30/01/23

Ana Seixas Silva - desafio 235

Setas amarelas indicam o caminho: às vezes com a vieira do apóstolo, outras só a seta desenhada por alguém que presa o caminho e respeita os peregrinos.

Seguimos os dois, peregrinos de um sonho, com o olhar a alternar entre a paisagem e as indicações pintadas. Fazemos amigos, vamos descobrindo os milagres do caminho e finalmente alcançamos a Catedral.

Agora, sem setas, para onde seguir?

Ele sorri e responde: Contigo, sem medo, até ao fim do mundo.

Ana Seixas Silva, 49 anos, Nelas

235 – imagem dos dois caminhos

Gabriela M e Beatriz P – desafio 1

Numa biblioteca local, as crianças preparavam-se para ouvir uma história.

– Olá, crianças! Querem que vos leia este livro?

– Sim! – responderam, muito contentes.

– Então vamos começar. O título deste livro é: “O sorriso do mal” – respondeu a leitora.

Quando ela ia começar, o alarme de incêndio disparou e ouviu-se gritar do outro lado da sala:

– Fogo! Fogo!

– Meninos, hoje não vai dar para ler a história…

– Oh, que pena! Eu queria ouvir esta história! – disse uma das crianças.

Gabriela M e Beatriz P, 10 anos, 5º ano, Escola Básica Quinta de Marrocos, prof. Isabel Franco

1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

24/01/23

Luísa Ropio Coelho – desafio 272

A montra estava quase pronta. Faltava apenas colocar a palmeira no canto mais a norte e as outras plantas de plástico do outro lado.

Entretanto a funcionária forçou e estragou a fechadura do armário novo.

Agrada-me a imagem da montra nova. Que original.  Tenho ainda que colocar as botas, o blusão, o cinto que chegou ontem e ainda as luvas.

Acabei! Adoro!

Passou por aqui um senhor que ficou espantado a olhar para as cores desta coleção!

Luísa Ropio Coelho, 52 anos, Vimioso

272 – palavras encadeadas, com palmeira

Rebeca M – desafio 3

Num dia de sol, às sete horas da manhã, fomos ver um filme chamado “Rei Leão”. Eram dois amigos: o Timo e o Pumba. Eles salvaram o leão, flho do rei que tinha sido atacado por três abutres.

Passados dez anos, Simba salvou quatro girafas, cinco macacos, seis mamutes e oito elefantes. As nove hienas atacaram o novo rei. Acabou tudo bem: os bons ganharam e os maus perderam. Simba casou, teve um filho e uma filha.

Rebeca M, 10 anos, 5º ano, Escola Básica Quinta de Marrocos

3 – números de 1 a 10

Sofia A – desafio 258

Um rato romano fazia pão com azeite quando pensou:

“Gostava tanto de descobrir a minha origem!”

Foi à zoteca mais próxima, falou com o zelantezombeteiro e tenaz.

– Deixais-me descobrir a minha origem? – perguntou.

– Deixarei, se descobrires a minha também!

O zelante era português. Pesquisou, descobriu que a História de Portugal e Roma estavam interligadas. Quis trazer o livro. Leu, curioso. Decidiu ser professor de História.

A frase que mais dizia era:

– Fizeste o trabalho? De certeza?

Sofia A, 11 anos, 6º ano, EB Quinta de Marrocos

258 – 8 palavras com Z+T+E

05/01/23

Domingos Correia – desafio 273

Corredor da morte

Não acreditava no que ouvia, não acreditava.

Esperava há meses no corredor da morte.

E à morte, condenado por erro judicial.

Sim, estavam lá as suas impressões digitais.

Mas só tentou apenas salvá-la, foi isso.

Ele amava-a tanto, jamais lhe faria mal.

Mesmo assim, ninguém acreditou na sua inocência.

E, roendo medo e sofrimento, lá esperava.

Mas naquele dia, tudo mudou para si.

Um sábio detetive descobrira o verdadeiro culpado.

E o homem saiu de cara lavada.

Domingos Correia, 64 anos, Amarante

273 – 11x7 com frase inicial dada

Os desafios de Zelinda Baião

As máquinas chegavam, impiedosas e devoradoras. Esventravam cada recanto, tornando-o seu. Homens, em labuta constante, afadigavam-se, num vaivém frenético. As ferramentas, estridentes e poderosas, eram as suas armas. Aos poucos, o puzzle agigantava-se e o verde era agora uma miragem. A verticalidade tomava conta do espaço. Modernidade envidraçada, num bulício constante. Assistíamos, impotentes, ao mundo do avesso e ao começo de uma nova era. E os dias simples na nossa casa, que sempre desafiara a floresta, acabaram.

