24/01/20

Verena Niederberger ― desafio 196


"Só se fosse louca”, explicou Meg. Nunca entraria nesse mar revolto.
Desde tenra idade frequentava a praia com os pais e irmãos.
A imagem do afogamento do irmão Fábio nunca iria esquecer.
O pequeno brincava, despreocupado, na água.
Fábio, porém, se afastou e foi engolido por onda gigante.
Foram dias de angústia e sofrimento extremo.
Fábio não mais foi encontrado.
Só se fosse louca Meg deixaria os filhos brincar na praia perto da água.
Não, Nunca, Jamais.
Verena Niederberger, 69 anos, Rio de Janeiro - Brasil
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

Helena Rosinha ― desafio 195

É meia-noite. Inicia-se um novo ano. Velho, descartável, invisível, afasto-me. Cumpriu- se mais um ciclo. Há festa, música, alegria. Fazem-se brindes: “saúde, sorte!” Fazem-se planos, promessas. Todos iludidos e confiantes. Libertaram-se dum tempo incómodo. Esperança, sonho, determinação animam-nos. Injustiça, hecatombes, nunca mais! Culpam-me das desgraças ocorridas. Annus horribilis, comentam. Que ironia! As eras sucedem-se. Os casos repetem-se. Avareza, ódio, violência persistem. Eu, culpado? Precavei-vos dos vossos semelhantes. Talvez alcancem Paz… Eu sou mero calendário. Sucessão de dias, noites.
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 195 ― ano velho em frases pequenas

Maria do Carmo N e Madalena C ― desafio 37


Eu fui ver o Zoo porque gosto muito de ursos e por isso estudo-os. Pesquiso sobre eles, tiro fotos e tenho um urso bebé muito fofinho.O seu nome é Bubbles e representou num filme. Ele bebe leite, come peixe, eu gosto muito dele e ele cresce muito. Frequentemente meço-o e ele foge porque tem muito medo de ser medido. Eu dou-lhe um duche quentinho e seco-o com um tecido velho com flores verdes e beges.
Maria do Carmo N e Madalena C, 7º F, Escola Secundária de Carcavelos, prof Susana Lopes
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Ana Cruz ― desafio 160

Tinha fugido de ti, num fugaz momento de lucidez.
Nesse dia aproximaste-te e afagaste-me o rosto. Afigurou-se-me imprópria a forma como, em segundos, fagocitaste todos os meus planos.
Olhei-te nos olhos. O fogo que me irrompeu pelo esófago queimou tudo em seu redor, num misto de refogado e de fagulhas incandescentes. Transfigurei-me internamente mas mantive o figurino, enquanto pensava como voltar a refugiar-me dentro de mim, num coração que pretendia sarcófago.
Não consegui… E chamei-te um figo!
Ana Cruz, 50 anos, Lisboa
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

Maria Arménia Madail da Silva ― desafio 194


O avô, sentado no lar da lareira, rodeado dos netos e netarelata o episódio que se passara há muitos anos, numa tarde de inverno.
varanda do vizinho estava pintada de vermelho fresco. O avô comera muitas uvas passas e estava com a cabeça a rodar. Subiu do piso térreo ao primeiro andar. Debruçou-se. Os olhos toldaram e cá vai disto: a bílis estrebuchou, a varanda passou a duas cores: vermelho e verde. Era Natal!
Maria Arménia Madail da Silva, 63 anos – Celorico de Basto
Desafio nº 194 – letras de árvore de natal

Isabel Lopo ― desafio 196

Só se fosse louca, explicou ,é que saía com ele... Um convencido, um machista presunçoso.
Prefiro a solidão, as noites longas, os jantares em silêncio. Bolas, agora estou arrepiada, eu que gosto tanto de tagarelar! Adoro ir ao cinema acompanhada, partilhar pipocas, comentar filmes!
Acho que vou aceitar esse convite... Sempre me disseste que não devia fazer juízos precipitados!!!
Está, estás a ouvir? Desligou. Não podem ver uma Mulher feliz por ter companhia. São todas umas invejosas!!!
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

