25/07/18

Filomena Galvão ― escritiva 34


A sala já estava na penumbra, mas na ânsia de ver terminada a tarefa nem se movera para acender a luz. Repousava agora de braços caídos e com a arma do crime no colo. Sentia-se satisfeita. Foi neste crepúsculo que acabara finalmente a encomenda. Eram necessárias camisolas para as crianças do orfanato. Levara o verão todo a tecer malhas, mata e laça, mata e laça. Matou-as todas. Ela e as agulhas do tricot podiam agora ter descanso.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Escritiva nº 34 - policial

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