18/08/19

Alda Gonçalves ― desafio 181

Pelas ravinas do Douro
O sol ardente queimava nas costas e o balde da areia pesava toneladas. Naquele mar verde onde os cachos de uvas brilhavam na folhagem, em contraste com o céu azul. Esforço válido. 
Lá em cima era um paraíso para a leitura na hora da sesta do amigo. Aos noventa tudo se perdoa, dizia ele. 
Andar naquela picada onde ao redor apenas se vislumbravam vinhedos, convidava a esmerar no farnel. Iguarias únicas onde não faltaria o leite creme. 
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Ana Paula Oliveira ― desafio 181


A aldeia tem muito sol e, embora não tenha areia nem mar, atrai turistas, os poucos que se querem sentir perdidos na direção da paz.
É o local ideal para ler ou passear com um amigo especial ao longo das ruas empedradas ou do silencioso rio. Aqui nada importa. Nem as possíveis picadas das abelhas que rondam o farnel, atraídas pelo convidativo leite creme.
A luz realça o aveludado das rosas dos jardins. E tudo é suavidade!
Ana Paula Oliveira, 58 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

15/08/19

Margarida Leite ― desafio 52


MOMENTOS
Que cansaço…
Não aquele de quem carrega uma botija de gás por uma montanha de escadas. Não.
Aquele que nos impede de sorrir nos sonhos; de vibrar com o ruído da multidão a cantar Xutos & Pontapés; de dançar aquela música agarradinhos, como quando éramos putos com estilo.
Talvez ajudasse um ombro, para pousar pensamentos sem vida.
Ou uma mão quentinha, para aquecer o coração com ternura.
Mas restava somente a solidão e o som do silêncio…
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Helena Rosinha ― desafio 60

Procuraram-no pelo parque, alargaram depois as buscas aos campos vizinhos, contornaram vedações, saltaram valas, utilizaram cães. Do músico nem sinal. Tiveram então conhecimento de que, numa aldeia afastada, o novo organista tocava dia e noite sem cessar. Montaram guarda à igreja e, no momento apropriado, abordaram-no, perguntaram-lhe o nome. Ele, apreensivo, ergueu o braço, mostrando a pulseira da clínica com a identificação rasgada ao meio:
 “Agora sou apenas Sebastião, o meu apelido ficou preso no arame farpado.” 
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 60 – apelido preso no arame farpado (frase obrigatória)

Margarida Leite ― desafio 181

O PIQUENIQUE
D. Luisinha tomou um calmante, que o dia ia ser muito difícil. Maldito piquenique! Nada de sol ou areia no corpo. Iam para longe do mar. À sombra, tencionava dedicar-se à leitura. A amiga levava a manta e o spray para as picadas da bicharada! Ela, que só come dieta, preparou um farnel invejável: croquetes e bolos com creme caseiro. Mas alguém levou champanhe fresquinho. D. Luisinha bebeu o primeiro gole, o segundo… e foi só galhofar!
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Rosélia Bezerra ― desafio 181


Nos dias de sol, saio a passear, devorando com os olhos, toda beleza da criação. Pela areia, ponho-me serena depois de agradecer a Deus pelo mar de bênçãos. Após percorrer os quilômetros da ida, paro num banco do calçadão para fazer alguma leitura.
Anteontem, não fosse o amigo salva-vidas alertar-me, quase fui picada por abelhas numa lixeira, no calçadão, mudei rumo. Sempre levo meu farnel, normalmente água e maçã.
Renovo, muito feliz, meu creme de protetor solar.
Rosélia Bezerra, 64 anos, ES, Brasil
Mais textos aqui: www.escritosdalma.com.br
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

14/08/19

Isabel Sousa ― desafio 181


Teresa caminhava ao ritmo do Sol, que despertava no horizonte. O seu coração, sem areia, mergulhava num mar de afetos.
As leituras incentivavam Teresa ao deleite dos sentidos ― a brisa serrana insistia na presença do amigo António.
Estranhou uma dor aguda ― seria António com as suas brincadeiras?
― Uma picada de inseto! ― exclamou tristemente.  
farnel e o creme protetor haviam ficado na bagageira ― equacionou voltar.
Não, nem pensar!  António perseguira-a, banhando-lhe a alma num mar de luz.
Isabel Sousa, 38 anos, Lisboa  
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