Toninho ― desafio 196

Só se fosse louco, explicou ao amigo. Não contaria no bar sobre a pescaria. Ninguém acreditaria. Peixe fisgado no anzol, quando tentou puxar, viu que o barco fora arrastado rio acima, parecia voar. Temeu pela cachoeira à frente, morte certa. Quando aproximava, suado, temendo inevitável queda, o peixe fez uma manobra de retorno em alta velocidade e levou o barco de volta. Então fugiu do anzol, dando piruetas emitia som como gargalhadas. Sou um pescador, contaria isso?
Toninho, 63 anos, Salvador, Bahia, Brasil
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

22/01/20

Natalina Marques ― desafio 196

"SÓ SE EU FOSSE LOUCA", EXPLICOU Maria.
― Mas ele gosta de ti, é simpático e gentil. É verdade, que não tem onde cair morto, mas isso pouco importa.
― Nem pensar, sabes o que ele fez no aniversário da Joana, ofereceu-lhe um lindo ramo de flores.
― Mas isso é romântico.
― Sim, mas sabes o que dizia o cartão...? «Recordar-te-ei com saudades, descansa em paz».
― E então?
― Só se esqueceu de tirar o cartão, quando as roubou no cemitério.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

Cristina Lameiras ― desafio 196

Loucura
"Só se fosse louca", explicou Patrícia.
Sossegada, com uma vida calma na comunidade instalou-se a confusão.
Entre vizinhas trocaram-se confidências, cumplicidades bizarras até que surgiu o rumor na região.
Por capricho da sua mãe egocêntrica disputas polémicas tornaram-nas rivais.
A amizade intensa, improvável, provocou um rebuliço.
Não há fumo sem fogo nem fogo sem chama.
A mãe desconcertante, sacana, manipulara o mercado, hipotecara a casa e num "golpe de génio" tentava hipotecar a propriedade da vizinha.
Louca...
Cristina Lameiras, 54 anos, Casal Cambra 
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

Filomena Galvão ― desfio 196

«Só se fosse louca», explicou Madalena, enquanto as lágrimas lhe rolavam pelo rosto. Nunca concebera alugar uma barriga ou fazer inseminação. Era conservadora. Para ela, a família era a tradicional. Não se opunha às outras modalidades para os outros. Até tolerava. Mas via-se gravidíssima, rodeada por três, quatro crianças, um cão, uma carrinha. No entanto, a realidade não era aquela com que sonhara. Era estéril. Aquela notícia fá-la-ia repensar valores. Engolir orgulho e palavras. Nunca digas nunca.
Filomena Galvão, 59 anos, Corroios
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

Filomena Galvão ― desfio 195


― O ano velho foi-se. E foi tramado!
1992 igualmente negativo. A vida do avesso.
Agora outro “tsunami”.
No primeiro semestre:
― Depressão, exaustão.
― Cirurgia.
― Morte da mãe.
No segundo semestre:
― Partida do padrinho.
― Logo depois o tio.
― E uma amiga canina.
― Pedro Fonseca é assassinado. Vinte e quatro anos. Filho de uma amiga.
Uma vida perdida. Uma família desmoronada.
Tudo junto é muito. Imensurável. Faz mexer as emoções.
2019 para esquecer.
Filomena Galvão, 59 anos, Corroios
Desafio nº 195 ― ano velho em frases pequenas

Marta Rodrigues ― desafio 196

«Só se fosse louco», explicou ele depois de dizer que tem medo de fazer figura de parvo. Nunca iria meter os pés num concurso de televisão. Mas eu acho que não tem nada a perder. Sabe sempre tudo. Não percebo porque é que não arrisca. Um programa de cultura geral é o ideal. Foi feito para concorrer. E se não souber alguma das perguntas tem direito a ajudas. Eu sei que ele seria melhor que muitos outros.
Marta Rodrigues, 21 anos, Albufeira
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

