23/10/19

Helena Rosinha ― desafio 187


― Desanda! Estou farto de charlatães.
― Escuta, Joselino: tu tens um rebanho, eu vendo bandoletes; compras-me meia dúzia e dou-te sociedade. Fiz contas, ficamos ricos num instante.
― Hã? Troca lá isso por miúdos.
― Estratégias de marketing — agarras num animal, pespegas-lhe uma bandolete e passeia-lo pela aldeia; no dia seguinte, fazes o mesmo com outros dois, até que…
― … mas que jeito tem isso?
― Calma! O bicho é um “influencer”. A carneirada vai toda seguir a moda… E nós faturamos!
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

22/10/19

Maria Santos ― desafio 188


Em estremecimento, acordei a pensar no meu futuro. Vieram à minha mente pensamentos sobre a forma como irei viver a minha vida ― que amizades farei, onde viverei, qual será o meu trabalho? Todos eram sonhos realizáveis. Tive medo de pensar em acontecimentos negativos, tremi, não vá eles acontecerem.
De repente, tocou o despertador a chamar-me para a vida. Lembrei-me que hoje era um dia especial – eu ia ao cinema, pela primeira vez, com o meu namorado, Vítor.
Maria Santos, 17 anos, Alcobaça
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Theo De Bakkere ― desafio 188


O anel de duendes
De repente ouviu-se uma ululação demorada. Avó espreitava com medo através das cortinas nas trevas. Não era a única com angústia. O gato escondera-se, e a cadelinha começava a uivar junto com esses seres mortos na mata. Embora avó quase morresse de pavor, não falaria a ninguém sobre o acontecimento atroz.
Também guardava silêncio quando os netos, sem estremecimento, zombaram de bruxas e do anel de duendes que viram na clareira. Porém, avó sabia efetivamente: fantasmas existem.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Graça Pinto ― desafio 188

Hoje uma das redes sociais postou uma foto fazendo-me reviver um momento que jamais esquecerei.
O primeiro impacto, num estremecimento, fez-me chorar.
Chorei de saudade, da falta de TI, desta dor tremenda que dói, dói tanto, cá dentro…, num coração cioso do teu carinho.
Sabes que sempre te amei, disse-to tantas vezes, mas hoje ao ver a tua foto de sorriso rasgado como eu  tão bem conhecia, desejei como nunca poder reviver nossos momentos únicos.
Amo-te “MÃE”
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

21/10/19

Natalina Marques ― desafio 188


― Mãe, a Margarida, EScondeu o meu caderno, já procurei enTRE as coisas dela, mas não encontro.
Um ESTREMECIMENTO esquesito apoderou-se dela.
― Não tenhas MEdo, tem que aparecer, vai lá aCIma ao escritório do pai, na secretária há um compartiMENto, onde costuma pôr os brinquedos.
― O caderno não encontrei, só esta foTOgrafia de uma mulher que não conheço.
― Já te apanhei...!
― O que foi mamã?
― Nada, mas não te admires, se o teu pai amanhã estiver no hospital.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Verena Niederberger ― desafio 188

Joana ainda não estava livre da virose.
Seu corpo tremia, tosse não tinha fim.
Chupava pastilhas de menta precisava urgentemente sarar.
Tomava chá de camomila, efeito não fazia.
Rouquidão foi tomando conta, não conseguia falar.
Menina foi ficando intedeada marcou uma balada.
Namoradinho aflito precisava muito ver a amada.
Mãe ficou irritada, como iria a balada?!
Joana bateu a porta, foi ao cinema
Mãe e filha ficaram sem se falar...
Entre as duas era visível o
ESTREMECIMENTO.
Verena Niederberger, 68 anos, Rio de Janeiro - Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Roselia Bezerra ― desfio 188


Um sonho da espera da casa própria tão necessária incentivou a várias famílias. Mentalizado os proventos, toda família começa a economizar com consciência do progresso financeiro que mereciam.
Sonho realizado com sacrifícios de todos, mas um estremecimento no prédio por reformas mal estruturadas, quebrando os pedreiros os cimentos das vigas de sustentação, fez o sonho da casa própria se desmoronar.
Resultou em vidas ceifadas, futuros destruídos e trevas eternas talvez...
Quiçá possam novamente se reerguerem?
Oxalá aconteça!
Roselia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Rosário Oliveira ― desafio 188


