24/05/19

António Azevedo ― desafio 4


Sou um bule rachado, sou sim senhor. E com muita honra!”, reclamava ele de si para si. “É difícil chegar à minha idade sem mazelas. Sou muito requisitado, claro. Sou o preferido de todo o serviço. Os outros bules ficam cheios de inveja. Entro em ação sempre que uma visita vem cá a casa. Sirvo chá como ninguém! Posso afirmar que tenho uma vida cheia”. Terminada esta lengalenga calou-se, cansado e solitário, naquela prateleira vazia e empoeirada.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 4começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Glória Vilbro ― desafio 20


A bonita costureirinha desejava estar fora da gaiola aonde há um inverno jazia. Lá perto morava, numa outra pousada que raramente stransformava em útero vazio de xisto e zinco, mais alguém como ela. Zangada era como um xá ou imperador. Vingava-se da prisão ultimamente dando turras sobre turras, roendo quanto podia as unhas, ondulando numa melancolia lenta. Já inventara hortas repletas de gostosos favais, estimara doces e confeites num bacanal de assustar. Sem porta… nada havia.
Glória Vilbro, 51 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 20 – usar o alfabeto duas vezes no início das palavras e por ordem! Uma vez certo, outra ao contrário

Cristina Isabel Santos ― desafio 45

João esfregou as mãos. Estava nervoso.
Há dois dias perdeu a sua Alegria. E tinha aversão a perder, fosse o que fosse. 
Sentia-se feliz por nunca ter perdido nada. Na vida toda, tudo tinha sido um ganho. E, por isso, sentia-se grato.
Não houve só rosas no caminho, mas João não tinha medo dos espinhos. Tinham-lhe dado ânimo.
Esticou o queixo, orgulhoso pela terra que tinha alimentado com as mãos e os olhos, de repente, cresceram surpreendidos.
Cristina Isabel Santos, 43 anos, Lisboa
Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética

Ana Rita Nápoles ― desafio 172


Em fuga da vassoura da velha Medusa, o rato Jeremias fugia cheio de força.
Ao virar do corredor, no azulejo, um buraco o deslumbrou, sem hesitar teve de entrar, sem saber onde ia dar…
Uma sala de luxo encontrou.
Na parede um leque de quadros a óleo aparecia, como se fosse magia.
Como hóspede decidiu ficar, pois ali ela nunca o conseguia apanhar.
Cansado, com febre, numa caixa de fósforos se deitou, até que o sono aconchegou…
Ana Rita Nápoles, 35 anos, Torres Vedras       
Desafio nº 172 ― 10 palavras incluindo Medusa

Natalina Marques ― desafio 173


ANA não se importava com a imagem, deixou o ginásio.
TAMBÉM queria ter uma vida feliz
RESCINDIU o contrato de funcionária pública
ENQUANTO a irmã vivia uma vida problemática.
LUÍS gozava de boa liberdade.
ADERIU ao partido de "pouco trabalho e muito dinheiro"
NOVAMENTE aceite no sindicato.
DETERMINADO a mudar o mundo.
OU, até, a humanidade.
MUITO empenhado, sonhava fazer tudo pelo país e pelo povo.
ESTÚPIDO, pois mudar o mundo não passa mesmo de um sonho.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 173 ― «atrelando-me»

Grandes miúdos em destaque


Era no metropolitano que eles se encontravam. Eles tinham de manter aquilo em segredo. O pai dela teimara que eles não se podiam encontrar.
Ela mentira ao pai dizendo que ia ter com as amigas para trabalharem para a escola. Eles trazem presentes um para o outro. Ela começa a tremer e ele a tremelicar.
Depois vão rápido para as suas casas para meter os seus presentes em segurança.
Adormecem a imaginar como será o próximo encontro.
Madalena, 6º ano, EB Alexandre Herculano, Santarém, prof Risoleta Montez
Desafio nº 154 – palavras com M E T R

Era uma vez um rapaz chamado Luís que em conversa com a sua amiga Rita disse:
“Antes que a neve derreta, será impossível.”
Mas o que o Luís e a Rita não sabiam é que as suas amigas, a Carolina e a Eva, ouviram e foram para a rua dizer a todos:
“Antes que a neve derreta, será impossível.”
E quando as pessoas perguntavam:
“Mas qual o significado dessa frase?”
As amigas respondiam:
“Isso nós não sabemos!”
Shiloh, 9 anos,4ºA, EB Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha, Professoras: Isabel Oliveira e Marlene Jorge
Desafio nº 171 ― antes que a neve derreta


