15/01/21

Theo De Bakkere – desafio 231

A opinião romântica

Na praia, a pescadora não tinha olho para a imponente cobertura de nuvens que se refletia no mar. Era óbvio, não compartilhava a opinião romântica que turistas têm do oceano.

Desde o furacão daquela noite passada, preocupou-se pela falta de contacto radiofónico do barco de pesca com o filho a bordo. Ora, melhor que qualquer outra pessoa, estava consciente do imprevisível risco. Deixou um suspiro de alívio notando ao longe um barco.

Seria o barco dele! ..... Talvez.

Theo De Bakkere, 69 anos, Antuérpia-Bélgica

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Mais textos aqui: http://blog.seniorennet.be/lisboa

Elsa Alves – desafio 182

Quando a bruxa soube que a Branca de Neve não morrera e morava com os anões apanhou-os como reféns e ameaçou a Branca de Neve: "Se os queres, paga!!!" A Branca de neve que os adorava, procurou as moedas de ouro que os anões guardavam para a reforma e pagou à bruxa que as usou comprando roupa e um bom carro. Os anões governaram-se, renovando a casa e recebendo hóspedes que procuravam sossego no campo. Grande mudança!!!

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l

Elsa Alves – desafio 183

Ana é uma leitora capaz de reler o mesmo livro vezes sem conta. com o mesmo afã. Gosta de rever pormenores, ama o reencontro com as personagens. As amigas consideram oco esse interesse. "Para quê reviver o que já conheces?" Metem-lhe, na cabeça, que a sua opção é disparatada. Ana rejeita essa opinião. Quer passear pelas salas, tão bem descritas, enfrentar os malvados que matam o herói. Ao raiar do sol, pega num livro. É uma obsessão...

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

Elsa Alves – desafio 185

Inês, bem que desejava ignorar a sua enorme infelicidade. Mas era-lhe, praticamente, impossível, esquecer aquela incrível paixão que vivera. Insuportável, era-lhe, mesmo, ir por outros caminhos. Imitar as amigas que, implacáveis, trocavam de namorados. Imaginava-se abraçada por ele. Idolatrava-o. A irmã mais nova gozava-a imenso. Aceitava-lhe essa ideia mas, no íntimo, sentia, sempre, aquela impressão. Por índole, era incapaz de alterar sentimentos. Ímpar aquele seu amor. Ínfimas as suas dúvidas. Insubstituível aquele homem. Num ímpeto, rasgou-lhe a fotografia.

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 185 ― palavras com i

13/01/21

Fernanda Malhão – desafio RS 8

Estava em êxtase, uma caminhada pela natureza seria revigorante, mas quando acordou o céu cinzento anunciava a chuva que se aproximava! Não desistiu, calçou as botas impermeáveis, pegou na capa de chuva e meteu-se a caminho. A chuva fez-lhe companhia, ela apreciou cada pormenor do caminho: cores, texturas, cheiro a humidade vindo da terra, barulho da chuva e do vento na vegetação. Sensações tão boas que desapareceram na segunda-feira quando pôs a chave no cacifo do trabalho.

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

Fernanda Malhão – desafio 231

Depois de tantos dias de chuva, foi tão bom sentar, sentir os raios de sol aquecer ligeiramente a minha face, comtemplar a serenidade nas águas e ver como tudo sempre passa. Naquele espelho de água vi as nuvens e vi com clareza aquilo que precisava fazer para mudar o rumo da minha vida! Foi como se tivesse aparecido uma lâmpada acesa em cima da minha cabeça!  Foi necessário sossegar a mente e depois partir para a ação!

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Toninho – desafio 231

A ilha cada vez mais distante, o meu barco desliza nas águas mansas.

No céu azulado surgem as gaivotas famintas com algazarra estridente.

O cais se aproxima, os velhos barcos ancorados bailam no vai e vem.

Deixo-me levar no olhar à ilha, que se doura pelo pôr do Sol encantador.

É fim do Verão, que vem anunciado pelo revoar de inúmeras andorinhas.

A lua vaidosa ilumina os inertes barcos, o cais logo adormeceu.

Alguém canta Ave Maria.

Toninho, 64 anos, Salvador-Bahia, Brasil

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Publicado aqui: http://toninhobira.blogspot.com/2021/01/uma-ilha.html

12/01/21

Micaela C – desafio 231

Mar!

O mar inspira-me, leva-me ao imaginário, praia, areia, infância tão bom que é sentir o mar.

Pensar no mar é lembrar dos momentos em que somos pequeninos e ouvimos falar do mar, e queremos ser sereias ou piratas. É tão bom recordar tudo isso!

Lembrar do mar leva-nos a pensar o quanto pequeninos podemos ser, quando nos esforçamos para ver o mundo diferente.

Olhar o mar com meus olhos de criança é voltar a ser inocente.

Micaela C, 18 anos, EPADRC, Alcobaça, prof Fernanda Duarte

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Cláudia P – desafio 231

Quanta tranquilidade nos é inspirada pela paisagem marítima!

Olhar para o mar é sonhar, percorremos caminhos encantados, encontramos pessoas que nos amam, outras que nos odeiam, mas somos felizes.

Nem sempre o mundo é igual àquilo que imaginamos, desilude-nos, contudo, surpreende-nos com ondas de luz iguais às de uma tarde de verão.

Quando o sol se despede, o alaranjado esconde-se, formando uma enorme abóboda de pontos luminosos – as estrelas. São elas que nos embalam até ao amanhecer.

Cláudia P, 16anos, EPADRC, Alcobaça, prof Fernanda Duarte

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Mireille Amaral – desafio 35

Apaga as luzes, apaga as luzes

A morte, tragicamente, encostou-se ao meu ombro, vestindo-se de amargura e de dias cinzentos, de tormenta e de noites infinitas e da insanidade de querer resgatar o passado para existir um futuro onde tu também existisses. 

Hoje és saudade, a prece em dias difíceis, o esboço de um sorriso ao ouvir The Doors, a luz cintilante de uma vela acesa. 

A tua mão agarra-me, mas eu não posso ser teu guia.

Mireille Amaral, 45 anos, Gondomar

Jim Morrion, Uma oração americana e outros escritos, 1967

Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Joana Barata – desafio 231

Quando ali chegou, perdeu-se. Deixou de saber onde era para cima e onde era para baixo. Sabia que em baixo deveria encontrar o espelho do que estava por cima, mas e se já não fosse assim? E se desse um passo e caísse no abismo que lhe poderia trazer o céu em vez de mergulhar na água pura e segura que sempre encontrava no mar? Ficou sem saber o que fazer, o medo prendeu-o ali para sempre.

Joana Barata, 31 anos, Costa de Caparica

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Helena Rosinha – desafio 224

Berros, o areal num caos: toalhas rasgadas, cadeiras partidas, guarda-sóis revirados. Na esplanada, suspendem-se as leituras, as limonadas, os gelados. “Chamem o cabo-de-mar. Onde já se viu?”

Decido, então, sair da água. Sacudo-me, ajeito o bikini — demasiado reduzido, eu sei! Devagar encaminho-me para o sítio onde deixara as minhas coisas, agora raivosamente espezinhadas. Abandono a praia sem o olhar, sequer. Não volto a dizer-lhe aonde vou a banhos. Há limites! Cabra que se preze não tolera escândalos. 

Helena Rosinha, 68 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 224 – bode à sombra

Isabel Lopo – desafio 231

Vivemos um pesadelo, mas quando chego a casa e vejo o rio, sinto o quanto gosto de aqui viver. Por vezes toma a cor do céu confundindo-se com ele, sem limites, invadindo todo o horizonte. E os barcos rasgam as águas ao sabor do vento.

Nesta imagem o rio entristeceu, talvez pressentindo o que vai no coração dos homens. Imóveis, os barcos parecem carregar o peso do mundo.

O rio reflete muitas vezes as emoções da cidade!

Isabel Lopo, Lisboa

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Natalina Marques – desafio 231

Era fim de tarde.

Quis o destino

que eu voltasse, 

a encontrar-te

na mesma praia.

Corrias num desatino

quando chocaste em mim.

Pediste desculpa,

mas os teus olhos

prenderam-se aos meus

numa ternura sem fim.

Tentei desviar-me,

mas um suave sorriso,

que aos teus lábios aflorou,

trouxe ao meu coração

o soar de uma canção

que ao longe

uma sereia cantou.

