01 fevereiro 2017

Secreto

Era assim quando o sol se punha. As vozes tombavam como se esticassem os lençóis brancos de linho. A fogueira estalava e na sala bailavam, ao som das sombras, vultos engomados do passado. Na cadeira, ela embalava a memória arrumada de imagens e vozes que enganavam o silêncio do soalho.
E havia um sorriso feito de paz e missão cumprida que era ritual de despedida de mais um dia e voto secreto de um sono sem madrugada.
Lurdes Augusto, 46 anos, Lisboa

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

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