13/08/19

Helena Rosinha ― desafio 181


Sol dum raio!”  Encandeado, o taxista pragueja, os pneus a derrapar no chão de areia. “Daqui prá frente só a pé.”  
Sigo um mar de gente com sacos, cestas repletas de livros: vai tudo participar no festival de leitura. Mas que caminho! Demasiado tarde para aceitar conselho amigo: “O acesso parece uma picada, leva sapatos práticos… e farnel.” 
Eu, de stilettos, desequilibro-me, aperto a pochette contra mim ― tchaak! Agora, nem o triângulo de queijo creme se aproveita.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

António Azevedo ― desafio 31


Assustou-se ao ver o resultado da conta. Não estava à espera daquele valor. Tem de fazer a prova dos nove para confirmar. Várias vezes detetou erros nas suas contas com aquele método. Bendito seja quem descobriu aquele sistema para validar as operações aritméticas. Não gostava de calculadoras. Insistia em fazer as contas à mão. Queria continuar a dar uso ao cérebro. Eram simples somas e subtrações, não cálculos de engenharia. Noves fora nada. A conta está certa.

António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 31 um conto com matemática…

Isabel Lopo ― desafio 180

A CERTA DISTÂNCIA, OLHO ESTE DESENHO ONDE TAMBÉM EU ESTOU. Faço parte dele como espectador e como protagonista. Parece uma fotografia em tons de sépia que me faz viajar no tempo. Nada tem retorno, mas a recordação do momento vivo-a como se fosse agora... Não os reconheço. São fantasmas que povoaram o meu passado. Mas olhando para ti, sei que não enlouqueci. És o mesmo que um dia me partiu o coração. Sem hesitar, rasgo o desenho...
Isabel Lopo, Algarve

Contos de Eva Luna, Isabel Allende
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Natalina Marques ― desafio 181

O SOL escaldava, queimava-lhe as têmporas.
A AREIA grossa do caminho que a levava ao MAR imenso de trigo para ceifar, não ajudava na caminhada. A LEITURA desse dia teria que esperar, assim como a visita ao castelo com a Ângela, AMIGA de longa data.
Mas não se importava, as PICADAS dos mosquitos tinham-na desfigurado. Agora só queria comer o FARNEL, ir para casa e besuntar-se com CREME, adormecer e sonhar que um castelo tinha ido visitar.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Theo De Bakkere ― desafio 181

Bolinhos
Ele nunca se importava, quer chova ou faça sol, de natureza preguiçosa, não gostava de acordar .De facto, seria escrever na areia, se alguém tentasse acordá-lo antes do meio-dia. Ninguém passaria bem, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Salvo o rádio despertador, nem um amigo dele causaria alguma vez, por erro na leitura, tanto barulho que reagisse bastante picado. Zangado, lançaria qualquer objeto, mesmo um farnel com inocentes bolinhos de creme, acabaria ingloriamente no chão.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia-Bélgica
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

12/08/19

Maria Silvéria ― desafio 181

Mar de Vento
Sol cintilante irradiando pequenos grãos de Areia num imenso Mar de vento que leva tudo pelo ar. Dificultando a Leitura com os Amigos pois as páginas Picadas por uma bruma, que apaga as letras; estas sumiam não só tornando este gosto cultural impossível como também não deixa ver o Farnel que tinham preparado com muito prazer, e muito desejavam saborear assim como o Creme de manga que só de pensarem nele lhes faz crescer água na boca.
Maria Silvéria doa Mártires, 72 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Paula Castanheira ― desafio 181