Olhou para ela nos olhos e o estremecimento foi grande e tremeu todo. Sabia que o que tinha feito merecia castigo. Partira o retrato da avó Estrela que estava na cómoda antiga virada para a sacada onde ela costumava olhar a rua e os transeuntes domingueiros que passavam debaixo das escadas. Na cidade não havia outra vista assim e o sentimento de vazio encheu-lhe os olhos enquanto pegava na folha a preto e branco e a beijava. 
Rosário Oliveira, 53 anos, Leiria
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Toninho ― desafio 188

Manchas assassinas
Estado de alerta pelo Nordeste.
Manchas pegajosas invadem praias, mangues disseminando fauna, flora pelos trechos atingidos. Marisqueiros, pescadores desesperados sem metodologia para estancar a contaminação.
Perde-se tempo precioso sobre origem do petróleo, enquanto a mancha avança. O Brasil tem estranho comportamento diante catástrofes, não se entende, inercia total dos responsáveis pela navegação e meio ambiente. Pela inerte ação presidencial especula-se, em origem no estremecimento com os governadores nordestinos. Seria ridículo e inaceitável. As praias são de todos.
Toninho, 63 anos, Salvador-Bahia-Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio 188


EScolhas que vou fazendo
E enTRElaçando no meu coração
Enchem-Me de espanTO e alegria
As quais transformo em poesia.
Por vezes provocam estremecimento
Todo meu ser, meu espírito, meu corpo se arrepia.
São poemas da natureza cuja beleza extasia.
Cheiram a mel, a esteva e rosmaninho.
A uvas, vindimas de setembro e outubro
E recordo com amor carinho e deliciosaMENte
Assim como lembro o Natal e dezembro
O Deus menino, José e Maria que minha alma acariCIA.
Maria Silvéria dos Mártires, 72 anos Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento


Paula Castanheira ― desafio 187


― Você outra vez?
― Senhor Joselino, prometo-lhe que vai ficar rico!
― Ora, ora onde já se viu?
― As suas ovelhas vão produzir cinco litros de leite. Por dia!
― Senhor…
― Bonifácio Freitas.
― Olhe, Bonifácio, já não tenho idade para tantos disparates.
― Mas é verdade. Basta colocar o microchip sob a pele do animal.
― Não tenho dinheiro para isso.
― É um investimento certeiro.
― Microchip que põe as ovelhas a ouvir música clássica, hahahahah…
― Ficam felizes, produzem mais.
― Oh, valha-me Deus!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

20/10/19

Isabel Sousa ― desafio 188

A cabeça de Ricardo tremia, ao lembrar-se de tantas injustiças. Cada passo, cada palavra, ou cada pensamento, faziam-no relembrar os pavorosos acontecimentos. Era algo que jamais poderia esquecer – coração filial, dilacerado pela espada da separação.
estremecimento da culpa era inquestionável, fora mandatado. Contudo, o arrependimento dominava-lhe a existência. Todos os seus movimentos eram geometricamente controlados – o medo dominava-o.
Quando sentia a esperança do regresso, os olhos agigantavam-se, o pensamento equilibrava-se, doando um largo sorriso ao mundo.
Isabel Sousa, 38 anos, Lisboa 
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Maria João Cortês ― desafio 161


Lá estava o VELHO sentado no CHÃO a tocar FAGOTE. BONÉ às três pancadas e casaco a cheirar a MOFO, passava o dia a PRATICAR como um VÍCIO TÓXICO difícil de largar. Nem uma MOSCA pousada no nariz o fazia perder o RUMO.
Os miúdos da aldeia desafiavam-no à TRIPA forra e algum mais atrevido, tentava atingi-lo com a FISGA. Outros havia a oferecer-lhe uma garrafa de AZEITE ou um pãozinho de CEREAL para entreter a fome.
Maria João Cortês, 76 anos, Lisboa
Desafio nº 161 – 14 palavras com fisga

