23/06/15

Esperas

“Quem espera sempre alcança”
Reza antigo rifão
Dependendo da balança
Às vezes sim, outras não

Fui marcar consulta!
“Dia cinco. Chegue às dez
Se esquecer paga multa!”
Fui. Aguardei minha vez

Fartei-me de esperar
Eram horas de horror
Ouvia-se praguejar;
Alguns gemiam de dor.

“ O doutor está num curso!”
Mandaram todos p’ra rua
Com clamoroso discurso.
Já então brilhava a lua.

Abandonou-me a esperança
E a consulta “já era”!
Quem espera sempre alcança?
Ou que espera desespera?

Maria Antónia Vitorino, 72 anos, Estremoz

Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios