Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 18. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 18. Mostrar todas as mensagens

30/06/20

Celeste Bexiga ― desafio 18

Avó
Com extrema tristeza, minha avó muito amada foi embora.
Chorei aquela velhinha....
Olhos azuis, bolsos cheios de rebuçados, para ela, e para as crianças.
Amava-me com ternura.
Pequenina, vestida de preto, como é hábito no Alentejo.
Os olhos brilhantes, faziam esquecer o preto da roupa.
O avô Zé, forreta.
Espertíssima fazia tudo como queria.
As vizinhas vinham pedir-lhe qualquer coisa, piscava o olho ― venham mais logo! ― elas sabiam que o avô Zé tinha chegado.
Saudade avó.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

12/06/20

Elsa Alves ― desafio 18


Tivera sempre uma vida muito simples. Da aldeia só saíra uma ou duas vezes. No dia-a-dia bastavam-lhe a horta, a criação, as árvores de fruto. Viriam agora as cerejas. O filho deliciar-se-ia com elas. Tão docinhas... A vizinha estranhou não a ver há uns dias. Chamou-a. Sem resposta, entrou. Encontrou-a sentada, com um cestinho de cerejas ao colo. O gato, enroscado aos pés. Morrera sozinha. Coitada! O filho emigrara para França há anos e nunca mais voltara...
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

06/06/20

Fernanda Malhão ― desafio 18


Hoje acordei bem cedo, o meu despertador superpersonalizado ronrona, mia, põe as unhas ligeiramente de fora e penteia insistentemente os meus cabelos até vencer-me pela insistência. Levanto-me, ponho comida húmida à minha gata, depois abro a janela: o dia amanheceu tímido e cinzento, a temperatura fresquinha, uma ligeira brisa fazia os eucaliptos dançarem graciosamente, e os pássaros cantavam a desgarrada. O meu olhar percorreu lentamente toda a envolvência: Sorrio e sinto gratidão por tudo ao meu redor!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

20/06/19

António Azevedo ― desafio 18


Hoje passou pelo velho bairro após uma ausência de muitos anos. O deambular por aquelas ruas, conhecidas e familiares, provocou-lhe sentimentos contraditórios. Tudo parecia, ao mesmo tempo, igual e diferente. O traçado das ruas mantinha-se idêntico. No entanto, a paisagem mudara radicalmente. Na esquina, a mercearia do Teodorico desaparecera dando lugar a uma loja de telemóveis. Adiante, em vez do talho, encontrou uma lavandaria automática. De súbito, descobriu-se a caminhar numa provocante metáfora da sua própria transformação.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

13/05/19

Sara C ― desafio 18


Numa bela manhã de verão, lá no jardim da Ana, tudo brilhava com o maravilhoso reflexo do sol. Apenas se ouvia o chilrear dos pássaros.
Ana acordou por volta das seis da manhã. De seguida, saiu da cama, olhou pela janela e, ao ver aquele lindo dia, saltitou de alegria.
Arranjou-se e convidou os amiguinhos para brincar. Passaram o dia inteiro lá fora a aproveitar o bom tempo.
Tiveram um dia de grande diversão, partilha e entusiasmo.
Sara C – 6º C, AE da Corga de Lobão, Santa Maria da Feira, prof Carla Soares
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

02/10/18

Sérgio Felício ― desafio 18


A pulseira
Tive um pensamento: oferecer uma pulseira a uma rosa vermelha, cheiro de canela, muito especial para mim.
Na escuridão procurei a pulseira, encontrei-a porque tem tudo a ver com a rosa vermelha.
Imagino-a a colocar no seu braço… o meu coração estremece, fica em erupção prestes a implodir, e, parecido com um escudo, para jamais sofrer.
Ela coloca a pulseira de surpresa e sorri. Uma brisa quente aquece-a.
Abraçámo-nos, beijámo-nos da cabeça aos pés… desejos e sonhos. 
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