23/05/19

2º ano, 2ª, EB Quinta da Vala ― desafio 20


A Borboleta Caiu Da Escada Fantástica.
Ganhou ida ao Hospital Indiano. Já tratada,
Kevin Liberta-a das Maleitas, ficou como Nova.
Livrou-se da Operação!  
Para Que a Borboleta Resgatasse a Senhora Tartaruga, Uma Rã Vendeu Xilofones, para Zelar
pela borboleta. Zebra Xavier Volta-se para o
Urso Tomás e Segreda-lhe: - “O Rato comeu Queijo com Pão.”
 A borboleta Olhou, Nada importava, Mudou de direção, Levando um pedaço Jeitoso, Irritada:
― Hoje Gostaria de Fazer Exercício De Cálculo!
Bravo! Acabou-se.
2º ano, 2ª, EB Quinta da Vala, Alverca, prof Rita Neves
Desafio nº 20 – usar o alfabeto duas vezes no início das palavras e por ordem! Uma vez certo, outra ao contrário

António Azevedo ― desafio 3


Os olhos não se desviam da televisão. Aproxima-se a hora. Começa a contagem: deznoveoitoseteseiscincoquartotrêsdoisum, zero. Ignição. E lá vai ele! O magnífico foguetão eleva-se no ar com a promessa de levar os astronautas à lua. Há quem resmungue que é mentira. Uma montagem como no cinema. Apesar disso, o sonho de estar junto daquelas pessoas e da aventura de pisar o solo lunar iluminam o rosto do petiz.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Marta Rodrigues ― desafio 9


Uma menina boazinha vivia com a ex-esposa do pai e as duas filhas dela, todas más.
Sua majestade fez um baile, desejando que o filho conhecesse uma esposa. A “mãe” má impediu que ela fosse.
Linda, vestida pela sua fada, foi ao baile, dançou com sua alteza, à meia-noite fugiu, ficando sem um sapatinho.
Sua alteza, apaixonado, quis que achassem a dona do sapatinho. Só coube no pé da menina. Casou com ela, e são muito felizes.
Marta Rodrigues, 20 anos, Albufeira 
Desafio nº 9 – sem usar uma letra (U, R, S ou E) – história conhecida

Beatriz M ― desafio 35

Se as casas fossem no mar, dava para nadar todos os dias; casas voadoras também seria divertido.
As casas servem para nos proteger do frio e para guardar as nossas coisas.
Imagina-te a morar na rua, ias apanhar chuva! Por isso, tens de estudar para ter emprego e ser alguém na vida!
As casas são parecidas com os hotéis, com a diferença que as casas são nossas.
E casas subterrâneas? Isso dava para brincar com as meninas.
Beatriz M, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
"Se as casas tivessem asas", Luísa Ducla Soares

Rita T ― desafio 35

Quando o rapaz viu a maçã
Não tinha mesmo como rejeitar
Foi apanhá-la; mas quando trincou
Deu-lhe logo vontade de vomitar.

Pois o que estava lá dentro não era normal
Tinha pelo, escamas e pernas, 
O que não era habitual.

E quando o chamaram para o almoço
Ele não tinha como negar…
Então a mãe gritou
Porque era um almoço espetacular.

Mas quando ele voltou
Não encontrou na maçã, afinal
O seu lindo bichinho:
um magnífico animal!
Rita T, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
Álvaro Magalhães, "O mesmo rapaz de sempre"

Rodrigo T ― desafio 35

Quando o rapaz viu a maçã
À fruteira foi buscar
Pegou nela com a mão
E começou a trincar

Quando toda a maçã comeu
Para a sala televisão foi ver
Quando a mãe chamou para almoçar
Ele decidiu ignorar

A mãe foi buscá-lo e puxou-lhe os cabelos
Dizendo-lhe que o almoço era cogumelos 

Quando o almoço acabou
Noutra maçã pegou
Mas quando a trincou
O rapaz vomitou 

Algo não estava normal
O que era? Um magnífico animal. 
Rodrigo T, 5ºB, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
Álvaro Magalhães, "O mesmo rapaz de sempre"

Carla Silva ― desafio 169


Gosto de ti
Ao ouvi-lo calei-me pensando como o olhar dele brilhava e como a mão estava quente. Na verdade não esperava nada daquilo... Os meus pensamentos congelaram pois lembrei-me dos convites para passear ou simplesmente beber café.
Na altura achei normal, éramos amigos, 
mas devia ter percebido que tinha coisa ali. Infelizmente não percebi e agora ele esperava uma resposta ou qualquer reacção.
Mas que 
dizer?! Não podia, nem queria colocar a sua amizade em risco.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 169 ― frase ao contrário

António Azevedo ― desafio 2


Revisito a minha históriaUma e outra vez. Repetida e obsessivamente. Numa tentativa de, assim, consolidar o meu ser. Pretendendo recordar onde quis chegar, bem mais além de onde me encontro. Numa busca, sempre empenhada, tão determinada, para recuperar o que escapou por entre o pulsar dos instantes. Querendo descobrir quando a esperançosa estrada se transformou em triste atalho. Esperando encontrar, no silêncio habitado pelas memórias invocadas, o caminho que recria o sonho e um novo futuro.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa

Grandes miúdos em destaque

Certo dia, no metropolitano de Lisboa, vi um rapaz a estender um lenço com um metro e oitenta centímetros no chão, a delimitar o espaço com capas de CD, meter o trompete na boca e tocar. Então, tirei o meu trombone da caixa e juntei-me a ele. Chegou a noite, o trompetista despediu-se de mim com um aperto de mão e um “obrigado”. Reparei que tremia com frio. Ofereci-lhe uma camisola térmica que tinha comprado para mim.
Afonso, 5º ano, EB Alexandre Herculano, Santarém, prof Risoleta Montez
Desafio nº 154 – palavras com M E T R

O natal é natalício, é a altura do ano onde há mais natalidade, é a altura do ano onde comemos o tradicional bacalhau com natas, e nesse dia vou à natação.
O ano passado, nasceu a Natália no dia de natal, por isso é que ela gosta do pai Natal e tem espírito natalício.
Naturalmente, o iogurte é natural, mas na época do Natal, ele tem um sabor com um ligeiro toque natalício e a bacalhau cozido.
Dinis T., 15 anos, Escola Secundária de Odivelas, prof Helena Gameira
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA

22/05/19

Grandes miúdos de hoje

O Figueiredo vivia numa cidade.
Certo dia, viu um foguetão a ser lançado para a lua. Figueiredo foi para casa e viu o pai a tocar fagote e a mãe a cozinhar no fogão. Estava com fome e comeu alguns figos da figueira que tinham no quintal. Comeu tantos que lhe começou a doer o fígado e chamou a doutora Fagundes . Esta parecia um foguete!
Trazia uma figura que pegou fogo. O Figueiredo desatou a fugir.
Kélvio C., 6º M, Profs Elisa Ferreira e Sandra Gonçalves - CPL CED Nuno Álvares Pereira 
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

Sempre gostei de olhar para a lua. Ela brilha tanto... É a única que me acalma quando a minha mente cai entre silvas. E sempre que se vai, para mim fica noite e tudo escurece. 
Ás vezes os espinhos na silva só apertam, cada vez mais... Sem gritar, sem fugir... Porque foi por minha culpa que lá caí.
Percebi que a dor faz-me viver... A dor faz-me crescer, porque é nestas silvas onde caí que nascem rosas.
Ivo R. e Pedro R., 15 anos, Escola Secundária de Odivelas, prof Helena Gameira
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

21/05/19

Graça Pinto ― desafio 173

Alice tentou evitar a situação.
Tardiamente, pois a tolerância perdera-se pelo caminho.
Relações como esta sempre existirão. Onde a resiliência e o respeito deixaram de existir.
Elementos imprescindíveis que se tornaram efémeros.
Lamentavelmente o amor diluiu-se no tempo em velhos
abraços que não existem mais.
Nostálgica ambição do fim… que se envolve de uma
dicotomia dissimulada!
Orgulho do deixar de ser, de omitir o que ficou para trás, que no final não passa de
modéstia do “ego”.
Graça Pinto, 60 anos, Almada
Desafio nº 173 ― «atrelando-me»

António Azevedo ― desafio 1


Caminhavam de mãos dadas. O olhar da criança fixa-se no cavalinho que, ao sol, queima como fogo. A mãe responde, com a voz tingida de tristeza, ao pedido não formulado: “É muito caro Manel”. A pena surge nos olhos do menino. Forçando um sorriso a mãe diz: “Vai, mas não podes contar aos teus irmãos”. O desejo pela brincadeira esmorece. O pequeno, olhando a mãe, responde: “Assim não quero mamã”. Seguem de mãos dadas, agora mais apertadas.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

João C ― desafio 1


O mistério do encanto do fogo, da sua energia, se é vida pode ser igualmente morte, dá prazer olhar para a lareira acesa, com o carvão incandescente. Sente-se a sedução, a sensação de medo, respeito e adoração, sentimentos que deslumbram, fascinam... É mágico, algo que nos deixa com um grande sorriso e que dá pena quando se extingue, porque se está com vivacidade é forte mas se não se alimenta desfaz-se em cinzas, um elemento feroz.. enigmático...
João C, AE D. Lourenço Vicente, prof Rosalina Simão Nunes
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Inês A ― desafio 1


Era noite de Natal, e vi a árvore cheia de presentes. Lancei um grande sorriso a todos. À meia-noite fomos abrir os presentes, e vi todos a receber muitos presentes e todos os que desejavam, mas quando chegou a minha altura, abri todos os presentes o mais rápido que consegui até encontrar o que queria. No final, vi que ninguém me tinha dado o presente que queria e disse:
Fogo! Não recebi o queria…
Tive mesmo pena
Inês A, AE D. Lourenço Vicente, prof Rosalina Simão Nunes
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo