19/05/22

Toninho – desafio 272

Lembranças da Palmeira onde gravei teu nome, na partida para o Norte numa missão.

Apaixonado, idealizava abrir a fechadura do teu coração, onde residia uma desilusão, que te dava uma imagem apagada.

Coloquei o cinto de segurança, pela janela vi tuas mãos acenando, pensei que seria um adeus.   

Hoje ainda espantado com a aterrissagem sob um temporal, vi o brilho dos teus olhos, calou meu susto. Um beijo me fez sentir renascido, para viver o feliz reencontro.

Toninho, 66 anos, Salvador-Bahia, Brasil

272 – palavras encadeadas, com palmeira

18/05/22

Carla Silva – desafio 262

Max era dono de um feitio peculiar. Era tão arisco que raramente se atreviam a levar-lhe a contrária. Eu entro nesse grupo, não arrisco por nada. Prefiro ficar no meu cantinho. Vai que a coisa corre mal. 

E depois, existem situações que, de tão fúteis, não merecem o risco
Isto digo eu, pois existem aqueles mais afoitos, aqueles que gostam de o ver alterado e lançam o isco esperando que caia, esperando o confronto. Que seria colossal!

Carla Silva, 48 anos, Barbacena Elvas

Desafio nº 262 – isco, risco, arisco, arrisco

16/05/22

Alda Gonçalves – desafio 272

Jogar às escondidas nas noites de Verão, com as folhas da velha palmeira a proteger a visão do que ficava a contar até dez na parede norte era a brincadeira mais divertida. Espreitando pelo buraco da fechadura também dava para ver as sombras das árvores. Nessas noites via-se a imagem da estátua refletida no meio do lago. Era um rapaz feito em bronze, de longos braços, vestido de calções com um cinto, e um olhar muito espantado.

Alda Gonçalves, 54 anos, Porto 

272 – palavras encadeadas, com palmeira

Francisco Ramos – desafio 272

Lá estava ele, o condomínio palmeira. Esta será a minha nova casa nos próximos anos e fica só 5 metros para norte da estação, que sorte a minha. Depois de falar com o rececionista, uma pessoa maravilhosa, ele deu-me a chave do apartamento. Mal cheguei ao quinto andar corri para a porta e introduzi a chave na reluzente fechadura e sou recebido com uma imagem de um cinto, na banca, e foi aí que o espanto surgiu.

Francisco Ramos, 17 anos, 11º ano, Coimbra

272 – palavras encadeadas, com palmeira

Maria Tiago – desafio 272

Acordei à mesma a hora, 7:00 da manhã, disse olá à árvore da rotunda, a palmeira. De seguida fui para a escola, claro que me baralhei se era para norte ou sul. Ora bolas, a fechadura da porta da sala estava trancada. Só me passava pela cabeça a imagem de uma falta de atraso a estragar a pontualidade. Tentei abrir a porta com o meu cinto mas, de repente, reparo na maçaneta a abrir e fiquei espantado.

Maria Tiago, 13 anos, 7º ano, Coimbra

272 – palavras encadeadas, com palmeira

Sobral Ramos – desafio 272

Saí da Pastelaria Palmeira e segui para norte, orientado pelo cheiro. Depois de lamber o creme, só mesmo uma sardinha, antes de trancar a fechadura do meu estômago e dormir. Mas, quase que fiquei sem cabeça, por uma imagem que atiraram pela janela. Mas quem é que atira uma Nossa Senhora? Correu um gato e uma senhora com um cinto a gritar “não voltes, ladrão!”

– Miau! – gritei.

Fiquei espantado e escapei por um milagre. Podia ser eu!

Sobral Ramos, 44 anos, Coimbra

272 – palavras encadeadas, com palmeira

Maria Tiago – desafio 271

Pessoas, um tema muito complexo e enigmático. Devia ser estudado naqueles grandes laboratórios. A própria palavra devia ser liberta a novos horizontes e ser. E algumas dessas ditas pessoas deviam ser encaradas pelas labaredas das suas ações. Já não há o tal de brilho nos olhos dos que sofrem, mas sim os rebeldes que atacam. Mas temos de ser nós a fazer essa colaboração e retirar esse ar deslumbrante. E todos vamos relembrar a união de todos.

Maria Tiago, 13 anos, 7º ano, Coimbra

271 – palavras com L+B+R

Sobral Ramos – desafio 271

Um rebelde, capaz de criar um rebuliço, onde quer que entrasse. Albertina sabia que, aos olhos do pai, bibliotecário, não era rapaz para ela. Mas ele era deslumbrante. No laboratório de conservação, cada livro que lhe entregava trazia um brilho acrescido. Ele adorava a sua visita, mas se o pai soubesse… Um dia, o olhar febril com que ela veio da oficina de restauro, fê-lo desconfiar. Ela sorriu, numa câmara lenta quase poética. Ele consentiu: vida patética!

Sobral Ramos, 44 anos, Coimbra 

271 – palavras com L+B+R

Ana G – desafio 174

Quando chegava à escola começava a ser julgada por ter óculos, por não ter roupas como as das outras raparigas ou por ser diferente. A minha alegria passava logo a uma grande tristeza. Não gostava de ir aos intervalos só para não sofrer. Faziam chantagem, diziam coisas feias. Não aguentava mais. Cada dia ficava pior. Cada coisa má que me faziam era uma risada dos outros. Cada palavra, cada gozo. Era demais fui-me embora e não voltei.

Ana G, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Inês F e Lara S – desafio 174

Todos os dias, quando chegava à escola era rebaixada e sentia-me muito mal por isso. Sentia que o mundo estava todo contra mim.

