31/10/17

“Contos Mínimos, Terror ao Máximo”

“Contos Mínimos, Terror ao Máximo”


1º CONCURSO de ESCRITA CRIATIVA

das Bibliotecas Escolares do AECDX, em torno da temática do Terror, Horror e Suspense.







1º prémio
Passos pesados ecoam pelo corredor... A madeira do armário verte tinta preta. Estás imóvel. O coração ruge no teu peito… É difícil respirar.
Os passos aproximam-se... Gritos de medo na sua expressão derretida. A porta do quarto abre-se, rangendo. Aproximam-se lentamente... É difícil respirar!
É difícil manter o coração calado! Sentes o toque frio da tinta no teu pescoço.
Quando a porta se abre, ela entra devagar por ti enquanto ouves o gritar na sua expressão derretida.
Rita Antunes Simões, n°26, 10°A

2º prémio
O vento uiva, a chuva atinge as janelas como flechas e as sombras parecem vivas.
Acordo ao som enfurecido dos trovões.
Impossível dormir.
Preparo uma bebida quente.
Estou sozinha, envolvida na escuridão pelo som do vento, o choro da chuva e o temporizador do eletrodoméstico em contagem decrescente.
Sinto uma presença atrás de mim.
Viro-me e um braço fino e ossudo estende-se.
Caio no chão.
Bip... bip... bip... a bebida está pronta.
Bip... bip... bip... estou morta.
Carolina Calvinho nº8, 10º C

3º prémio
Consegues sentir os olhos?
Dois pontos brancos, quietos e silenciosos?
Eu sinto-os em cada passo pesado, enquanto corro, enquanto o meu coração pia como um pássaro enjaulado. Eu tenho medo de gritar. GRITA… GRITA POR MIM!
Será que me vai matar com garras ou dentes afiados?
QUEM ME CONSEGUE OUVIR? QUEM ME VAI AJUDAR?
Estou cansado, eu quero parar.
Mas eu não sei a quem pertencem aqueles olhos brancos.
Eu devia parar, eu aceito o meu destino.
João Campos nº17, 10ºC

3º prémio
Tentando escapar da podridão, Luna avançou nas trevas em direção à luz. O medo era incontrolável. Escutavam-se os gritos dos mortos e o riso do diabo.
Ao alcançar a luz, o rosto do diabo surgiu, sussurrando velhos cânticos, enquanto a luminosidade, mera ilusão por ele criada, desaparecia.
O demónio, ser hediondo mas sedutor, tentou agarrar o braço da jovem que, com um gesto, o tirou.
Mas persistente, ele pegou-lhe no braço e ordenou:
“Agora, tu és minha.”
Maria Marques, nº19, 9ºB


Todos os textos:
Haviam passados mais de setenta anos desde a morte do seu pai. Ela estava velha e sozinha e vivia isolada. Na sua memória, permanecia o seu cheiro a canela, a voz grave, o semblante sempre carregado e a sua maior excentricidade: bater à porta três vezes, chamando a pessoa que procurava três vezes também.
A velha sobressaltou-se com três batidas na porta.
― Ann! Ann! Ann!
Ann Elizabeth Meyers morreu nessa noite. O ar envolvente cheirava a canela.
Inês Ramos, nº 18, 10ºA

Rasguei-lhe o pescoço!
Admirei o sangue que escorria e a dor que ainda se via nos seus olhos. Tirar vidas dá-me cada vez mais prazer.
Mas já não se trata apenas disso.
Cortei-lhe a língua com um x-ato, amputei-lhe as pernas com uma motosserra, abri-o como se de uma autópsia se tratasse e desfiz cada um dos seus órgãos como quem esmaga bolachas.
Aquele mar de sangue à minha volta…
Ah! Mal posso esperar pelo próximo sábado!
Diana Oliveira, nº6, 12ºB

Naquele dia decidi ir visitar a casa assombrada à frente da minha casa. Entrei...e assim que o fiz, arrependi-me.
A porta fechou-se bruscamente atrás de mim.
Ouço sussurros por todo o lado. As luzes, antes apagadas, começam a piscar.
Sinto um arrepio pela espinha abaixo.
Por todo o lado vejo vultos a movimentarem-se rapidamente. De súbito, tudo para e eu desmaio. Acordo na minha cama sem saber como lá fui parar.
Olho pela janela.
A casa desapareceu.
Beatriz Roque, n°6, 12°C

Dizem que à noite o hospício Bernardes ganha vida. É assombrado por um psicopata com ganas de matar. Quem entra já não saí.
Não acredito em fantasmas, vou desvendar isto!
Entrei no hospício. Por cada ala que passava sentia arrepios, subitamente, oiço passos rápidos, gargalhadas. Formam-se vultos. Tinha de sair daqui, mas algo me agarrou.
Perguntei quem era.
Ele despiu-me, decapitou-me. Já com a minha cabeça separada do meu tronco, ainda consegui ouvir a sua resposta: ninguém.
Joana Fernandes, nº13. 12ºC

Era meia-noite, quando acordei sobressaltada com um relâmpago.
Tinha começado uma tempestade típica de Inverno. Não havia luz. Acendi uma vela e vi um rasto vermelho no chão. Pensei, sangue?! Segui-o. De repente, ouvi um barulho estranho. Parecia um bebé a chorar. Cheguei à cozinha, entrei, mas uma rajada fechou a porta. Num ápice, olhei e vi um vulto. Quem?...
Oh! Era só o meu gato embrulhado nos fios da eletricidade a comer uma tarte de morango.
Ana Simões, nº12, 12°C

Uma noite, quando regressava de uma festa enganei-me no caminho e perdi-me. Fui parar ao meio de uma floresta medonha.
De repente, senti um arrepio.
Apercebi-me que não estava sozinha. Conseguia perceber a respiração de alguém que me chamava baixinho, contudo não via ninguém.
Então corri, caí no chão. Estava à mercê do mundo do além.
Ouvi a minha mãe a chamar-me. Estava na hora de acordar.
Como cheguei a casa? Será que foi tudo um sonho?
Ana Simões, nº12, 12°C

FOGOS 2017
Vou à janela do quarto:
parece teatro de Guerra
Que horror!
Que aflição!
Que querem fazer à Terra?

Loucos ou, maltratados
lançam fogo por todo lado;
na Síria, o terrorismo traz-nos imagens de racismo.
Em Portugal, o que será?
Alguns dizem: Deus proverá!

Morreu minha mãe, meu irmão, minha avó...
que mais pode acontecer?
Conta-me só em segredo,
que mais posso perder?
(dedico o poema a todas as pessoas que viveram o flagelo dos incêndios)
Marta Palaio, nº23, 12ºC

Numa outra dimensão, espíritos de almas cansadas vagueiam pelo espaço à espera que o véu que os separa da nossa dimensão seja eliminado. A menos que este véu já tenha sido quebrado...
Já alguma vez te questionaste por que motivo o teu lápis cai da secretária? Ou porque é que o teto estala enquanto dormes?
Espera...
O teto estala? Serão passos aquilo que ouves?
Passos leves, ensurdecedores que te fazem fechar os olhos e fingir que dormes.
Raquel Maria Cardoso, nº25, 11ºA

Todas as noites caminho para casa, mas hoje algo parece diferente. Passos pesados percorrem o meu rasto cada vez mais rápido obrigando-me a acelerar o caminhar até que começo a correr.
Está frio, escuro. Não se vê uma luz. Tudo isto me parece surreal quando sinto umas mãos enormes a envolver-me a boca e os ombros. Estou a ser arrastada pelo escuro.
Quero gritar.
Não consigo ignorar a lâmina fria e aguçada que roça o meu pescoço.
Raquel Maria Cardoso, nº25, 11ºA

Durante o século XXI, devido a mudanças no clima, aos químicos nos alimentos e a outros fatores, começaram-se a manifestar mutações genéticas nos fetos ou como se passaram a designar, malitius.
A partir dos quatro meses, os malitius, alimentavam-se das próprias mães acabando por matá-las no final da gestação sem existir maneira de as salvar. Com isto restavam duas opções: salvar a mãe ou o bebé. Mas ambas levavam ao mesmo fim. O fim da raça humana!
Beatriz Simões, nº9, 11ºA

“Havia um homem de mil olhos
que incontáveis histórias contava.
Todas tinham o mesmo fim:
Com a morte acabavam.

Não tinham nada de obscuro,
Pois eram fábulas de culto,
Mas depois de alguém as ler
 Ficava sem olhos, e morto.

Amaldiçoava as histórias,
Mas ninguém sabia quais.
Mais corpos sem olhos?
O homem escrevia mais!"

Estas crianças cantavam
Uma linda história para mim.
 Se levantares o olhar deste texto,
Cuidado, com os mil olhos atrás de ti.
Rita Antunes Simões, n°26, 10°A

Cheguei de noite em casa, cansada, exausta na realidade! Posicionei a chave na fechadura, encaixei-a, rodei-a e abri a porta. Dei três passos para dentro da infinita escuridão... Tirei o meu húmido sobretudo e pendurei-o no cabide à direita da porta de entrada. Tirei os sapatos de couro enlameados e encostei-os à parede onde se encontrava o cabide. Andei em direção ao interruptor e toquei-o, porém... Senti outra pele muito fina...Mas logo me lembrei... “Eu moro sozinha...”
Alice Lopes, nº2, 10ºA

No apocalipse, no fim do mundo, o último homem, o último ser vivo da Terra, estava sentado em sua cama, trancado em seu quarto, relembrando todos os momentos de sua curta vida, quando...
Alguém bateu à porta. Esta se abriu, muito lentamente, e a ranger ao mesmo tempo... Porem atrás desta encontrava-se apenas uma sombra translúcida que correu em direção ao homem dissipando-se no ar gélido, levando consigo o último ser vivo para a sua temida morte...
Alice Lopes, nº2, 10ºA