03 agosto 2016

Solidão partilhada

Assustou-se. Quem seria? Aquilo não eram horas! De certeza que não era coisa boa; um assalto, uma morte repentina, de certeza algo mau... Só isso poderia justificar que se lembrassem dela aquela hora em que há muito se tornara inútil, invisível. Levantou-se contrariada, despenteada, ensonada. Quem seria? O bêbedo do terceiro? A velha do quinto? Àquela hora? Raios! Apressou-se. Abriu a porta e a "surpresa" acariciou-lhe a perna coxa. Voltaste? Saudades desta nossa solidão partilhada? Entra.
Paula Isidoro, 35 anos, Ajaccio
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

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