23/03/19

Carla Silva ― desafio 167


Chego amanhã com o nascer do sol para te arrancar dessa vida.
O pequeno papel repousava amarrotado no bolso.
Sabia quem o enviara. Devia ter ido...
Tinha a certeza disso. Disso e que não devia ter dado segundas oportunidades ou aceitar pedidos de desculpa por muitas flores que os acompanhassem.
Mas o amor era... Amor... Não. Não era amor!
Era medo. Mais que nunca precisava ser forte, precisava sair daquela vivência doentia para voltar a ser feliz.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

22/03/19

Cristina Isabel Santos ― desafio 115

Salpicava os olhos com os dedos. 
Não podia adormecer. Nos ramos da árvore pousava o sono. 
Os olhos queriam encostar-lhe a cabeça ao tronco. 
Começou a contar carneiros, porque virou noites e manhãs   
acordado com campos cheiinhos de carneiros. 
Cada um tinha nome, cor e um sentido.
Ouviu um estalido. Deixou os carneiros agarrados ao tronco, 
a cor do céu desaparecia, ele procurava os companheiros.
Tinha ficado de tocaia com medo da solidão.
Acabou por ser apanhado.
Cristina Isabel Santos, 43 anos, Lisboa
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

Daniel C ― desafio 159

Era uma vez um urso rei.
Muito rico, não dava a ninguém!
Um dia, olhou para os seus súbditos
E reparou, que a eles, lhes faltava dinheiro.

Então por ver o mal que ele fez
Doou metade do dinheiro todo de uma vez.
Mas não era só isso,
comida também era precisa.

Rapidamente pegou no seu banquete
Distribuiu tudo para aliviar a mente.
Os anos passaram e o reino já era uma cidade
Obviamente feliz, com capacidade!
Daniel C, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Frederico C ― desafio 159

A diferença é algo de que todos precisamos, mas como é que vamos fazer a diferença?
É simples:  JUNTOS!!!
Fazer a diferença é ajudar todos à sua volta; é acabar com o racismo; é trabalhar em comunidade; é saber viver em paz na sociedade; é erradicar a fome e a pobreza; é não se preocupar apenas consigo mas com todos.
Juntos podemos mudar o mundo pois juntos somos mais fortes, mais inteligentes, conseguindo assim fazer a DIFERENÇA!!!
Frederico C, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Rodrigo T ― desafio 159

Um dia, Manuel viu um senhor sentado a um canto da rua com frio, fome e não tinha nenhum cêntimo. Ele estava a pensar como se fosse ele a estar naquele lugar, então deu ao senhor o seu casaco, o seu lanche e um euro que tinha no bolso. 
O senhor ficou-lhe muito agradecido e quis recompensá-lo mas ele disse:
― Você é que tem de ser ajudado. 
A partir daí o Manuel levava sempre comida ao senhor. 
Rodrigo T, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Filipe O ― desafio 159

O mundo está a ficar caro, não acham? O preço está a aumentar no gasóleo, comércio, há muitas pessoas que vivem na rua com muita fome e sede. Existem pessoas que trabalham muito, outras que trabalham pouco e ganham muito dinheiro. Temos de eliminar a fome, a sede e temos que poupar dinheiro. Temos que nos impor e dizer: "Já chega, não podemos trabalhar tanto e receber tão pouco dinheiro! Temos também de lutar contra o racismo!”     
Filipe O., 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Emília Simões ― desafio 167

Vivia no Douro, onde se estabelecera como vinicultor. 
Visitava com frequência os pais que moravam no Alentejo. 
A idade não perdoa e depois do pai ter falecido há três anos a mãe nunca mais fora a mesma. 
Naquela manhã, abriu o correio e reparou numa carta sem selo nem remetente.  Abriu-a e leu: «Chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa apatia».  
Os seus olhos sorriram e murmurou baixinho: “É do meu filho”. 
Emília Simões, 67 anos, Mem-Martins 
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Grandes Miúdos de hoje


