20 dezembro 2017

Escritiva nº 27

Os cheiros transportam-nos para outros tempos, para outros lugares, às vezes bons e outras vezes nem por isso.
O cheiro a chulé não é que seja muito agradável, mas a mim traz-me lembranças divertidas pelas partidas que pregávamos a um amigo que era uma autêntica doninha fedorenta. O cheiro a alho também não me incomoda, pois faz-me pensar no Natal e na cozinha cheia de gente a preparar petiscos.
Enfim, há muitos cheiros que nos trazem boas lembranças.

Aqui fica um cheirinho de boas recordações:
De repente, sentiu-se viajar no tempo, deixou-se envolver pela lembrança da cave onde o avô guardava as ferramentas para ressuscitar as bicicletas dos miúdos do bairro. Recordou a primeira queda e o primeiro beijo às escondidas da mãe. O primeiro cigarro, e o último que a asma não dera para mais. Recordou os calendários, as imagens do Tourmalet, os dias na beira da estrada à espera dos heróis. De repente, o cheiro intenso a cola fê-lo viajar.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 27 - cheiros

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