05 agosto 2017

Laura Garcez ― desafio nº 122

Genuinamente bom, João Henrique indignava-se perante a perversidade, fosse contra ele, ou contra outrem. Naquele local, atos condenáveis tornavam-se rotina, ocultos por uma falsa solidariedade. Um bobo da corte verbalizava, em alta voz, as diabruras ― algo maquiavélico, sufocante! Um dia, dum jarro de leite, sucederam-se alguns mosquitos. Que nojo! Os prevaricadores não tinham palavras, inquietaram-se, envergonhados. Aquilo, num local tão imaculado! A indignidade foi desmascarada, pois esqueceram-se de triturar os mosquitos, em substituição dos flocos de cereais.  
Laura Garcez, 44 anos, Lisboa

Desafio nº 122 ― um mosquito no leite

2 comentários:

  1. ahahahahahah, são tão engraçados os textos do mosquito no leite. Adorei este porque é tudo tão solene e criei uma imagem medieval - no fim liga a varinha mágica e toma que são flocos... muito bom.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Assino o comentário , Eurídice, é mesmo isso!

      Eliminar