27 abril 2018

Ana Paula Paiva ― desafio 137


Acendeu o isqueiro como tantas vezes vazia. Não havia cigarro, apenas aquele isqueiro. Deixara de fumar há muito, logo depois que a Rosa morrera, a sua Rosinha sempre preocupada com a sua saúde.
Ouvira-a pouco, sempre alertando que cada cigarro lhe roubaria tempo de vida, nunca lhe ligou, fora um burro.
Agora ficara só, sentindo-se mesmo burro, sem a sua Rosa, mas sempre com o isqueiro a lembrar-lhe a morte não pede licença. A morte escolhera Rosa.
Ana Paula Paiva, 52 anos, Porto
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

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