20 abril 2016

Heitor

Gostaria de saber o que guardava Heitor no cacifo. Ensimesmado, triste, só, fomos deixando de o ver. De perguntar por ele também, sem perceber. Lá no fundo, no gabinete mais escuro e com mais cheiro a humidade do escritório, foi-se desvanecendo. Depois nunca mais o vimos. Vieram entregar-nos a chave do seu cacifo para que o limpássemos e ficámos a olhá-la, em êxtase, como se ela fosse a lembrança dum abraço que ficara esquecido dentro de nós.

Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

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