Protegeu-se do sol que lhe violentava os olhos. Da noite dormida aos solavancos, trouxera a aflição de ser enterrada viva, em areias movediças.
Matilde entregara-se àqueles beijos que julgou de ocasião e mergulhou num mar de problemas.
Fez leitura errada.
Ele apaixonado e amigo.
Ela a deixar-se picar com o veneno letal da mentira.
Um farnel pesado, que lhe vergava a vontade de viver.
Procurou consolo no pelo creme e macio de Tobias, mas só conseguiu chorar!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Odília Baleiro ― desafio 181

Anoitecia no oriente. O sol deslizava para o outro lado do mundo, vestindo cores laranja, vermelho, azul, pincelando a areia e o mar do imenso Pacífico. Lindo quadro, se fosse pintora... Cenário próprio para a meditação. A leitura ficaria para outra hora, junto dum amigo, um bom livro. Era a hora do mosquito e as picadas já deixavam marcas. Agarrei no farnel, quando vi o creme do queijo da Tasmânia a escorrer dentro do meu saco favorito. 
Odília Baleiro, 64 anos, Gold Coast, Austrália 
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Carlos Rodrigues ― desafio 181


O dia tinha amanhecido com sol. Da minha janela via aquela obra interminável, que levantava uma areia infinita, um mar de grãos que procuravam um lugar para se infiltrar.
Ia tomar café na esplanada ao lado de casa, ler um pouco e estar com amigos. Agora não dava. Ainda por cima as abelhas que adoram este ambiente. Picaram-me. A minha carne era um farnel para elas. E só o creme que tinha posto me acalmava a comichão.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

10/08/19

Desafio nº 181

Está muita gente de férias, outros já foram, outros ainda esperam ir.
Ora, que história sem qualquer relação com praia, obedece a estas palavras (que podem ser adaptadas)?

Atenção ― não pode ser uma história de praia e tem de ser respeitada a ordem destas palavras:
SOLAREIAMARLEITURA ― 
AMIGO/A PICADA FARNEL CREME

Fiz a minha assim:
O sol desaparecera. Só um gafanhoto burro, com cabeça de areia, acharia bem levar a namoradinha para aquele mar de erva. Ela depressa se assustou. Dissera-lhe a aranha, lendo-lhe a sina, que o futuro seria sombrio, sem amigos. Foi o fim da picada para o gafanhoto. Saltou ao seu lado, tentando sossegá-la, mas aterraram mesmo em cima do pão dum farnel abandonado. Ah, ela gostou! O creme da bola-de-Berlim, fê-la suspirar. Afinal, talvez não fosse tão burro.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Chica ― desafio 181

Sentado ao sol para tentar descansar olhos que pelo sono pareciam areia ter, não podia esquecer o mar de trabalho que o esperava.
leitura de processos imensos e inúmeros estava acumulada e pensava só com ajuda de amigos seria cumprida.
Mas o sono? Cada vez maior! Parecia haver ganhado picada da mosca do sono!
Fazer o quê? Abriu seu farnel e deliciou-se com o lanche preparado pela sua mãe que hoje caprichara no creme do sanduíche!!!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Helena Rosinha ― desafio

Mal amanhece, Jocelina senta-se na soleira, caneca de café numa mão, a outra sacudindo da saia migalhas de pão imaginárias. Dali, assiste ao movimento diário de aviões, imune ao ruído ensurdecedor que atroa os ares, os olhos velados pela Sodade ― da ilha, do silêncio das madrugadas, do cheiro, da música do mar. Regressar para quê? Correu tempo, já não pertence lá, tampouco pertence a esta terra. É só uma velha no bairro de barracas junto ao aeroporto.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Paula Castanheira ― desafio 180


A vida era um lugar tão escuro e denso, que parecia até que lhe tinham arrancado à dentada, a oportunidade de ser feliz!
Naquele quarto que lhe era completamente estranho, onde se encontrava Pilar iletrada, mas muito apaixonada, Benilde escrevia a pedido, mais uma carta romântica, para um tal António.
O rapaz foi-se rendendo às missivas que recebia. Um dia quis conhecer a verdadeira autora e despedaçou o coração de Pilar.
Benilde e António casariam em 1963!
<<…quarto, que lhe era completamente estranho, onde se encontrava Pilar…>> Cem anos de solidão Gabriel García Marquez
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler