02 fevereiro 2016

Pelos dedos...

Chegou tarde, mal-humorado, trazia um olhar estranho, distante, perdido.
«Talvez calada ganhe a confiança dele», pensei. Assim fiquei, durante muito tempo. Os minutos passavam, e ele permanecia triste e mudo.
«E agora?  Vou experimentar, pergunto, de forma subtil, pode resultar.»
– O dia correu bem, na escola?
– Voltei a chorar. Esqueci as tabuadas.
– E então?...
– Já sei, amanhã, meto os dedos, por baixo da mesa e conto. Os outros fazem isso...
Fiquei a pensar, afinal já as compreendi.

Margarida Monge, 53 anos, Vila Verde de Ficalho

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

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