21/04/12

histórias recebidas - abril 2012 VI



Um dia abri um caderno com uma capa lindíssima e resolvi dedicá-lo a um ser em projeto, mas já muito amado. A certeza interior de que seria uma menina fez-me comprar 

umaboneca de pano e dedicar-lhe com o calor das palavras, várias páginas dirigidas assim: "Meu Raiozinho de Sol", "Ternurinha", "Minha Menininha"...Quando soube que era uma árvore com fruto, as raízes do meu coração entrelaçaram de Amor aquele pequenino ser, aquela "pessoinha" tão valiosa e misteriosa.
Catarina Pires Almeida



Entardecia, o sol despedia-se de mais um dia de outono e as árvores desprendiam-se das folhas. Sentado no banco do jardim, boné para os olhos, pés estendidos para a última réstia de sol, ele era a imagem do mais completo abandono. A bengala repousava no banco. O mesmo banco do jardim. Aproximei-me. Sentei-me. Falei do tempo… dos tempos!... Consegui!... Levantou os olhos. Começou a falar:
-No meu tempo… Quando era rapaz...
Desejava apenas um pouco de atenção.
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Carinha doce, emoldurada por belos cabelos acobreados, olhos azuis da cor do vestido, executava, no palco, um recital de Bach para violino. Mãos ágeis manuseavam o arco, arrancando das cordas belíssimas notas.
Empolgada, imaginava-se num prado pintado de malmequeres que mais pareciam manchas de tinta amarela deixada cair por um pintor distraído.
Corria, corria pelo prado, agarrando o violino com firmeza, tocando aquela música inebriante.
O barulho de entusiásticas palmas, acordou-a para a realidade.
Maria, docemente, agradeceu.
Dorinda Oliveira, 72 anos, Arrifana

Uma menina chinesa contava a historia da zanga do Sol com a Chuva.  O Sol durante dias não deixou a chuva passar.  Aqueceu tanto que os rios secaram. Morreram peixes e não havia erva para os animais.
Um dia o Sol deixou-se dormir e a Lua avisou a Chuva que chorou de alegria e tanta lágrima caiu sobre a terra que houve uma inundação.  Tudo que estava seco, renasceu. Os rios corriam cheios de água. Os peixes voltaram!
AmáliaQuintas, Salvaterra de Magos

Hoje vou de viagem. Não consigo mais estar aqui. Não consigo mais aturar-te. Quero liberdade. Quero ser eu. Estou farta de ser tu. Tu que invadiste a minha vida, a aprisionaste. A minha alma também está presa. Deixou de pensar em mim para pensar em ti, nos teus caprichos, nos teus queixumes, nas tuas esquisitices. Quando regressar, não sei se te avisarei. Talvez entendas, talvez não. Hoje vou partir à procura de algo, à procura de mim.
Ana Paula Oliveira, 51 anos, S. João da Madeira

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