269 – excerto de MFS

 

Não acreditava no que ouvia, não acreditava. A história serpenteava, célere, pela pequena vila. Ali, todos se conheciam, desde tempos imemoriais. Nada do que acontecia ficava entre paredes. Em cada lugar, havia uma nova versão. O cão do Francisco matara o dono. O Francisco matara o seu próprio cão. O Francisco e o cão tinham morrido. O episódio ganhava a dimensão de tragédia. Acorreu, chorosa, a casa dos dois amigos. Temerosa, leu o bilhete: “Partimos para férias.”

273 – 11x7 com frase inicial dada

 

Covil de libertinos, a aldeia espraiava-se, minúscula, no sopé da montanha. Um ponto que se desenhava no horizonte. A protegê-la, a floresta, densa e escura, era um baluarte contra os invasores. Ali, a liberdade era rainha e a responsabilidade uma miragem por burilar. Na lembrança de alguns brilhava, ainda, o dia da mudança. Sem peias, vagarosamente, desfrutavam da essência que os rodeava. Outros, contudo, a melancolia no olhar, sentiam-se sós e ambicionavam partir para outro lugar. Bipolaridades. 

271 – palavras com L+B+R

 

Ana chegava cedo. A mesa, junto à janela, estava, quase sempre, disponível. Era um posto de observação privilegiado. O olhar sobrevoava toda a sala e detinha-se, demoradamente, no centro. Aqui, estava o tema. Tropel em correrias coloridas e gritinhos estridentes enchiam todo o espaço. Algaravia desconexa, própria da idade, e um atropelo de vozes, desembocavam, repetidamente, em finas gargalhadas. Irrequietude. Vigiava a ginástica comportamental das crianças, pois o livro que estava a escrever ainda ia a meio.

276 – A ginástica comportamental das crianças

 

No dia em que o caldo se entornou, tudo foi diferente. Posicionados, os dois, frente a frente, medindo-se, eriçados, coléricos e desafiantes. Resgataram memórias da amizade que os unira, de um tempo antigo. Desfiaram saudades de episódios vividos em conjunto que, subitamente, se esbateram. Não voltariam a percorrer os mesmos espaços nem a partilhar tropelias. No ar, perpassava o odor a desgraça, ofuscando o passado feliz. Os dois gatos, que agora eram inimigos, iniciaram uma luta impetuosa.

267 – o caldo entornado

 

conferência estava confirmada havia já algum tempo. Seria o momento alto da confraternização que, anualmente, reunia os melhores.  A eloquência era o seu ponto forte e tinha-se preparado para o confronto com os outros oradores. Não havia lugar a desconforto. Francesca sabia que carregava muito lastro. Cada palavra, ponderada e dissecada, perduraria, certamente, depois da sua passagem. Era uma situação que acontecia com frequência. Porém, chegado o momento, saiu da sala, visivelmente perturbada. Esquecera o discurso.

274 – 7 palavras com CFRN

 

Textos de Zelinda Baião, 55 anos, Linda-a-Velha

 

12/12/22

Ana Luísa – desafio 43

Uma gota de água transparente cai, cai na água, cai num lago com alguns peixes. Caiu de uma nuvem, caiu junto com várias gotas de água, várias gotas de água caem. O lago estava raso, os peixes não conseguiam respirar e com aquelas gotas já conseguiam respirar e ficaram felizes. Começaram a nadar e a saltar na água de tão felizes, eles sem querer saltam para fora e morrem. Eles voam para o céu e dançam felizes.

Ana Luísa, 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

D. Andrezo – desafio 43

Era uma vez um rapaz,

Acorda numa linda manhã,

Não se avistavam nuvens no céu,

O sol aquecia o ambiente.

 

O rapaz precisava do melhor dia possível,

Para a sua audição de piano no parque.

Foi logo ver a previsão meteorológica,

Não havia nenhum mau presságio.

 

Na hora da audição nada parecia correr mal.

Até que a meio do segundo andamento,

O rapaz nota uma gota a cair no lago

E aí soube o que se seguiria.

Francisco P., 12 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

D. Andrezo – desafio 43

Era uma vez um menino que queria ir andar de mota à chuva.
Os pais não o deixaram ir, mas ele foi imprudentemente.
Ligou a mota e foi.
Passou a estrada e quando chegou ao campo viu as poças de água e, em pouco tempo, já estava todo sujo.
Entretanto, teve de passar uma ponte de madeira que estava cheia de lama. Passou com tanta velocidade, que os pneus da mota escorregaram fazendo-o cair dentro do ribeiro.

D. Andrezo, 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Ana C – desafio 43

Consumida por apenas um sentimento, Beyah sentiu recentemente a dor da perda. O seu tão amado filho Karl tinha partido devido ao descobrimento, tardio, de um cancro. Consigo, levou a maior parte do seu coração. Sabia que o lugar preferido dele, era aquele mágico lago, perto da sua casa. Decidiu, observar em volta o lago e recordar os seus momentos com ele. No meio de tantas recordações, as lágrimas salgadas, caiam-lhe descontroladamente, gota a gota, pelo rosto.

