31 julho 2018

Carlos Alberto Silva ― a propósito do eclipse


Eclipse
Estavam ambos dentro do carro, no alto do monte, à espera do eclipse da lua.
Apenas o ruído abafado da discussão perturbava o silêncio:
― É de queijo.
― Não. É de chourição.
― Já disse: é de queijo!
― Estás enganada. É de chourição.
― Queijo!
― Chourição!
― Queres apostar?
― Por mim, está bem.
― A quê?
― Quem acertar fica com ela.
― Aceito.
Afinal, era de presunto.
Dividiram a sandes a meio e saborearam-na calmamente.
Quanto à lua, nada feito. Havia demasiadas nuvens.
Carlos Alberto Silva, Leiria
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