03/07/18

Catarina Rosa ― desafio 18


Esperei por ele junto ao terminal rodoviário. Quinze minutos. Guardava somente algumas memórias do nosso amor, todas elas fugidias. Escapava-me o sentido de amá-lo tanto, recordando tão pouco, e, talvez por isso, assombrava-me a ideia do reencontro. Dez minutos. Sentei-me e analisei as hipóteses mais racionais: fingir-me alheia à chegada do autocarro e esperar dele a primeira abordagem, ou dirigir-me a ele, forçando uma falsificada descontração. Cinco minutos. Ou ir embora. Um minuto. Levantei-me e fui embora.
Catarina Rosa, 19 anos, Portimão
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

21/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 18

Quando te conheci, com essa barba e cabelo compridos, parecidas um delinquente! Lembro-me demasiado bem disso!
Naquela turma de contabilidade, foste o único que, com uma apresentação antipática e arrogante, desagradou a todos os colegas, incluindo à professora. Lembro-me demasiado bem disso!
Mas, com o passar do tempo, consegui vislumbrar a tua beleza interior e lutei por ti. Lembro-me demasiado bem disso!
Agradeço às entidades divinas terem-me concedido uma índole perseverante. Hoje estamos juntos e sou feliz!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

30/03/17

Eurídice Rocha ― desafio nº 18

Sombra foi
Possui inseparável lágrima contudo verte-a pela alma e rodopia a rude autenticidade.
Embrulha-se no corpo e consolida o tempo estancado. Esvaziado entre mágoas, sem exalar vento

27/09/16

Sonhando acordada

Conseguia passar horas e horas a olhar o horizonte. A pensar em tudo e em nada, a tentar conhecer-se a si própria. Viajava com os pensamentos até mundos longínquos e desconhecidos. Imaginava mil e um cenários diferentes, mil e uma vidas possíveis. Sonhava acordada. Sonhava até explodir a cabeça com expectativas e ilusões, até fazer o coração rebentar de emoção, até rasgar os lábios de tanto sorrir. Até voltar a acordar, e encontrar tudo no mesmo lugar.
Carolina Constância, 23 anos, S. Miguel, Açores
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

20/05/16

Um gato com maus hábitos!

Elvira Falinhas adorava tomar chá com as suas amigas. O seu gato Tareco, grande caçador, tinha o mau hábito de guardar as presas nas panelas da cozinha. Naquele dia, Elvira convidou as suas amigas para lanchar. Quando se preparava para fazer o chá, do bule, saltou para o chão um rato guinchando e desapareceu. As amigas gritavam, amedrontadas. Tareco, debaixo da mesa, espreitava estático. Elvira pegou na vassoura, avançando para Tareco. Este, comprometido, fugiu a sete pés.

Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

21/04/16

Nada prometo

Saboreio o mar na imensidão do meu olhar. Corro-o à boleia de Fernão Capelo, à deriva do vento e da maré, em gozo de imperfeição.
Fantástica aurora esta, enfeitada pelos barcos, prenhes de vida e de sonhos. Fernão, guia dos meus sonhos, roça o pescado em desdém do óbvio, e parte em piruetas de aventura e prazer, sorrindo na contramão da fila onde falta a sua presença.
Saboreio a vida: nada me prometo para além do amor!

Fernando Morgado, 60 anos, Porto
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser


20/04/16

Douro

Pelos socalcos acima, onde as videiras aprumadas,
escondem os cachos doirados pelo sol acariciados.
Esperam as mãos suaves das vindimadeiras, para
carinhosamente cortá-las. As abelhas de volta
sugando-lhe o delicioso néctar.
Vão para o lagar, aí pisadas e transformadas,
no mais delicioso mosto, ao som das concertinas,
e desgarradas.
Depois mulheres e raparigas, cantando belas cantigas,
levam-no em cântaros à cabeça.
Despejado em enormes pipas, para passar o gelado
inverno transformando-o no melhor vinho.
Vinho do Douro.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

12/02/16

A ilusão

Reuniram-se todos à volta da mesa cheia de sábias iguarias, na festa de final de curso de Mariazinha. Os sorrisos arrogantes saboreavam pequenos goles de satisfação, com laivos de esperança. Com toda a pujança, entoavam-se FRÁs estridentes e honrosas dedicatórias. O futuro sorria na ponta dos lábios de todos os presentes, sem deixar qualquer amargo na boca, um amargo talvez só viesse anos depois, quando o final do curso acabava por se tornar no princípio de tudo.