China estava irritadíssima, aborrecidíssima de estar numa Alta Tecnologia arredondada, literalmente dentro de uma esfera; foi puxada para o espaço e está numa esfera de tecnologia, os habitantes estão a ficar muito doentes.
Isto começou quando uma nave invadiu a China. Passado meses começaram a acontecer coisas estranhas: estava a ser puxada por um íman, mais elevada.
A Ásia ainda tentou fazer um íman maior, mas só uma coisa no mundo podia pôr a China no lugar…
Daniel Santos, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 158 – acróstico de CEIA DE NATAL

Numa bela tarde de verão, passava um bando por cima da floresta e o líder do bando diz:
― Vamos para a floresta, deve dar para nós ficarmos por umas noites.
Quando eles pousaram, deram um grande sorriso pelo estado da floresta.
Então aconchegaram-se todos num canto e dormiram. No dia seguinte, um pássaro acorda e diz:
― A minha pena está a arder!
O líder soprou e apagou o fogo, mas eles não esperavam que estivesse a arder…
Francisco Mendes, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

21/03/19

Margarida Leite ― desafio 167


O poder da amizade
Continuava exausta sem sair da cama. Que adiantava o sol lá fora, se a noite ensombrava os dias? A doença debilitou-lhe o espírito, e agora lutava também contra uma depressão. Para quê existir?
Ao telemóvel chegou a mensagem: “Chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa escuridão”. Esboçou um sorriso, e lágrimas correram-lhe pelo rosto. Sempre ela…
Ouviu a chave na porta. Sentiu a luz da amiga invadir-lhe o coração. Tudo iria mudar!
Margarida Leite, 49 anos, Cucujães
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Graça Pinto ― desafio 167

Naquele dia uma carta caíra naquela caixa de correio. Andara extraviada. Quem a abriu não lhe conhecera história. Seu texto apenas referia:
“Chego amanhã com o nascer do sol. Vou para te tirar dessa escravatura.”
Tarde demais!... Foi carta perdida no tempo, sem selo nem remetente, para um destinatário que já sucumbira ás mãos de seu carrasco; homem da sua vida, que outrora lhe jurara proteção e votos de um amor que se tornara tóxico e homicida.
Graça Pinto, 60 anos, Almada
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Carlos Rodrigues ― desafio 166


Elias Tolo vivia num local lindo. Avistava Guimarães, Barcelos, Braga. Era um sítio alto. Muito verde, muito fresco.
Era uma terra cheia de Sol. Muito pequena, muito pobre.  Mas era bom lá ir com os meus pais.
Caramuja, terra minhota, soalheira. De lá não dava para ver o mar. Estava prometida visita Elias.
Um dia vamos ver o mar meu tolo. Fomos naquela manhã bonita. Ele ia com medo de não haver mar. Chegou, adorou, chorou, gritou.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja

«Razões para Escrever» - o livro

É isso mesmo, o livro está pronto!

Edição de NósNaLinha

Design e paginação de Carla Nazareth

Revisão de António Matos


Desejo neste livro apoiar quem gosta de escrever e levar quem não gosta a gostar. Porque escrever significa arriscar, apurar, limpar, reescrever, brincar, reinventar a língua. Porque escrever nos torna melhores leitores. Porque escrever nos faz bem. Precisa de mais razões para escrever…?
Encomendas para: geral@nosnalinha.pt ou 77palavras@gmail.com

Eunice Sousa ― desafio 167


Chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa vida que te jogam ― segredou-lhe ao telefone. Confiou, por entre a anestesia da vida e da medicação.
Na manhã seguinte saíram em segredo, como quem pega no carro para ir trabalhar. Ele doente, ela ciente… de que sair dali era o caminho para o salvar. O Sol quente bateu-lhes no rosto, era o conforto da certeza. Trás-os-Montes era longe o suficiente para viver, para amar.
Eunice Sousa, 34 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Catarina Azevedo Rodrigues ― desafio 167


