendeu a lição
E ficou bem educado.
O Joaquim deu-lhe salmão…
Comeu-o deliciado!

O gato tornou-se fabuloso!
E o Joaquim emocionado
Deitou-lhe olhar carinhoso….
O gato foi adotado!
4º E, EB1 Artur Louro, Agrupamento de Escolas Carlos Gargaté, professores Fernanda Reigada e Susana Sousa


Márcio Rafael Salgueiro Campos ― desafio 43


Era uma vez uma gota feita de terra que caia sem parar…
A gotinha desta história vivia numa montanha, que ia ficando cada vez mais alta.
Da nossa gota nasciam outras gotas de terra, que se espalhavam em ondas concêntricas…
A nossa gota queria fazer um mundo diferente e melhor.
A nossa gota queria fazer um mundo novo, onde todos os homens fossem ao baile, dançassem e se sentissem bem.
Tudo começou com uma montanha de gotinhas.
Márcio Rafael Salgueiro Campos, 12 anos - Lisboa, EB 2,3 do Alto do Lumiar, 5ºE, Prof Maria João Lamas
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água


Ana Sofia Alves Borges ― desafio 43


A Gotinha que caiu, numa superfície lisa de água, era um pingo de chuva muito forte.
A gotinha tinha corajosos músculos e fazia coisas de supermulher.
Num dia de calor, a gotinha encontrou o super-homem e tiveram um valente romance.
Apaixonados e cada vez mais destemidos, agora enfrentam a vida juntos.
Atentos e ousados, correm a ajudar todos o que precisam.
Desafiam tudo e todos…
E todos vamos ficando contentes, porque há alguém que nos acolhe.
Ana Sofia Alves Borges, 12 anos - Lisboa, EB 2,3 do Alto do Lumiar, 6º B, Prof Silvestre Soares
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água



André Filipe Soares Silva Martins ― desafio 43

A gota que caiu numa superfície lisa de água era uma gota mágica.
Ela caía e as ondas concêntricas que produzia faziam nascer mais água.
As pessoas não gostavam desta gota, porque ela era diferente.
Um dia, houve um grande fogo e precisaram da gota mágica.
Chamaram-na, mas ela, já se tinha sido embora… triste e abandonada.
Então, todos decidiram procurá-la!
Encontraram-na num reino bem melhor e por lá ficaram.
Dizem que vivem todos juntos e unidos.                              
André Filipe Soares Silva Martins, 12 anos - Lisboa, EB 2,3 do Alto do Lumiar, 5ºE, Prof Maria João Lamas
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Ricardo Quinta ― desafio 43

Era uma gotinha colorida e quando caiu, em ondas concêntricas, tudo ficou também colorido. Tudo ganhou uma nova cor.
O mar ficou inteiramente cor de laranja.
As árvores tornaram-se completamente azuis.
A terra ficou mesmo muito vermelha.
As flores acharam-se todas brancas e os rios apenas verdes.
E com tudo isto, os meninos ficaram amarelos de medo, porque tudo tinha mudado de cor.
Então a gota, que queria ver os meninos felizes, voltou com tudo ao normal.
Ricardo Quinta, 10 anos - Lisboa, EB 2,3 do Alto do Lumiar, 5ºB, Prof Pedro Lira
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água