22/10/18

Theo de Bakkere ― desafio 152


A última
Aos noventa anos ela era, salvo alguns sobrinhos emigrados, a última da família e última serrana na aldeia de xisto. Lágrimas amargas que apenas lhe avivaram a solidão, não as chorava mais. A única consolação, um cão abandonado com que partilhasse por vezes sua refeição.
Um dia, ficou a porta fechada. Nenhumas lágrimas no funeral, apenas o pároco, o coveiro, e um cãozinho que se deitou ao lado da cova e não se deixava expulsar por seixos.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 152 – frase de Lídia Jorge

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