20/01/13

Uma mulher feita de círculos



O silêncio dormia e a escrita estava inflamada. 
As letras inseguras e inabaláveis dançavam na folha de papel, manchada de vinho do porto, e um desejo ardente misturava-se na sua saliva. Não era caso para cuspir, o seu palato apreciava-o, ainda por mais, numa mulher literata. Eclodiu do dia para a noite, nas doze badaladas. Hoje, é um rebento grande, mas a sua  própria consideração é ínfima. A mulher está extenuada da sua vida cíclica, sente-se inebriada.

Miguel Jerónimo, 14 anos, Portugal

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