21 fevereiro 2016

Relógio dourado

Fazia festas na barriga e dizia ao bebé: “estamos no barco”. As palavras chegavam ao bebé pelo cordão umbilical. O bebé tranquilizava. De regresso a casa comia gelado de chocolate branco. A bebé lambia-se.
Dava de mamar, olhando o relógio dourado, da sua avó, para controlar tempos da mamada. Dez minutos cada mamilo.
Fixou os ponteiros: rodaram, rodaram, rodaram…
Passou tanto tempo!
“Força filha!”. Sua neta nascia. Palmada no rabo, choro.
O relógio dourado mudou de pulso.

Marina Delgado, 51 anos, Pucariça, Abrantes
Desafio RS nº 23 – história de mulheres


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