17 fevereiro 2016

Fóssil no coração

Na penumbra do quarto, ele olhava o teto e sonhava acordado com o passado… Sonhava com aquela infância longínqua, em que as portas da felicidade não tinham trincos. Era tão, genuína e ingenuamente, afortunado!
Vivia, em absoluto deslumbramento pela senhora sua mãe – os seus seios aveludados eram almofadas de ninho, as suas mãos eram luvas de ternura e os seus lábios eram beijos de bem-querer. Agora, este amor é um fóssil incrustado no coração do adulto órfão.

Mireille Amaral, 40 anos, Gondoamr

Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto

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