28 julho 2018

Natalina Marques ― escritiva 34

Naquele dia, lá estava o Norberto, como todos os outros. Logo pela manhã, na mesma mesa da mesma esplanada.
Ansiava por dois dedos de conversa. Sentia essa necessidade.
Em frente, um grupo de jovens não tirava os olhos dos telemóveis, então pensava.
― Estão mais doentes que eu.
Sentia saudades da casa cheia, e da alegria de trabalhar para os sustentar.
Um dia, deixou de aparecer no café e alguém perguntou pelo Norberto, alguém respondeu:
― Morreu de solidão.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Escritiva nº 34 - policial

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