20/11/19

Odília Baleiro ― desafio 190

Amanhecia! Beija, a ave residente, jardinava à procura de boa comida para eles. Bananas, morangos, fisálias.. .que bom manjar abundante no jardim colorido da casa branca. O seu companheiro, Jana, preguiçava no ramo, balouçando. Os filhotes de bico aberto com fome  estavam inquietos. A banana era a preferida. Beija esvoaçava divertida e bela, a asa de Jana roçou a sua, bendizendo a sua felicidade. Jana soprou e um beijo atingiu-a com ternura. Bonita família, a sua!
Odília Baleiro, 64 anos, Manta Rota
Desafio nº 190 ― de 3 em 3, B ou J

António Azevedo ― desafio 35


Hoje de manhã saí muito cedo alterando a rotina diária, numa necessidade de romper com os gestos repetidos dia após dia. Sigo sem destino, e sem razão, pelas ruas e vielas. Ando apenas pelo prazer de o poder fazer, liberto de qualquer obrigação nessa divagação. Ao caminhar apercebo‑me de pormenores escondidos que antes me escapavam. Repentinamente um alarme estridente toca no meu bolso. A labuta quotidiana emerge neste sonho acordado. Mas que há para lá do sonhar?
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
Fernando Pessoa, Alberto Caeiro in “Poemas Inconjuntos” (1930) – Hoje de manhã saí muito cedo
+
Vergílio Ferreira in “Conta-Corrente 1” (1969-1981) – Mas que há para lá do sonhar?

Sofia Amorim ― desafio 163

Está uma manhã fria de rachar.
A neve teima e continuará a teimar cair, monótona, silenciosa e perfeita. Até a pequena e despida árvore do quintal treme.
Tapei o pé com a primeira meia. Apesar de feia, apenas ela fará a minha mente perceber perfeitamente que já são horas de sair e alcançar a meta de hoje. Mochila às costas, ementa feita, chaves no bolso, paz no coração, aí vou eu. Só não consegue quem não tenta!
Sofia Amorim, 31 anos, AE de Gavião, Psicóloga
Desafio nº 163 ― palavra grande gera mais 6

Chica ― desafio 191


Valério estava com excesso de peso, com sérios problemas de saúde. Um dia, encontrado quase morto! SAMU foi chamado, providências tomadas e daquela ele escapou bem, sem sequelas. Porém a temida dieta era necessária. O filho cuidava cada deslize do pai, reprovava e prometia não mais o ajudar! Ameaçava dele desistir!
Porém, ele não se corrigia e cada vez que extrapolava, comia um doce, outro, outro, pois era da ideia que perdido por cem, perdido por mil...
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Roselia Bezerra ― desafio 191


Mariana era uma moça que gostava de ajudar.
Entrou num projeto de alfabetização de adultos.
Tinha tarefas a cumprir, mesmo assim dava um jeito de aceitar cada um que chegava.
A sala estava repleta, ela bem cansada da labuta. Dando a Hora da Ave Maria, chegava pontualmente.
Não tinha carteira vaga e mais uma pessoa a lhe esperar. Ao invés de lhe negar a vaga, lhe disse com um sorriso largo: perdido por cem, perdido por mil.
Roselia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Desafio nº 191


Há frases com números que são mesmo muito engraçadas. Vamos usar uma delas.

Escrevam o vosso texto em 77 palavras, sabendo que, lá para o fim, irá aparecer:
«Perdido por cem, perdido por mil!»

E já experimentei:
Uma bonita jarra, dizia a mãe. Para si, que limpava o pó à casa, era irritante. Cheia de relevos pirosos, dourados estimadíssimos, gosto muito duvidoso, trazia-lhe uma memória: fora oferecida por dona Jacinta, mulher de bigode e, por isso, beijos picantes. A jarra no chão, partida em cem pedaços (era dado a exageros, só tinha nove anos). Colá-los? Tarefa impossível. Varreu a jarra da sua frente. «Perdido por cem, perdido por mil!», pensou, do cinto não escaparia…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

19/11/19

António Azevedo ― desafio 34


Fomos aconselhados a virar aquela esquina e não foi necessário procurar. Encontrava‑se no sítio previsto. Toquei‑lhe no ombro, olhou‑nos atrapalhado. Com o passar do tempo estava cada vez mais esquecido. Às vezes acontecia acertar num nome, ralhar por causa da minha barba ou contar algo do seu dia. Frequentemente as frases eram soltas e desconexas ou simplesmente não falava connosco. Perante as suas fragilidades e teimosias, era chegada a nossa vez de consolar e de ser pacientes.
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias


Iúri D ― desafio 189


Eu não sei o que é medo, nunca senti tal emoção.
Contudo, o medo está vivo.
A minha amiga tem medo de me perder,
e muito medo de sofrer
Com certeza, um medo imaginário.
Vou acalmá-la sobre todo o medo.
Será inexistente, qualquer réstia de medo, nesta amizade.
Nunca escutaremos o medo.
Afastarei toda a negrura do medo, desta minha amiga.
Medo, nunca existirá nas nossas cabeças.
Sem medo, sorriremos.
Os bons Doces Conventuais, sem medo, juntaram-nos.
Iúri D, 16 anos, EPADRC, Alcobaça 
Desafio nº 189 ― muito medo…


Sara P ― desafio 90

Duas pessoas encontraram-se no metro em Londres e apaixonaram-se, mas o único problema era que cada uma tinha o seu destino.
Eles sabiam que mesmo que estivessem “longe dos olhos, perto do coração”. Era dia 14 de fevereiro e a rapariga apanhou o autocarro para Paris para lhe fazer uma surpresa.
Infelizmente, assim que ela chegou encontrou-o no restaurante com uma rapariga, que parecia ser sua namorada.
“O que os olhos não veem, o coração não sente”.
Sara P, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Rodrigo R ― desafio 90

O ditado popular: “O apressado come cru”, aplica-se ao caso da D. Alzira que namorava com o Dr. Jacinto. Mas o jacinto queria mais…
Ele estava desesperado com a ideia de casar.
Entretanto ele foi pedir conselhos ao seu melhor amigo, a Chico Bento. E ele fê-lo ver que não pode fazer tudo ao mesmo tempo, de um dia para o outro.
Chico Bento e Alzira tinham razão, embora o Dr. Jacinto não concordasse, “tempo é dinheiro”.
Rodrigo R, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Pedro M ― desafio 90

Eu, quando tenho trabalhos de casa, mais vale fazê-los no dia que os recebo do que deixá-los para o dia seguinte. ”Não deixes para amanhã, o que podes fazer hoje”.
Fiz os trabalhos de casa, joguei futebol, estudei as matérias, mas estava tão empenhado que estudei a matéria avançada. Quando a professora perguntou eu já sabia tudo, adiantei-me, não valeu a pena. A professora explicou de uma maneira diferente. “Não ponhas a carroça à frente dos bois”.
Pedro M, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Rita Q ― desafio 90

Os cozinheiros não sabem o que pôr no prato, pensam que “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Acrescentam pitada aqui, pitada ali, até que juntaram o que conseguiram. Chega a hora de servir os pratos e o cliente diz:
― Mas que raio de coisa é esta? Tem tanta coisa junta que está horrível!
― Como é que isso pode estar mau? Nós acrescentámos tudo.
Os cozinheiros acrescentaram tudo o que conseguiram, mas “cozinheiros demais entornam o caldo”.
Rita Q, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Maria Leonor G ― desafio 90

Na aula de ciências.
― Meninos, vamos começar a ficha.
― Pode ser a pares? – perguntou a Joaquina.
― A pares? Por que razão querem fazer a pares?
― Porque sabemos que “duas cabeças pensam melhor que uma”.
― Pode ser! ― disse a professora Carla.
Na aula de Espanhol.
― Bom dia, meninos, vamos fazer um trabalho de grupo!
― Podemos ter cinco pessoas no grupo? ― perguntou, a Inês.
― Calma lá! “Cozinheiros demais entornam o caldo”. Podem ser três pessoas no máximo!
Maria Leonor G, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Margarida G ― desafio 90