Chica ― desafio 188


Época de muitos estudos, perto prova Vestibular. 
Tremiam as pernas de todos alunos que durante anos se prepararam e esperavam a vaga alcançar. Meninos e meninas compenetrados. Nem às festas na cidade compareciam.
Isso causava até estremecimento de relações.
Enfim, chega o dia dos resultados serem divulgados e, com o coração tremendo de emoção, conseguem a aprovação. 
Momento inesquecível! O esforço foi compensado. Agora mais e mais estudo para o diploma conseguir! 
Mais um objetivo a seguir! 
E depois?
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Desafio nº 188

Vamos construir um texto em 77 palavras com a seguinte regra: 

As palavras obrigatórias (devem ser 6) têm uma sílaba em comum com a palavra ESTREMECIMENTO! E esta palavra entra no texto.

ES  TRE  ME  CI  MEN  TO

O meu ficou assim:
Atreve-te! ― gritaste como se eu fosse culpada pela nódoa negra que tens na cara. ― Mentiste-me!!!
Nem um estremecimento senti. A velocidade do meu cérebro deixava os olhos a vaguear. Isso assustou-te, bem sei, ficaste atolado no teu próprio descalabro. Procurei a saída. Mentalizara-me para o fim do namoro. Vacilavas entre a bancada e a garrafa quase vazia. Desequilibraste-te, contornei-te e abri a porta. Fugi. Só estranhei a ausência de remorsos, mas agora era tempo de recomeçar.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

19/10/19

Apoio às escolas: set/out 2019

É verdade, já existe material para ir preparando o arranque do ano.

Está AQUI, na Página de Apoio às Escolas, das Histórias em 77 Palavras, para os professores que queriam usar esta ferramenta - vale a pena!

Inês N ― desafio 181

Hoje acordei com o sol na cara e uns grãos de areia de criatividade. Na aula de E.V. fiz um grande desenho de um mar de corações. Adoro ler, fazer a minha leitura matinal. Eu tenho um grande amigo, e esse amigo é o meu livro favorito. A história de hoje falava sobre um menino que tinha uma picada no braço em forma de flor, que tinha feito um grande farnel com pão e creme de avelã.
Inês N, 6ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Jorge ― desafio 163

Agricultura é uma atividade que nos fornece uma alimentação saudável. 
cultura da pereira é a minha favorita, porque dá-nos boa fruta. Agir com cuidado é uma das obrigações de qualquer agricultor. Na altura das colheitas haverão cuidados redobrados, os frutos podem estragar-se. 
Pela rua, os aromas dos frutos animam todos os transeuntes levando-os a rir. As adiafas dão alegria contagiante, a todos os intervenientes no ritual. Ficamos com arcas cheias e rostos empolados de tanta folia.
Jorge, 21 anos, Alcobaça
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

Tiago B e Beatriz F ― desafio 35


Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos, para ouvir os seus lindos trinados e sentir a leveza das suas penas.
Quando eles aparecem nos beirais, percebo algumas das mensagens. Transmitem-me alegria, tristeza ou informações. Por isso digo: vim ao mundo para os perceber.
Hoje de manhã, algo estranho aconteceu. Quando estava no meu escritório, apareceu um mensageiro ― não o percebi, mas sei que era importante, pois senti-o nervoso. Ignorei-o propositadamente, porque eu tenho abundância de ser feliz.
Tiago Bento e Beatriz Fonseca, 16 e 17 anos, Alcobaça
Manoel Barros – Respeito entre animais - «Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos» e «tenho abundância de ser feliz»
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

17/10/19

Eduardo N ― desafio 80


Sim, já passou mais um ano e a aranha continua sozinha neste Natal.
O seu marido falecera há dois anos e, desde então, nunca mais teve um dia feliz. Os Natais que passava com o marido «eram os melhores», dizia.
Durante aquela noite, apareceu um caranguejo que lhe contou a sua história e era muito semelhante. Essa história reconfortou-a, pois sentiu que, na verdade, não era a única!
Depois de muita partilha, pediram um desejo: ficarem juntos...
Eduardo N., 12 anos – Colégio Paulo VI, Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 80 – o Natal da aranha