Desde muito nova que eu era julgada devido à minha aparência. Quando passei para o sétimo ano comecei a gostar de um rapaz, mas todos me diziam que eu estava louca, porque ele era o rapaz mais popular da escola. Diziam que ele nunca ia olhar para mim, mas o mundo girou até que…

Inês F e Lara S, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Afonso A – desafio 174

Há pessoas que me chamam anão e eu fico magoado. Não tenho culpa de ser baixinho. Acontece todos os dias na escola. Outras vezes também me chamam surdo, burro e gozam com a minha aparência. Dizem que eu sou feio. Como tenho problemas de audição e uso um aparelho, também sou gozado quando chamam por mim e eu não dou conta. Fazem piadas quando eu digo “hã?”…respondem logo “burguer”. Fico triste com estas piadas dos meus colegas.

Afonso A, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Tomás M – desafio 174

Na minha escola há casos de violência física e verbal. Desde insultos até lutas, todos os dias acontece. Eu sofro pancada por tudo e por nada. Chamam-me nomes, deixam-me no chão. Chego a casa e não digo nada. Porquê? Porque tenho medo que os agressores saibam e me batam outra. Não digo nada aos professores porque eles são da minha turma. Um bate-me. Na vez seguinte são dois, depois três e continuam. Tento disfarçar, mas não dá.

Tomé M, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Guilherme B – desafio 174

Estava eu a caminho de casa quando, de repente, ele voltou.

Cheguei a casa dorido e com nódoas negras. Tomei um banho quente e fui dormir. Não tive apetite depois do que aconteceu. Acordei cedo e fui tomar o pequeno almoço. Quando a minha mãe me perguntou porque que tinha chegado tão tarde eu expliquei o que tinha acontecido. Ela, preocupada, foi à escola, falou com a diretora e desde aí nada disto se volto a repetir.

Guilherme B, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Lucas A – desafio 174

Era o Jorge, aquele que se contentava com os gritos dos outros. Eu tive sorte que ele só veio a mim duas vezes, mas aos outros foi mais. Ele chegava, insultava e empurrava-me e depois ia embora à sua vida. À segunda vez ele veio e eu corri, e corri, mas ele apanhou-me e deu-me um soco. Depois disso fui informar um adulto com outros miúdos e miúdas e rapidamente ele foi identificado e expulso da escola.

Lucas A, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Bernardo D – desafio 174

Hoje, um lindo dia de primavera, estava no intervalo de almoço quando três rapazes do 9º ano apareceram à minha frente com um olhar bastante ameaçador. Eles espancaram-me, pontapearam-me, chamaram-me de quatro olhos, magricela, baixote e ainda me roubaram dinheiro e o telemóvel.

Eu já sabia o que era aquilo. Chamei um adulto e denunciei-os. A polícia e os meus pais foram chamados e consegui recuperar as minhas coisas.

Fiquei com manchas azul-escuras que depois foram desaparecendo.

Bernardo D, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Sofia L – desafio 174

Numa manhã perfeitamente normal e muito clara entrei no autocarro e, como todos os dias, sentava-me sozinha no meu lugar de sempre. Todos os dias havia um pormenor qualquer. Ou gozavam com a minha roupa, ou gozavam por ser magra, ou gozavam por lhes apetecia. Um dia, eles saíram da escola e eu pensei que iria ter uns dias de paz. Porém estava muito enganada.  Por isso contei aos meus pais e senti-me mais protegida e segura!

Sofia L, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Tiago N – desafio 174

Os intervalos são sempre iguais.

Saímos, lanchamos e depois aparecem os miúdos mais velhos para nos magoar.

Se eles estiverem calmos só nos insultam, mas se estiverem chateados ficamos todos doridos.

Mas hoje foi diferente.

Estávamos a sair quando eles apareceram. Pareciam bastante chateados e já estava pronto para levar porrada, quando reparei que eles não estavam sozinhos. A professora! Eu tinha-lhe contado tudo e eles tinham sido apanhados. Deixámos de sofrer e tornámo-nos confiantes e alegres.

Tiago N, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Bruna C e Marta E – desafio 174

Na escola todos os dias se repete a mesma coisa.

Eu não sei como ainda não saí desta escola onde gostam de gozar com a minha aparência. 

Sempre que venho no caminho para casa é uma choradeira. Tranco-me no quarto sem falar com ninguém. Todos os dias vou comprar pão e lá estão eles.

Vou sempre para casa a chorar e a minha mãe pergunta o que tenho e eu digo que caí e tranco-me no quarto. 

Bruna C e Marta E, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Rafael M – desafio 174

Todos os dias na escola, quando era hora de intervalo, havia colegas que me chamavam nomes e que me humilhavam. Tratavam-me muito mal e eu não entendia porque é que estavam a fazer aquilo comigo. A minha autoestima ia abaixo e quando fugia para outros lugares na escola eles seguiam-me a chamarem-me nomes. A única coisa que me ajudou foi a minha professora ter falado comigo e ter-me dito que me ia ajudar a resolver o problema.

Rafael M, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying

Maria Gabriela S e Madalena R – desafio 174

Repetia-se várias vezes e nunca entendi porquê. Era uma boa aluna e estava sempre pronta para ajudar. Seria eu a culpada? A vontade de sair de casa era pouca porque sabia que eles estavam sempre prontos para me magoar. Mesmo não saindo de casa, sentia-me angustiada. A minha professora reparou em mim, sozinha no recreio, e sem nada dizermos agarrei-me a ela e chorei muito. Aquele abraço salvou a minha angústia e deu-me uma nova esperança. 

Maria Gabriela S e Madalena R, 6ºH, AE da Venda do Pinheiro, Prof Sónia Figueiredo

174 ― história de Bullying