30/09/13

Sonhos de flauta

O maestro marcava o compasso, mas da flauta só silêncio saía.
Foi a trompa a salvar a situação com o seu potente sopro. Pelo chão derramou-se uma música confusa, pois as notas não sabiam se eram colcheias, semicolcheias ou semifusas.
Num suave ruído, a flauta confessou o seu sonho. Ser clarinete. E, na sua ilusão musical, pensava que, se se empanturrasse de notas, poderia crescer e tornar-se num. 
Mas, ou se nasce clarinete, ou não se nasce.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

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