01/12/12

Querida Senhora



Receio, ao início.
Criança ainda, bebi da sabedoria de uma vida.
Vinte anos na ponta dos dedos!
Respeito, admiração, mestria.
Música e poesia.

A casa no cimo de Lisboa,
O Bechstein com o Columbano atrás.
Acendo o fogareiro.
No intervalo, o chá acompanhado de histórias.

Cresci, menino.
A Senhora, olhos já vividos,
Mão protetora, companhia confidente.

Ai que saudades!

Regresso.
Toca o telefone. «É o Helder?»

Um abraço. Aquele cheiro,
Presença assídua desde os doze.

Sonho. Choro.


Helder, Torres Vedras