07/12/21

Fernanda Malhão – escritiva 23

A grande festa de São João no Porto não é aconselhável a quem não gosta de confusões, a pessoas antissociais que não gostam de interagir com outras pessoas, por que é impossível sair a rua sem levar com marteladas na cabeça ou alho porro no nariz. Também o cheiro a sardinhas assadas se entranha por todo o lado. Dormir é muito difícil pois há música, fogos de artifício e pessoas a falarem alto em toda a parte!

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem

Miriam N – escritiva 29

Sou um caderno de apontamentos! Ultimamente, os dias têm sido horríveis. Eu já fui feliz quando era rechonchudo, elegante e todo decorado de autocolantes. Mas o meu dono diverte-se a arrancar as minhas folhas e, claramente, que elas não duram para sempre. Comecei então a ficar magro, gasto e já não sou bonito sem os meus amores. Acho que ele deveria ter-se preocupado mais comigo, pois agora não passo de um caderno disforme, magricela e sem amor!

Miriam N., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Janne B – escritiva 29

Éramos umas meias diferentes e confortáveis, éramos as meias favoritas da Lara, mas, infelizmente, perdi o meu par. Hoje ele encontra-se todo rasgado no lixo.

Agora eu sou apenas uma meia perdida numa gaveta da Lara. Sinto falta dele, do meu parceiro. Às vezes, pergunto-me se o meu amigo estará bem, se ele terá saudades minhas como eu tenho dele.

Sinto-me muito solitária, há momentos em que só queria voltar a vê-lo mesmo que fosse no lixo.

Janne B., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Isabel M – escritiva 29

Sou uma carteira recheada! Tenho amigas importantes para mim: notas e moedas de grande valor. Hoje, um humano tirou-me parte delas. Nunca me senti tão mal. Nada me pode fazer feliz. Perdi membros do meu grupo… E sempre que fico próxima de novas moedas e notas, vem um humano e substitui-as por outras. Não consigo parar de pensar se um dia terei estabilidade nas amizades que faço. Detesto toda esta insegurança. Quem me dera que fosse diferente!

Isabel M., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

David V – escritiva 29

Eu sou apenas uma simples televisão. Sou usada pelos humanos, mas, sem o meu comando, eu não sou ninguém. Quando alguém me liga, só tenho olhos para o meu querido comando. Não suportaria que um humano o perdesse. Quando me ligam com um comando que não é o meu, eu recuso-me a funcionar e desligo-me até que encontrem o meu mais-que-tudo. Adoro as formas dele, a sua dedicação e a sua personalidade carinhosa. Juntos somos um só!

David V., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Ana B – escritiva 29

Sou o candeeiro Candeias e não tenho vida sem a lâmpada Clarinda. O meu dono tem a mania de a manter apagada. Fico triste porque ela é maravilhosa quando está a brilhar.

A Clarinda anda muito em baixo. Pensa que o nosso dono a vai trocar por uma moderna. Tinha razão, isso aconteceu mesmo. Fiquei muito desolado e magoado com o meu dono!

Foram momentos de uma vida inteira que se apagaram por completo. É muito injusto…

Ana B., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Leonor P – escritiva 29

Sou o Brinco Laminco. Perdi recentemente a minha parceira de vida numa viagem. Os sentimentos de abandono e tristeza deixam-me de coração partido. De repente, olho à minha volta, parece que vejo a minha alma gémea. Uma pulseira faz os meus olhos brilhar.

Está na caixa de joias em cima da mesa. Aproximo-me e digo: “Envergonhada? Triste? És a pulseira mais linda e cintilante que já vi por aqui!”. Lançou-me um olhar apaixonado. E abraçámo-nos com carinho.

Leonor P., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Inês M – escritiva 29

Sou um romance com uma leitura cativante. Tive sempre uma vida tranquila numa prateleira, sem pó e bem tratado.

Porém, a minha vida mudou quando fui comprado e devorado por um humano, até ao dia em que deixei de ser útil.

Permaneci numa escura gaveta, onde encontrei a minha cara-metade: uma senhora comédia, a comédia da minha vida. Nunca, em toda a minha existência, tinha avistado tamanha beleza, o ser mais lindo estava perante os meus olhos!

Inês M., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Fábio A – escritiva 29

Sou uma bola de futebol e vivo com os ténis azuis. Todas as tardes jogamos no campo até o Sol se pôr. Somos muito felizes porque temos uma vida simples e cheia de amor.

Ontem apanhei um grande susto! Os meus ténis azuis não apareceram para o jogo de futebol de todos os dias. Andei preocupada e fiquei durante horas triste atrás de uma porta.

Hoje de manhã, soube que os meus ténis tinham ido tomar banho.

Fábio A., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Dinis P – escritiva 29

Havia um telemóvel que tinha uma grande amizade com a sua protetora película.

Com ela, o telemóvel estava sempre protegido, logo estava sempre impecável. Um certo dia, o dono do telemóvel decidiu tirar a película para limpá-la e o pior aconteceu. O dono deu um toque na mesa e o telemóvel caiu ao chão. Com o susto, a película partiu-se.

Esta, após a separação, fartou-se de chorar. Já o telemóvel por outra brilhante jovem se foi apaixonar.

Dinis P., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Angel C – escritiva 29

Em tempos, já nos uniram. Já fomos felizes juntas e nunca pensei que nos iríamos ter de separar. Nós sempre sonhámos que iríamos ficar ligadas toda a vida. Não realizámos o nosso sonho por causa do amor instável dos humanos.

