19/05/15

Batem de leve nos vidros da janela

Batem  de leve nos vidros da janela
com dedos tão brandos como asas,
passos perdidos num caminho antigo.
O som é leve e quase hesita,
passa de manso a esvoaçar e nada fica.
Espreito surpreendida.
Não há ninguém lá fora!
Só o rumor que vem dos matagais e se demora.
Seria um queixume de alguém que já passou?
Presságios ou sinais?
Seria a voz do vento que me chama?
Ou o coração das pedras pulsando nos pinhais?

Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa.

Desafio RS nº 25 – dedos que batem no vidro (cena)

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