12 julho 2018

Amélia Meireles ― desafio 137


Não suportava aquela camisa rosa. Como lhe havia de dizer? Tinha que engendrar alguma coisa para que a famigerada camisa desse à sola. Não podia falhar, pois ele não era burro e podia perceber a trapaça. Naquele abençoado jantar, a vela do candelabro apagou. Pediu-lhe o isqueiro e fingindo tropeçar tombou a cera na sua estimada camisa. As desculpas saíram em catapulta. Ele, suavemente apaziguou o seu falso arrependimento. Odiava a camisa que a mãe lhe dera.
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

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