O céu com o seu ensejo

e a calmaria do mar,

nosso primeiro beijo

quiseram testemunhar.

Natalina Marques, 61 anos, Palmela

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Sofia Sobral Ramos – desafio 231

– Mãe, porque tanto olhas o mar?

Perguntava-lhe todos os domingos, mas ela apenas suspirava. Até que, naquela fria manhã de inverno, depois da rotina de comprar pão, antes de eu fazer qualquer pergunta ela suspirou palavras:

– Sempre que olho o mar recordo-me do teu pai. Foi por entre salpicos e cheiro a areia molhada que nos conhecemos. Só venho aqui dizer bom-dia. Sei que ele agradece, as ondas suspiram comigo. O mar é saudade em estado líquido…

Sofia Sobral Ramos, 43 anos, Coimbra

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Isabel Fortunato – desafio 195

Ai o ano 2020! Foi para esquecer! Começou bem, muito bem. Sucesso no trabalho, check. Sucesso no amor, check. Saúde, check. Chegou março e complicou. Todos ficámos fechados. A empresa quase faliu. Aulas através da Internet. Sonhos se desmoronaram. Falências foram declaradas. A saúde piorou. Mas a esperança permanecia. Esperança do vírus morrer. Esperança de estar negativa. Esperança de escapar ilesa. Chegou dezembro. O vírus apanhou-me. O meu pai faleceu. O Ano acabou. Ainda bem, digo eu! 

Isabel Fortunato, 47 anos, Fernão Ferro

Desafio nº 195 ― ano velho em frases pequenas

11/01/21

Mafalda Abreu – desafio 231

Afogar-se-iam as nuvens no mar, ou elevavar-se-ia a água, uma vez mais, aos céus? Não sabia. E na incerteza, no caos de pensamentos que o deixavam ainda mais confuso, sabia que aquele sal que lhe escorria pelas faces não era só seu. Era a água das nuvens fundida com o sal do mar que, entre evaporações e precipitações de ciclos repetidos, lhe toldava agora os olhos. Como seria possível tamanha lucidez em tão revolto turbilhão de ideias?

Mafalda Abreu, 45 anos, Lisboa

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Chica – desafio 231

Num mesmo cenário tanto há a ver e admirar.

O mar, os barcos, o céu, as nuvens nele refletidas.

O barco nos lembra passeios, mas também a lida dos pescadores que cedinho pela manhã, despedem-se da família toda e seguem mar a dentro em busca do sustento.

Ao olharmos o céu, vemos a grandeza e nosso real tamanho.  

As nuvens e seus reflexos que nos ensinam sobre tudo que fizermos, terá um reflexo.

Que sejam lindos!

Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração

Publicado aqui: https://ceuepalavras.blogspot.com/2021/01/blog-post_10.html

Helena Rosinha – desafio 230

Nova e excitante viagem. Era assim cada aula. Usando uma história como fio condutor, a professora mantinha-nos suspensos das suas palavras. Aguçava-nos a curiosidade, com episódios de espionagem, para nos apresentar o Pentágono. Levava-nos pelo jardim das Tulherias para conhecermos a Pirâmide do Louvre. Calcávamos Paralelepípedos em Riga, em Lisboa. Deslizávamos com o Cilindrona Casa Dançante, em Praga. Em cada aula, admirávamos o mundo por um outro Prisma, deixando-nos seduzir pela grande EsferaUm dia palmilhá-la-íamos.

Helena Rosinha, 68 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 230 – uma viagem com geometria

10/01/21

Desafio nº 231

O nosso desafio de hoje é este: 

que texto vos surge a partir desta imagem? 

Soltem as palavras e enviem o vosso texto!



Eu escrevi assim:

Cheiro o sal e a areia molhada. Depois, ao fechar os olhos, visito momentos em que risos e enlevos ecoam na paisagem.  

Inspiro profundamente este ar salgado e cada canto de mim se ilumina com as imagens e os sons que ressuscita. 

Regressam as sensações, os sentimentos e as emoções num turbilhão, como bolhas de ar, quando se volta à tona da água, depois de um mergulho bem fundo. 

Tudo acontece com a maresia, como uma maré. 

Rosário P. Ribeiro, 64 anos, Lisboa

Desafio nº 231 – fotografia como inspiração