Não deixes para amanhã
Adelaide regressou a casa depois do breve passeio que os 87 anos lhe permitiam. Esperava-a um bilhete: "Chego amanhã, com o nascer do sol. Vou para te arrancar dessa tristeza." Tentou adivinhar que o filho se arrependera das palavras duras que lhe dissera, havia 27 anos. Pela primeira vez em mais de duas décadas, Adelaide sorriu. 
O Sol nasceu e Mário procurou a mãe em busca de perdão. Encontrou-a na cama, abraçada ao seu retrato... sem vida.
Catarina Azevedo Rodrigues, 46 anos, Venda do Pinheiro
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Grandes Miúdos de hoje


Como estava infeliz animei-a, depois ela não admitiu tudo aquilo logo: não queria que ninguém soubesse que estava a chorar. Não percebi porquê, mas fiquei com ela até a ver sorrir, por mais fingida que fosse, percebia que não estava bem e perguntei-lhe:
― Porque estás tão triste?
― Os meus pais vão-se separar e isso deixa-me muito triste. Tenho medo que gozem comigo por causa disso.
― Ninguém tem de gozar, é a tua vida pessoal!
― Eu sei disso!
Clara Teixeira, 6ºC, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 158 – acróstico de CEIA DE NATAL

Não gostei da aula de português. A professora atribuiu o trabalho para as férias: graus dos adjetivos. A sério… Não aguento mais.
Não gosto nada. Não consigo decorar aquilo. Não dá! No teste não fiz uma pergunta, pois não me conseguia lembrar. Não apanhei esta matéria.
Não estudas? – perguntou a minha mãe.
Não – respondi eu. – Não consigo!
Não? Não podes dizer “não” – aconselhou a mãe.
Encorajada, não desisti, passei a perceber esta matéria, que passei a adorar.
Bárbara Freitas, 6º A, Agrupamento de Escolas da Corga do Lobão, prof Carla Soares
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

20/03/19

Carla Silva ― desafio 159

Colorindo a vida
― Deve pensar que herda o céu!
Aquela frase, e outras parecidas, faziam parte do seu dia. Por isso ultimamente parecia-lhe que as pessoas agiam como se a dor alheia não existisse. Ela, por seu lado, sentia-se incapaz de ignorar os demais. Bastava pouquíssimo para melhorar o dia de alguém...
Independentemente dos comentários ela iria continuar a colorir a vida de quem a rodeava.
Talvez, noutro lugar, existisse alguém como ela e juntos pudessem lentamente colorir o mundo.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença

Natalina Marques ― desafio 167


Foi a sua primeira paixão de adolescente.
Roubara-lhe o coração, com a promessa que voltaria para buscá-la.
Os meses passaram, e uma criança nasceu, contra tudo e contra todos.
Criou-o, educou-o, com todo o amor que uma mãe pode dar, vendo nos olhos dele, aquele que ainda amava em silêncio.
― Chego amanhã com o nascer do sol...
“Foi só um sonho”, pensou ela.
Virou-se de repente, quando ouviu aquela voz familiar...
― Vim para te arrancar dessa MELANCOLIA
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Sara C ― desafio 4


Sou um bule rachado, sou…
O meu azul, mais belo do que o céu, faz com que eu seja o mais usado da minha prateleira. A minha asa, tal e qual uma metade de um coração, é grossa. A tampa que carrego comigo todos os dias, com uma nuvem no topo, é um semicírculo com uma pega pequena e arredondada.
O meu dono deixou-me cair e fez-me uma racha muito perto do olho, que me incomodou bastante.
Sara C. , 5. º Ano, Colégio Verde Água, Mafra, prof Noémia Jorge
Desafio nº 4começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Paula Castanheira ― desafio 166


Não foi assim toda a vida.
Outrora famoso, outrora doutor!
Agora velho, agora tolo, agora filho dum deus menor.
Caramuja serrana, aldeia esquecida!
Elias, filho da terra, órfão de um amor maior, ficou sem tino.
Desgosto tirano, existência insana!
Grita a quem colhe uma flor, uma couve, um fruto,… todos lhe têm medo.
Sentinela, solitário, vagueia, desatina!
Maria foge pela rua abaixo, Elias é tolo, mas não dorme.
Petúnias espalhadas, petúnias destruídas!
Corre, chora… Elias que some!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 166 – Elias de Caramuja