Mas juro que voltarei a ser a tua prometida, a tua cara-metade, a tua amada. Nunca me vou esquecer do belo par de alianças que já fomos durante muitos anos… O nosso amor não poderá acabar assim.

Angel C., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Ricardo C – escritiva 29

Porta com fechadura. Fechadura dentro da porta. Queriam trancar a porta com uma fechadura estragada! Separaram-na da porta e eis que esta ficou triste. Em seguida, tentaram arranjar uma nova fechadura e lá encontraram uma amiga ideal para a porta.

A porta gostou tanto dela que até já dizia que tinha um novo amor… A porta, todos os dias, chorava porque não sabia como conquistá-la, por isso, comprou um buquê de flores para a encantar. E resultou!

Ricardo C., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Matilde M – escritiva 29

Sou um brinco solitário e triste dentro de uma caixa. Durante longos anos, sempre tive o meu par a meu lado. Mas estes tempos modernos mudaram tudo! Agora, o meu par encontrou um novo amor, que não se enquadra com nada. Nem sabe o que perdeu, eu sou magnífico.

Recentemente, entrou um brinco diferente para a caixa. Apaixonei-me! Declarei-me, mas ele estava em sofrimento e nem ligou. Eu não desisti e ele rendeu-se. É bom ser diferente!

Matilde M., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Mariana R – escritiva 29

Sou uma agulha e, há duas semanas, perdi a minha namorada, a linha azul. Estávamos a coser a perna de uma boneca e usámo-la toda. Fiquei uma semana parada e sozinha, mas a seguir chegou outra, a linha amarela. No início, não gostei dela, mas agora estamos a formar uma bonita amizade. Não quero substituir a linha azul, mas acho que estou apaixonada pela linha amarela e acho que ela também está a gostar bastante de mim.

Mariana R., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Joana A – escritiva 29

Roupa arrumada. Sapatilhas guardadas… Vejo o quão estragada uma está. Por fora, uma lástima, por dentro, magoada pelo seu aspeto gasto.

Que diferentes são, uma dominada pela vaidade e a outra muito modesta. A vaidosa era a mais estragada, daí ter sido substituída. Ficou furiosa por a terem trocado; quanto à outra, ficou desolada por ter perdido o seu amor, mas rapidamente se apaixonou pela que chegou, igualzinha a si. E assim se tornaram o casal sensação.

Joana A., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Beatriz B – escritiva 29

Sou a chave Bem! Costumávamos ser duas chaves, a Bem e o Bom. Estas últimas semanas não têm sido fáceis. Uma enorme tragédia aconteceu! O meu dono perdeu o Bom… Ainda estou a tentar recompor-me. Éramos um casal feliz, nunca nos separávamos.

Por cada porta-chaves que passávamos, olhavam-nos sempre de lado. Todos tinham inveja de termos uma conexão. Não sabíamos explicar porquê. Mas, na verdade, quando o vi, soube logo que o nosso futuro seria bem bom!

Beatriz B., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Guilherme D – escritiva 29

Sou o lápis Rabisco. Os meus últimos dias têm sido complicados. Sempre que escrevo, a minha colega borracha apaga-me as linhas. Sempre que fico sem bico, a minha colega afia não mo afia. Mas agora conheci a multifunções. É linda, metade borracha e metade afia. Fiquei logo apaixonado. Então, decidi falar com ela, perguntei-lhe se ela me podia afiar. No dia seguinte, convidei-a para jantar. Falei-lhe dos meus sentimentos e fui correspondido. Começou assim o nosso amor.

Guilherme D., 13 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Vítor I – escritiva 29

Num quarto escuro, em cima de uma mesa, encontrava-se um teclado e um rato velho e pequeno, que sofria pela sua idade. Por outro lado, o teclado era novo, grande e brilhante.

Eles já não tinham uma relação saudável. Estavam sempre a discutir. A dada altura, o rato teve de ser substituído e veio um novo, esbelto e luminoso. O teclado, quando o viu, achou-o deslumbrante e o rato também o achou fenomenal, sexy e desenvolvido. Apaixonaram-se.

Vítor I., 15 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Lara M – escritiva 29

A capa e o telemóvel têm boa relação porque é o que o impede de se partir e não ter frio. Um dia, a capa estragou-se e o telemóvel ficou sozinho. Assim, veio rapidamente uma nova, que o telemóvel não gostou tanto como da antiga. Mas reparou que ela tinha mais camadas protetoras e que era mais reluzente que a outra. Por isso, com o passar do tempo, o amor despertou entre a capa e o telemóvel.

Lara M., 14 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Íris A – escritiva 29

Eram duas companheiras, uma lapiseira e uma caneta, parecidas, mas com algumas diferenças. Um dia, foram separadas por uma situação inesperada: a caneta deixou de ter tinta, a lapiseira ainda tinha minas. Sem poderem fazer nada, a caneta foi para o lixo.

Nesse momento, sem o seu grande amor, a lapiseira sentiu-se sozinha. Passou dias sem ter ninguém para conversar, destroçada e abandonada. Mesmo com tantas outras canetas à sua volta, ninguém nunca conseguiu substituir aquele amor.

Íris A., 14 anos, AE Portel, Prof Patrícia Vieira

Escritiva nº 29 – história de amor de objetos