A professora disse para fazer um trabalho, que podia ser individual ou a pares, eu decidi ficar com o meu grupo de amigas, porque “duas cabeças pensam melhor que uma”.
Encontrámo-nos todos em minha casa para fazer o dito trabalho que a professora pedira, mas em vez de fazermos o trabalho ficámos a falar, a rir, a jogar e no final não fizemos trabalho nenhum, tivemos uma má nota e então pensei ”cozinheiros demais entornam o caldo”.
Margarida G, 13 anos, 8º ano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Margarida F ― desafio 90


“Duas cabeças pensam melhor que uma”, como por exemplo o caso do Zé que estava a servir a Teresa no café, de repente, ela lembrou-se de que precisava de umas coisas da mercearia do Zé. Foram para a mercearia.
Graças ao Anastácio a calculadora do Zé estava estragada e agora ele tinha de fazer as contas “de cabeça”. Mas Zé era mau a matemática, e Teresa também, então Marco foi ajudá-los mas “cozinheiros demais entornam o caldo”.
Margarida F, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Cristina Lourenço e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios


Lucas R ― desafio 90


Uma pessoa com 25 anos já tem, normalmente, um trabalho e responsabilidades. O trabalho tem de ser bem feito, nem demasiado lento, nem demasiado depressa. Os trabalhadores que fazem o trabalho rápido e mal são “apressados que comem cru”. Mas também há os trabalhadores que fazem o trabalho rápido e bem feito, é por isso que se diz “Tempo é dinheiro”, é por isso que devemos fazer o nosso trabalho sempre bem feito e ao nosso ritmo.
Lucas R, 14 anos, 8º ano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Eduardo G ― desafio 90

Já dizia o velho ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
Vejam o que aconteceu à Leonor:
Todos os alunos estavam a fazer ficha de avaliação de matemática, mas o João não sabia a maioria das respostas e perguntou-as à Leonor.
Tanto insistiu que a Leonor se sentiu obrigada a dar-lhe as respostas.
No dia de receber o teste, teve negativa. Também se diz que “se Deus não quer, os anjos não ajudam”.
Eduardo G, 13 anos, 8º ano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Mafalda F ― desafio 90

A professora mandou fazer um trabalho de grupo, mas eu não queria fazer com ninguém, porque trabalho melhor sozinha.
― Sim, sim, mas “duas cabeças pensam melhor do que uma” ― disse a minha amiga.
― Eu sei, mas depois, com tanta gente, e a dizer tanta coisa completamente diferente, fico bastante confusa.
― Concordo contigo, mas se cada um der uma ideia e se nos entendermos, chegamos a uma conclusão.
― “Cozinheiros demais entornam o caldo” nunca ouviste? Prefiro fazer sozinha.
Mafalda F, 13 anos, 8ºano, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Ana R ― desafio 90


“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, tens razão, tenho que ir fazer os trabalhos de casa, amanhã posso não ter tempo para os fazer, prefiro fazê-los agora do que não os fazer e ter má nota. No entanto tenho um teste para a semana, ia estudar agora, mas não posso, a professora ainda não deu aquela matéria, por isso não vou perceber, como dizia o provérbio: ”Não metas a carroça à frente dos bois”.
Ana R, 13 anos, 8ª, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Alberto B ― desafio 90

“Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, por isso vou-me já inscrever no clube, vou já treinar! O melhor é fazer isso, pois amanhã posso ter outra coisa para fazer e hoje treinava já!
Cheguei ao campo, estavam lá colegas e deram-me um equipamento. Inscrevi-me e perguntei-lhes se já podia treinar, eles disseram que não, pois ainda tinha de fazer exames médicos e aí percebi que não devia” pôr a carroça à frente dos bois.”
Alberto B, 13 anos, 8ª, AE de Alandroal, profs Mariana Charrua e Vera Saraiva
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios