O tempo meu
Atravesso-me quando acordo. Um voltar a mim que me arrepia estupidamente, como se o mesmo não me acontecesse todos os dias, desde que nasci. Respiro a sensação e resigno-me. Mas hoje senti o coração bater mais forte e as palavras atrapalharam-se dentro, aprisionadas. Resistentes, segredaram-me a força da libertação e numa conspiração cega desprenderam-me a língua e voaram num som inequívoco – Vive aqui, hoje! E vivo, dia após dia, neste castigo saudoso do tempo que foi meu.
Sandra Évora, 40 anos, Sto. António dos Cavaleiros
Desafio RS nº
13 – … palavras atrapalharam-se dentro…
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