04 julho 2017

António Matos ― desafio RS nº 48

O hábito rotineiro, que cumpria a função social, era também um momento de confrontação íntima. Todos os dias aproveitava o espelho para ver além do que ali se reflectia de si. As certezas foram permanentemente muitas, sempre rígidas, pouco elásticas. Já adulto, a mudança fazia-se suspeitar, embora tímida e de clareza duvidosa. Repentinamente, na cerimónia rotineira anterior ao deitar, um olhar para o espelho devolvia-lhe dúvidas intensas, que o faziam crer numa outra cara que nitidamente observava.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio RS nº 48 ― um rosto diferente no espelho

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