Sandra Martins, 43 anos, Portel, Alentejo
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

03/02/16

A Janela

Todas as manhãs chegava aqui. Esta janela verde da minha infância. Por vezes azul, quando o tempo, pintado de verão se espraiava pelo meu olhar. Outras, alaranjava-se de ouro em cada folha de outubro, lá fora, no jardim. Dos cinzas prateados do inverno transmutava-se de novo em promessas de turquesa e água, anilando-se na íris-flor dos nossos olhos.
A janela desapareceu. Porém o seu espaço cresceu dentro de mim e permaneceu verde. Sempre. Eternamente aberto ao sol. 

Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

Miados

Jaime colocava um banquinho na soleira da porta e fazia uma soneca, depois do almoço. Em férias, a rapaziada fazia-lhe partidas.
Arranjara uma estratégia: quando os gaiatos se aproximavam, o gato miava, dando-lhe de seguida umas migalhas.
Numa noite de lua nova, assaltaram-lhe a casa e dispersos miavam, sem dó.
Na manhã seguinte, antes de pegar no trabalho, avisou as mães dos “mafarricos” para os irem levantar. Tinham-se comprometido levar o estrume para o fundo da horta.

Graça Pereira, 57 anos, Setúbal
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser


02/02/16

Pelos dedos...

Chegou tarde, mal-humorado, trazia um olhar estranho, distante, perdido.
«Talvez calada ganhe a confiança dele», pensei. Assim fiquei, durante muito tempo. Os minutos passavam, e ele permanecia triste e mudo.
«E agora?  Vou experimentar, pergunto, de forma subtil, pode resultar.»
– O dia correu bem, na escola?
– Voltei a chorar. Esqueci as tabuadas.
– E então?...
– Já sei, amanhã, meto os dedos, por baixo da mesa e conto. Os outros fazem isso...
Fiquei a pensar, afinal já as compreendi.

Margarida Monge, 53 anos, Vila Verde de Ficalho

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

Distraída

Entusiasmada a escrever o desafio nº 18, quando tocaram à campainha. Pensei logo:
– Bolas, eu a precisar de concentração…
Abri a porta, vi a vizinha do 3º E. Pediu desculpa, em jeito aflito, e disse-me:
– A Luna deixou cair o brinquedo cá para baixo!! E ficou a chorar, coitadinha.
Abri a porta do terraço, deixei-a procurar.
Ainda por lá anda e eu aqui a escrever, desconhecendo quem se sente mais triste, se a vizinha ou a cadela.

Carla Augusto, Alenquer

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

Maria

Maria descalça. Só Maria, de pura linhagem!
Maria só, descalça, escoltada pela brisa marinha.
Maria, despida da solidão de outrora, sentia-se agora mulher afortunada.
A praia? Testemunha do seu fulgor!
A maresia? Senti-a afagar-lhe o rosto em carícias memoradas. Jamais alguém lhe arrancaria do coração, tal desenfreada sensação!
E lá permanecia Maria, na areia deitada, em colcha de amor, regada.
Maria fechou os olhos, abraçou o sol, vestiu-se da nívea claridade e, em gesto de seriedade, calçou-se.

Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

10/01/16

A Branquinha e os filhos

Tão lindos estes gatinhos,
Filhos da nossa gatinha,
Um branquinho igual a ela
E a outra malhadinha!

Bonitos, fofos, macios,
Meigos e inteligentes,
Gostam muito de carinho,
Sabem escolher ambientes!

Branquinha, parece tê-los
Para nos dar alegria,
Quando vem nova ninhada
Há uma grande euforia!

E se formos espreitá-los,
Ela fica aborrecida,
Carrega-os para bem longe,
Esconde-se bem escondida!

Um dia, porém, regressam
Robustos, com mais destreza
E a mãe toda vaidosa,
Com toda a sua riqueza!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante
Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser