08 novembro 2016

Liberdade

Aquele era o bairro mais antigo da cidade, quase uma ruína. Havia uma loja de peúgas esquecidas, do tempo em que abrira. Nela o velho metro de madeira trabalhara um dia sem parar. Fazia então um barulhinho doce ao bater, ritmado, sobre o balcão. Solitário, o relojoeiro, trabalhava horas sem fim, sem rumo ou destino. Que justiça teria conduzido ao fim daquele mundo, coado pelo tempo? Parada junto ao ralo de ferro, libertei enfim a minha tristeza. 
Paula Coelho Pais, Lisboa, 55 anos

Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras

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