31 dezembro 2015

O protetor

Não era o protótipo de beleza. Tinha um jeito proteiforme de ser. A protuberância do nariz dava-lhe um ar protervo. O olhar parecia protrair a angústia que lhe habitava a alma. A prótese da mão nunca dificultara os gestos. Aparentava viver em constante protestoProtelava todas as decisões relativas à sua vida. A sua falta de beleza mascarava o protagonismo que tinha no seu percurso. Era genuinamente um protetor. A sua grandeza de alma: a sua protofonia.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

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