12/10/12

Dois contos


Amargurado, desiludido, triste ou pensativo… assim o vemos de mãos na cabeça e rosto escondido. Uma solução para encontrar ou uma decisão para tomar? Um desejo de fugir e escapar à angústia, mas sem forças para o fazer ou sente-se acomodado sem energia para agir? Que bom seria se erguesse a cara e revelasse um sorriso estendido ao olhar e contagiasse quem o observa e não sabe se deve aproximar ou afastar-se dele. O tempo o revelará.
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Simão não queria acreditar. Luísa, a sua amiga de infância, estava a pensar mudar de país. Mais do que isso, já estava a fazer as malas e a não lhe dar tempo para se despedir. Detestava despedidas, dizia ela. E as saudades? Será que não pensava nelas? Pois ele, sim. Ela ainda não tinha partido, e ele já não sabia como iria viver sem a sua constante amizade. Por isso, não tinha coragem para a ver partir.

Maria Jorge, Portugal