Fui trezentas, fui mil
camponesa, nobre senhora, artesão.
Fui mel, fui vil,
Pássaro, peixe e leão.
Que sei eu de mim?
Apenas que fui muitas caras,
formas diferentes de gentes,
alma renascida vez após vez nos intervalos
do tempo.
Alma que resiste desmemoriada
permeável aos quereres divinos,
aos sabores do vento,
hoje mãe coragem, filha, filhos e casa e
trabalho e nada,
que estranha no espelho a cara de um
corpo,
útero de uma alma sem assento.
Sandra Évora, 44 anos, Sto. António dos Cavaleiros
Desafio RS nº
48 ― um rosto diferente no espelho
Sem comentários:
Enviar um comentário