Ana C., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Beatriz C – desafio 43

Sarah, adolescente de dezassete anos, vivia com a sua mãe que se drogava.
Ela tinha chegado a casa depois do treino de dança e viu a sua mãe caída no chão… morta, de tanta droga consumida! Sarah tentou conter o choro, pois não queria chorar por uma pessoa que não queria saber dela, mas não conseguiu, porque não esquecia o facto que ela era a sua mãe. Então as lágrimas caíam gota após gota, sem ela controlar.

Beatriz C., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

S. Margalha – desafio 43

Era uma vez um rapaz que estava a andar de bicicleta e uma gota de suor caiu no chão molhado. O rapaz ficou a pensar que, como a pinga de suor caiu, ele tinha perdido uma pinga da sua própria família. Então, parou automaticamente! Foi para casa e começou a ficar triste porque não gostou que lhe tivessem roubado uma parte da sua família. Começou a ficar muito deprimido, o que o levou a uma depressão profunda.

S. Margalha, 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Catarina M – desafio 43

Consumida pelos seus próprios sentimentos, Mary, com apenas nove anos, tinha acabado de perder a mãe. Foi visitar a praia, o sítio onde ela e a mãe tinham as melhores memórias. Depois daquele tempo todo no funeral, a conter as suas emoções, a tentar sorrir, para o seu pai não ficar triste, como finalmente estava sozinha, as lágrimas começaram-lhe a cair pelo rosto, acabando por cair uma a uma na água. E ali disse o último adeus.

Catarina M., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

João G – desafio 43

Uma gota cai no rio
Num lugar de si mesmo.
E quando cai
Grita de medo!

Antes de cair
É tão diferente dos outros
Mas ao aterrar
Era como não existir.

A gota é como o humano:
É tão único quando nasce
Mas, quando se mistura com os outros,
É como se perdesse a liberdade.

Como parar algo impossível?
Como parar a gota de cair?
Bem, o destino dela é "desaparecer"!
Mas o humano pode conseguir sobressair.

João G., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Luís J – desafio 43

Uma gota de suor de quem trabalha todos os dias para pôr comida na mesa de quem realmente precisa, não de quem desperdiça. Uma gota de água que representa pouco para uns, mas muito para outros. Uma Gota que tem vida, família, amigos, um amor. Uma gota que tem pensamentos, sentimentos, dores, felicidade, mas no fundo uma gota que se preocupa com todos e que todos, querendo ou não, precisam dela e que no fundo é boa.

Luís J., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Mary L – desafio 43

Tal como os corpúsculos, as gotas de água espalham-se pelo planeta. Só que, para mim, os corpúsculos pertencem à química e as gotas pertencem ao mundo, ao planeta, a tudo.
Nesta história irei explicar a vida da pobre coitada Flora.
Flora, era uma gota de água que vivia num mundo só dela, um mundo muito triste. A partir do dia em que conheceu o Tó Zé, o corpúsculo mais feliz que existia, os seus dias melhoraram verdadeiramente.

Mary L., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Roxa, A – desafio 43

Era uma vez um pingo. Um dia, o pingo viajou pela atmosfera, numa nuvem cheia de pingos. Estavam todos fartos de lá estar, como uma viagem muito longa de avião. Então o pingo decidiu viver uma pequena aventura. Quando a nuvem estivesse prestes a parar, o pingo seria o primeiro a saltar. O momento chegou e o pingo saltou. Caiu lentamente e embateu no mar. Ficou sozinho, perdido no oceano. Deixou-se levar pelo oceano. Escuro, tenebroso, eternamente.

Roxa, A., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

Becas B – desafio 43

A gota sem fim
A gota nunca caí... Todos se perguntam como ela fica ali imóvel, sem se mexer.
A verdade é que depois passado algum tempo, veio-se a descobrir que o buraco que está por baixo da gota tem um tipo de magnetismo, mas os cientistas não quiseram dizer nada, pois iriam perder os turistas.
Passado algum tempo decidiram contar, mas ao contrário do que pensaram, ainda tiveram mais turistas, para saberem mais sobre a gota.

Becas B., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água

João F – desafio 43

A Gota Num Buraco Negro
Uma vez, no espaço um Buraco Negro, acabou por ficar "congelado". Esse momento não interferiu em praticamente nada. Num dia de chuva, apenas em uma gota e poucos repararam. Quem acabava por olhar perguntava-se: se estava a ficar maluco. Outros, simplesmente, passavam ao lado. A chuva acabou por ficar por mais alguns dias. Quando a chuva parou, abriu-se um dia de sol e a gota evaporou-se. E acabou assim sem nenhuma explicação.

João F., 13 anos, 8º ano, Escola Básica António Gião, Reguengos de Monsaraz, prof. Marta Jorge e prof. Vera Saraiva

43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água