10 março 2016

Infância

Usei uma pena para escrever histórias de princesas, pareceu-me
poético. Mas não resultou… a memória da pena eclipsara-se.
Desiludida, fitei o fogo da lareira e adormeci. Um sorriso acordou-me a alma.

– Uma pena bolorenta, francamente? – uma criança desafiou-me.
– Adultos parvos! – escarneceu um gato.
– Cala-te barrigudo, aquela sou eu!
Uma nuvem cinzenta pairou, enquanto a pena caia na lareira.
– Só existes porque eu quero, gato!
Num piscar de olhos, o gato transformara-se na gaivota que povoou a
minha infância.

Lourença Oliveira, 44 anos, S. João do Estoril

Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

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