20/04/17

Desafio Escritiva nº 19

Eu confesso que gosto de reutilizar tudo e mais alguma coisa, que fico feliz quando posso dar uma segunda vida ao que quer que seja e adoro, adoro, adoro, comprar coisas em segunda-mão. Ora, isto faz com que eu imagine muitas vezes como foi a vida anterior de um determinado objeto, como era o seu dono, se foi bem ou maltratado, esse tipo de coisas inúteis para o progresso do Mundo, mas que a mim me deixam bastante mais tranquila.

Ora é exatamente isso que proponho desta vez: imaginem como foi a vida de um determinado objeto, por que atribulações passou, que sacrifícios teve que fazer. Eu deixo-vos aqui um dos muitos exemplos que vos podia dar, já que me dedico a imaginar vidas passadas em objetos do quotidiano.

Tinha nascido para ser lata, coisa herdada de família a que não se atreveu a dizer que não chegado o momento de acolher, mesmo contrariada, aquelas sardinhas. Se ainda fossem umas lulas recheadas, um bacalhau com grão, mas sardinhas... O que não imaginava é que acabaria no meio do mato, numa ração de combate convertida finalmente em cinzeiro. De repente, sentiu saudades do mar e das sardinhas, respirou fundo e conseguiu ainda sentir aquele cheiro a escama.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca
Desafio Escritiva nº 19 - vidas passadas de objetos