José Miguel ― desafio 181


Num dia de sol ia a caminho do parque e reparei que havia muita areia no chão. Também havia um escorrega em forma de mar. Grande foi o meu espanto, estava lá um rapaz a fazer leitura silenciosa.
De repente o meu amigo gritou, foi picado por uma abelha. Coitado!
Fui rápido ao meu farnel dei-lhe a garrafa de água gelada para ele colocar no ferimento; depois colocou um creme da minha mãe.
Fiquei contente por ajudar!
José Miguel, 6ºD, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Sofia P ― desafio 181


Num dia de sol estava a passear e vi areia no chão. Lembrei-me logo do som do mar. Enquanto isso estava a acabar de fazer a minha leitura com um amigo. Depois de acabarmos a leitura, uma abelha deu-lhe uma picada na cara. Entretanto fomos para casa cuidar da picada e eu disse:
― Vamos voltar para lá, mas vamos levar um grande farnel.
― Ah! E não te esqueças do creme para as picadas! - disse o meu amigo
Sofia P., 6ºD, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Amanda S ― desafio 181

Estava um dia nublado em minha casa, não havia sol. Olhei pela janela e vi um ninho cor de areia. Estava frio, os ventos estavam tão fortes como o mar. As árvores abanavam, o ninho podia cair.
Lembrei-me do concurso de leitura que fiz com meu amigo, e convidei-o para vir a minha casa. Ele chegou com uma rosa. Quando peguei nela, levei uma picada.
Ele também trouxe um farnel para dividirmos, um bolo recheado com creme.
Amanda S., 6ºD, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Ana Rita A ― desafio 181

Nas minhas férias de verão, o sol estava a escaldar. Fomos à beira-mar e os nossos sapatos traziam areia. Fomos até Veneza e o mar era calmo. Como fomos de carro, eu pude levar as linhas leituras. Quando regressámos, fomos para um acampamento a que vamos todos os anos. Lá temos amigos e é muito divertido, pelo menos até sofremos picadas de mosquitos…
Quando vamos andar de bicicleta, levamos o farnel e um creme para o sol.
Ana Rita A., 6ºD, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Diogo D ― desafio 54


Estava eu numa encruzilhadaa minha cabeça estava um caos sem saber que palavrasfrases escrever!
Quando me apercebi o que tinha de fazer um texto com 77 palavras e que uma das regras era escrever 5 pares de sinónimos, apanhei um susto.
Mas agora que já comecei a escrever já estou mais tranquiloe por esse motivo vou até beber um copo de agua para matar esta minha sede.
Escrever é como uma reta sem fim.
Diogo D, 16 anos de Lisboa
Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Luz Câmara ― desafio 196


“Só se fosse louca”, explicou à plateia. A memória impedia-a de esquecer as palavras cruas que insistiam em ecoar no silêncio da sala, perturbando-lhe a quietude de ser.
Sim, só se fosse louca é que permitiria continuar a ser tratada como nada.
Demasiado tempo subjugada à fraqueza de quem apenas buscava força na destruição e anulação do outro. Era imperativo reabrir-se à vida.
Entre um ponto final no passado e as reticências do futuro, ganhou coragem. Partiu.
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

20/01/20

Lucas R ― desafio 164


Numa aventura no meio do mar, estava eu num navio com os meus companheiros a navegar pelo o oceano, de repente, aparece uma tempestade, a minha equipa entra em pânico e não ajudou a controlar o navio. Depois de cinco minutos, dentro da tempestade, o navio foi atingido por um relâmpago e quase todos gritaram. O navio afundou-se e ficou para sempre no fundo do oceano onde vivem monstros assustadores, onde ninguém quer ir ou quer entrar.
Lucas R, 14 anos, 8º ano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 164 ― imagem de navio afundado

João S ― desafio 164


Certo dia o Manuel e eu fomos aos Estados Unidos ver o Trump, mas no meio do caminho ocorreu um improviso, o barco embateu e começou a afundar-se. Manuel e eu ficámos em pânico e começámos a gritar, enquanto nos batia a água nos pés, pensámos ligar à mãe do Manuel, mas não havia rede. O barco afundou-se totalmente, mas por sorte passou um grande navio à nossa frente que nos viu e nos ajudou. Estamos salvos.
João S, 13 anos, 8º ano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 164 ― imagem de navio afundado