17/09/13

Viriato

A nossa relação baseou-se sempre em culpa e Indiferença. Indiferença com que recebia as dádivas, culpa de ser fraca para terminar uma vida de vagabundo.
Da janela do escritório observava-o desde que fora abandonado. Diariamente dava-lhe água e uma sandes; nada agradecia.
Uma tarde, cansada das máquinas que transportam as multidões aos seus compartimentos, deambulei…
Na manhã seguinte, ao sair, esperava-me: enlameado, ferido; atravessara a cidade atrás de mim.
Abri-lhe a porta. Entrou e acomodou-se. Chamei-lhe Viriato.


Maria Manuela Antunes Duarte, 52 anos, Lisboa

(história sem desafio)

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