17 fevereiro 2016

Sonhos no rosto

A terra era a sua casa de onde avistava o rio que lhe refletia no olhar os dias de maior cansaço. O trigo que ceifava, as vinhas que podava, as regas do milho nos campos de semeadura, que ficavam por detrás do sol-posto e as oliveiras varejadas pelos seus braços vigorosos, conferiam-lhe o estatuto de herói, o meu herói. Já no declinar da idade ainda se espantava com as madrugadas a lembrarem-lhe os sonhos, sulcados no rosto.

Emília Simões, 64 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto

4 comentários:

  1. Boa noite Margarida,
    Muito obrigada por ter publicado a minha história.
    Deixo-lhe um enorme beijinho.
    Emília

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  2. Linda história do herói, Ailime! Bela homenagem!
    Boa noite e parabéns a você e a Margarida. Esse desafio é muito interessante.

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