31 janeiro 2017

Trincheiras

Por vezes escreviam cartas. Falavam do sofrimento, da solidão, dos terrores noturnos, em desabafos espontâneos, na esperança, talvez, de um acordar mais sereno.
Mas o regresso às trincheiras roubava-lhes todas as ilusões e os restos de alguma fé. Todos eles temiam que chegasse a sua hora, apanhados pelas metralhadoras, ou gazeados pelo inimigo. A única luz ao fundo do túnel era chegar o «amanhã». E assim, todos aqueles homens esperavam pelo sono que teimava em não vir.
Isabel Lopo, 70 anos, Alentejo

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

1 comentário:

  1. Isabel, desejemos todos os dias que chegue o amanhã... Adorei. Parabéns

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